No limite do improvável, o relacionamento havia chegado ao fim
Thales Machado, 40 anos, secretário de Governo e genro do prefeito, matou filho de 12 anos e feriu gravemente criança de 8 anos antes de se suicidar. Horas antes do crime, Machado publicou vídeos com os filhos e mensagens indicando crise conjugal e suposta traição da esposa, depois deletadas.
- Thales Naves Alves Machado, 40 anos, secretário de Governo de Itumbiara
- Filho de 12 anos morreu; filho de 8 anos em estado gravíssimo após cirurgia
- Postagens nas redes sociais horas antes mostravam afeto e crise conjugal simultâneos
- Caso classificado como homicídio consumado, homicídio tentado e autoextermínio
Secretário de governo em Itumbiara atirou contra dois filhos e se matou na madrugada de quinta-feira; crime teria sido motivado por suposta traição conjugal.
Na madrugada de quinta-feira, 12 de fevereiro, Thales Naves Alves Machado, secretário de Governo da Prefeitura de Itumbiara, no sul de Goiás, disparou contra seus dois filhos e depois contra si mesmo. O homem de 40 anos era genro do prefeito Dione Araújo e pai de duas crianças, de 12 e 8 anos — netos do prefeito. O filho mais velho não resistiu aos ferimentos. O mais jovem foi submetido a cirurgia em estado gravíssimo, com informações posteriores indicando que também não sobreviveu.
Horas antes dos disparos, Machado havia publicado vídeos nas redes sociais mostrando os filhos — um durante uma aula de judô, outro nos seus braços — acompanhados de mensagens dizendo que os amava. Mas em outra publicação, que foi deletada, o tom era radicalmente diferente. Ele escrevia estar no "limite do improvável" e deixava claro que seu relacionamento havia chegado ao fim, apontando para uma suposta traição da esposa como motivação. A sequência de postagens traçava um arco de afeto e desespero que precedeu a tragédia por poucas horas.
A Polícia Civil de Goiás classificou o caso como homicídio consumado, homicídio tentado e autoextermínio. O Grupo de Investigação de Homicídios de Itumbiara foi acionado e conduziu os trabalhos periciais, acompanhando a remoção do corpo e iniciando oitivas e levantamentos. Até o momento da investigação inicial, a polícia informou que não havia elementos indicando participação de terceiros no crime.
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, divulgou nota de pesar na manhã de quinta-feira, descrevendo a violência doméstica como algo que "atinge em cheio a família e coloca todo o nosso Estado de luto". Caiado, correligionário do prefeito Araújo, suspendeu suas agendas e se deslocou para Itumbiara para prestar solidariedade. Em sua mensagem, abraçou o prefeito como amigo e pediu força aos familiares e à comunidade para atravessar o momento.
A prefeitura de Itumbiara não respondeu aos pedidos de informação feitos pela reportagem até o momento da publicação. O caso permanecia sob sigilo do inquérito, com a polícia respeitando a dor dos familiares enquanto prosseguia com as investigações. O que começou como postagens de um pai mostrando carinho por seus filhos terminou em tragédia, deixando uma comunidade inteira em luto e questões sobre os sinais que precederam a violência sem respostas claras.
Notable Quotes
A notícia de violência dentro de um lar, sobretudo quando crianças são vítimas, atinge em cheio a família e coloca todo o nosso Estado de luto— Governador Ronaldo Caiado
The Hearth Conversation Another angle on the story
Como alguém que publica vídeos carinhosos com os filhos horas antes consegue fazer isso?
Não sabemos ainda. Mas a sequência de postagens sugere que ele estava em crise — o amor pelos filhos e o desespero sobre o relacionamento coexistiam. As mensagens deletadas indicam que ele estava tentando comunicar algo que o consumia.
A suposta traição da esposa é mencionada, mas não há detalhes. Por que isso importa?
Porque é o fio que a polícia está puxando. Sem entender o que ele acreditava estar acontecendo em seu casamento, é difícil compreender por que as crianças se tornaram alvo. Isso não justifica nada, mas explica talvez o que estava em sua mente.
O filho mais velho tinha 12 anos. O mais novo, 8. Ambos eram netos do prefeito. Isso muda algo?
Muda o alcance da tragédia. Não é apenas uma família destruída — é a família do prefeito, a do secretário, a comunidade inteira. Quando alguém em posição de poder está envolvido, o luto se expande.
A polícia diz que não há sinais de terceiros. Isso significa que foi realmente o que parece?
Por enquanto, sim. Mas a investigação está no começo. O que sabemos é que ele publicou, depois deletou mensagens. Há coisas que ainda não entendemos sobre aquelas horas finais.
O governador se deslocou pessoalmente. Isso é protocolo ou sinal de algo maior?
Ambos. É protocolo para uma tragédia dessa magnitude. Mas também é um gesto de que o Estado está presente, que isso não será ignorado. A comunidade precisa saber que está sendo ouvida.