O Brasil entre a institucionalidade e o arbítrio judicial

Economia e instituições financeiras sofrem destruição; cidadãos enfrentam bloqueios de contas e cancelamentos de CNPJ sem acesso a investigações, violando direitos constitucionais.
O país sofre enquanto o pêndulo não retorna a um lugar seguro
Reflexão sobre o custo real da crise institucional para a população e a economia brasileira.
Mark

Por que o Supremo Tribunal Federal, que deveria proteger a Constituição, acaba violando-a?

Mimi

Porque a tarefa de defender a democracia é tão difícil que o tribunal se vê tentado a ultrapassar seus próprios limites. Começa com boas intenções — combater a corrupção — mas termina assumindo funções que não lhe cabem, como investigar e acusar.

Mark

E o Congresso Nacional? Por que comissões parlamentares atuam como tribunais?

Mimi

Porque não há fiscalização clara sobre o que essas comissões podem fazer. Elas ganham poder de investigação, mas sem as garantias processuais que um tribunal oferece. É poder sem responsabilidade.

Mark

Qual é o dano real para quem vive no país?

Mimi

Insegurança. Um empresário não sabe se seu banco será destruído porque um cliente seu está sob investigação. Um advogado não consegue acessar os autos do processo de seu cliente. Contas são bloqueadas sem explicação. Isso não é justiça — é arbítrio.

Mark

A corrupção foi combatida, então?

Mimi

Não. Apenas ficou mais cara. Os números cresceram. Enquanto isso, empresas legítimas foram aniquiladas, instituições financeiras desapareceram, e o custo de fazer negócios no Brasil subiu vertiginosamente.

Mark

O que precisaria acontecer para mudar isso?

Mimi

Cada poder teria de voltar ao seu papel. O Supremo deixaria de investigar e acusar. O Congresso respeitaria seus limites. O Executivo fortaleceria as instituições em vez de usá-las como moeda de troca política. Mas isso exige humildade institucional, e humildade é rara no poder.

  • O STF volta a acumular os papéis de investigador, acusador e juiz ao mesmo tempo, repetindo os erros que já desmantelaram a indústria de infraestrutura do país.
  • Instituições financeiras são destruídas, contas bancárias bloqueadas sem fundamento legal e CNPJs cancelados — tudo enquanto advogados são impedidos de acessar os próprios autos dos processos.
  • No Congresso, comissões parlamentares de inquérito agem como se fossem tribunais, e emendas orçamentárias bilionárias circulam sem fiscalização adequada, alimentando o ciclo de trocas políticas.
  • A insegurança jurídica gerada por esse desequilíbrio paralisa investimentos, encarece o custo Brasil e mantém a corrupção viva — apenas mais cara do que antes.
  • A saída apontada é a autocontenção de cada poder dentro de seus limites constitucionais, devolvendo ao Ministério Público e ao Judiciário ordinário o combate ao crime com o devido processo legal.

O Brasil vive uma crise silenciosa de equilíbrio entre seus poderes: o Supremo Tribunal Federal acumula funções que não lhe pertencem, o Congresso legisla além de suas fronteiras constitucionais e o Executivo oscila entre fortalecer e corroer as instituições. Essa desfiguração do pacto democrático de 1988 não é nova — repete os excessos do mensalão e da Lava Jato —, mas seus custos recaem, como sempre, sobre a economia e sobre os cidadãos comuns. A pergunta que permanece é se os três poderes encontrarão, antes que o dano se torne irreversível, o caminho de volta aos seus papéis constitucionais.

O Brasil enfrenta uma erosão silenciosa do equilíbrio institucional construído pela Constituição de 1988. Desde o mensalão, passando pela Lava Jato até as recentes operações contra sonegadores, o Supremo Tribunal Federal foi ampliando seu alcance de forma sem precedentes — julgando ações penais que deveriam pertencer ao Ministério Público, transformando processos em espetáculos públicos e chancelando operações que violavam a lei em nome do combate à corrupção.

O resultado já foi devastador uma vez: a indústria de infraestrutura foi desmantelada, a corrupção não desapareceu, apenas ficou mais cara. Agora o ciclo se repete. Ministros atuam simultaneamente como investigadores, acusadores e juízes em casos de sonegação, enquanto investigações se estendem indefinidamente e o descrédito volta a rondar o tribunal.

O custo real recai sobre o país. Instituições financeiras são destruídas por terem clientes sob investigação. Contas são bloqueadas sem fundamentação legal. CNPJs são cancelados. Advogados são afastados dos autos, impedidos de acessar investigações que afetam seus clientes. A insegurança jurídica e a insegurança econômica caminham juntas, elevando o custo Brasil.

O Congresso Nacional comete suas próprias anomalias: comissões parlamentares de inquérito ultrapassam suas competências ao agir como poder judiciário, e emendas orçamentárias são liberadas sem fiscalização adequada, alimentando o sistema de trocas políticas que corrói o Estado.

Ninguém defende impunidade. O crime deve ser combatido com rigor — mas pelo Ministério Público e pelo Judiciário em seus papéis apropriados. O devido processo legal não é um luxo; é a fundação da democracia. Enquanto o pêndulo não retornar a um lugar seguro, a turbulência institucional continuará paralisando investimentos, retraindo o mercado e fazendo a população pagar o preço dos excessos de quem deveria protegê-la.

O Brasil enfrenta uma crise silenciosa de equilíbrio institucional. Desde que a Constituição de 1988 estabeleceu as bases da democracia moderna do país, o desenho dos poderes se desfigurou. O Supremo Tribunal Federal ampliou seu alcance nas questões jurídicas e políticas de forma sem precedentes. O Congresso Nacional disputa com o Executivo o controle de bilhões orçamentários. E o Executivo oscila entre o fortalecimento e o enfraquecimento, alimentando um sistema de trocas políticas que corrói a institucionalidade.

Essa erosão não é nova. Desde o escândalo do mensalão, passando pela Operação Lava Jato até as recentes operações contra sonegadores, o país tem visto suas instituições se transformarem em palcos de excessos e ilegalidades. O Supremo Tribunal Federal, em seu afã de proteger a democracia, assumiu para si responsabilidades que não lhe cabem. Julgou ações penais que deveriam estar sob jurisdição do Ministério Público. Transformou processos em espetáculos públicos, canalizando a opinião pública e a cobertura da imprensa em seu favor. Chancelou operações que violavam a lei em nome do combate à corrupção.

O resultado foi devastador. A indústria de infraestrutura do país foi desmantelada. A corrupção não desapareceu — apenas ficou mais cara, e os números cresceram. Agora, em novo ciclo, o Supremo volta a cometer os mesmos erros. Sob o pretexto de combater crimes de sonegação, a corte executa uma demagogia judicial que agride um mercado em expansão. Ministros atuam simultaneamente como investigadores, acusadores e juízes. Investigações se estendem indefinidamente. O descrédito volta a rondar o tribunal.

Mas o custo real recai sobre o país. Instituições financeiras são destruídas porque tiveram clientes sob investigação. Contas bancárias são bloqueadas diariamente sem fundamentação legal. CNPJs são cancelados. O direito constitucional à livre iniciativa é suspenso. Advogados são afastados das tribunas e dos autos processuais, impedidos de acessar investigações. A insegurança jurídica se multiplica. A insegurança econômica a acompanha. O custo Brasil sobe.

O Congresso Nacional, por sua vez, comete suas próprias anomalias. Comissões parlamentares de inquérito atuam como se fossem poder judiciário, ultrapassando suas competências constitucionais. Emendas orçamentárias são liberadas sem fiscalização adequada, alimentando o sistema de troca política que enfraquece o Estado.

Ninguém aqui defende a impunidade. O crime deve ser combatido com rigor. Mas o combate ao crime é tarefa do Ministério Público e do poder judiciário em seus papéis apropriados, não do Supremo Tribunal Federal agindo como agente de segurança e órgão acusador simultaneamente. O devido processo legal não é um luxo — é a base da democracia.

O problema é que enquanto essas distorções persistem, enquanto o pêndulo não retorna a um lugar seguro, o país sofre os impactos reais. A turbulência institucional gera incerteza. A incerteza paralisa investimentos. O mercado se retrai. Empregos desaparecem. A população paga o preço dos erros de quem deveria protegê-la.

O que se aguarda agora é que os três poderes retomem seus papéis constitucionais — aquele desenho construído com tanto esforço após décadas de autoritarismo. Que o Supremo Tribunal Federal exerça autocontenção. Que o Congresso Nacional respeite seus limites. Que o Executivo fortaleça as instituições em vez de enfraquecê-las. Apenas quando isso ocorrer, quando os discursos dos que pregam repressão penal voltarem a ser vozes isoladas e fora de moda, o país poderá respirar novamente.

Não se está aqui defendendo a impunidade, mas sim o devido processo legal e o escorreito combate ao crime
— Articulista
O país volta a sofrer os impactos dos erros do combate ao crime. Com o custo Brasil elevando-se cada vez mais, vê-se insegurança jurídica e, também, econômica
— Articulista
Envie de l'histoire complète ? Lire l'original sur Folha de S.Paulo ↗
Nous contacter FAQ