No ciclo eleitoral de 2026, um segmento do eleitorado brasileiro — indeciso, avesso à polarização e chegando sempre tarde às próprias conclusões — encontrou em Augusto Cury uma pausa confortável antes da escolha definitiva. Cury, psiquiatra milionário que promete desmontar o Estado com a frieza de um cientista, alcança até 10% nas pesquisas do primeiro turno ao oferecer a ilusão de ruptura sem o peso do confronto ideológico. O que esse eleitor distraído ainda não percebeu é que sua hesitação pode ser o instrumento mais preciso de uma transformação que ele mesmo não escolheu conscientemente.