Que se pare de fazer política com a morte do Presidente
Quando uma figura histórica parte, os que ficam procuram formas de manter viva a sua presença no mundo. Nuno Pinto da Costa, neto de Jorge Nuno Pinto da Costa — o presidente que moldou o F.C. Porto durante décadas —, responde à perda do avô, falecido em fevereiro de 2025 aos 87 anos, escrevendo um livro de homenagem intitulado 'O azul depois do fim'. Aos 28 anos, este jovem não apenas preserva uma memória familiar, mas participa num momento mais amplo de reflexão sobre o que uma instituição centenária carrega consigo quando perde aquele que a definiu.
- A morte de Jorge Nuno Pinto da Costa em fevereiro deixou um vazio que a família e o clube ainda procuram preencher, e o neto mais velho decidiu fazê-lo através das palavras.
- Nuno criticou publicamente a politização em torno da morte do avô, exigindo que se respeitasse o legado sem o instrumentalizar — uma intervenção que gerou forte reação nas redes sociais.
- A capa do livro, com o Estádio do Dragão ao pôr do sol, condensa em imagem o que o título anuncia: o fim de uma era e a tentativa de continuar algo que parecia irrepetível.
- Em setembro, dois livros sobre o F.C. Porto chegam quase em simultâneo — um de homenagem pessoal, outro de análise crítica —, oferecendo perspetivas opostas sobre o mesmo clube em transição.
- O F.C. Porto surge assim como palco de uma tensão entre memória e presente, entre quem quer preservar e quem quer compreender o que mudou.
Nuno Pinto da Costa, o neto mais velho do histórico presidente do F.C. Porto, está a escrever 'O azul depois do fim', uma obra pessoal que nasce da perda. Jorge Nuno Pinto da Costa faleceu a 15 de fevereiro de 2025, aos 87 anos, vítima de cancro na próstata, deixando um vazio profundo na família e no clube que liderou durante décadas.
O título não é inocente: recupera e prolonga o nome da última obra do avô, 'Azul até ao fim', publicada em outubro de 2024, poucos meses antes da sua morte. A capa provisória, revelada nas redes sociais, mostra o Estádio do Dragão envolto na luz do pôr do sol — uma imagem que fala de encerramento, mas também de continuidade.
Aos 28 anos, Nuno tem-se afirmado como defensor ativo desse legado. Em março, reagiu publicamente à politização em torno da morte do presidente: 'Que se pare de fazer política com a morte do Presidente. O silêncio do Sporting e do Benfica é compreensível, e é também uma medalha. Dos rivais não espero palmas, de alguns dos nossos não espero hipocrisias.' A intervenção revelou um jovem que herdou não apenas o apelido, mas também o espírito combativo do avô.
O livro de Nuno não chega sozinho. Em setembro, será publicada outra obra sobre o clube — 'Capitão de Abril, André Villas-Boas e a revolução inacabada', de Octávio Lousada Oliveira —, que analisa os últimos anos do F.C. Porto, da gestão de Jorge Nuno Pinto da Costa ao processo eleitoral recente. Dois livros, dois olhares: um de memória e homenagem, outro de análise e compreensão. Juntos, desenham o retrato de uma instituição que tenta honrar o passado enquanto navega um futuro ainda incerto.
Nuno Pinto da Costa, o neto mais velho do histórico presidente do F.C. Porto, está a trabalhar num livro que pretende preservar a memória do avó. A obra, intitulada "O azul depois do fim", surge como resposta pessoal à morte de Jorge Nuno Pinto da Costa, ocorrida a 15 de fevereiro deste ano. O patriarca portista tinha 87 anos e sucumbiu a um cancro na próstata, deixando um vazio profundo na família e na instituição que liderou durante décadas.
O título escolhido não é casual. Recupera o nome da última obra escrita pelo avó, "Azul até ao fim", publicada apenas em outubro de 2024, poucos meses antes da sua morte. Há nesta escolha uma continuidade deliberada, uma forma de dialogar com as palavras finais que Jorge deixou impressas. A capa provisória, revelada esta quarta-feira nas redes sociais, mostra o Estádio do Dragão envolvido na luz dourada do pôr do sol — uma imagem carregada de simbolismo que marca simultaneamente o encerramento de uma era e a abertura de outra.
Aos 28 anos, Nuno tem-se afirmado como uma das vozes mais ativas na defesa do legado do avó. A proximidade entre os dois era notória, e o jovem empreendedor não hesita em expressar publicamente a sua determinação em honrar essa memória. Em março, publicou uma mensagem nas redes sociais que gerou forte reação, criticando a politização em torno da morte do presidente. "Que se pare de fazer política com a morte do Presidente. O silêncio do Sporting e do Benfica é compreensível, e é também uma medalha e prova do fantástico trabalho de uma vida que o meu avó realizou. Dos rivais não espero palmas, de alguns dos nossos não espero hipocrisias."
Esta intervenção pública revela um jovem que herdou mais do que o apelido — herdou também o espírito combativo e intransigente que marcou a trajetória de Jorge Nuno Pinto da Costa. Filho de Alexandre Pinto da Costa e Marisela Oliveira, Nuno posiciona-se como o verdadeiro continuador de um legado que vai muito além do futebol.
O lançamento do livro de Nuno não ocorre isoladamente. Em setembro, será também publicada outra obra sobre o F.C. Porto: "Capitão de Abril, André Villas-Boas e a revolução inacabada", da autoria de Octávio Lousada Oliveira. Este livro revisita os últimos anos do clube, desde a gestão financeira e desportiva de Jorge Nuno Pinto da Costa até ao que o autor designa como "a noite mais negra da história do clube". Inclui ainda um retrato de André Villas-Boas, explorando as suas origens e ambições, além de uma análise detalhada do processo eleitoral do ano anterior.
Assim, dois livros, dois olhares e dois momentos distintos na história do F.C. Porto surgem quase em simultâneo. Um é memória, preservação, homenagem pessoal. O outro é análise, compreensão do presente, tentativa de entender as transformações recentes. Juntos, oferecem um retrato complexo de uma instituição em transição, entre o passado que se quer honrar e o futuro que se tenta desvendar.
Notable Quotes
Que se pare de fazer política com a morte do Presidente. O silêncio do Sporting e do Benfica é compreensível, e é também uma medalha e prova do fantástico trabalho de uma vida que o meu avó realizou.— Nuno Pinto da Costa
The Hearth Conversation Another angle on the story
Porque é que Nuno escolheu este momento para escrever o livro? Não seria mais natural esperar alguns meses?
Talvez porque o luto não segue calendários. Nuno estava próximo do avó, e a escrita pode ser uma forma de manter vivo o diálogo entre eles. O livro é também um ato de defesa — contra a politização, contra o esquecimento.
A capa com o Estádio ao pôr do sol parece muito simbólica. É uma imagem de morte ou de esperança?
É ambas. O pôr do sol marca o fim do dia, mas também a beleza desse encerramento. Para Nuno, provavelmente significa que uma era terminou, mas que a luz que Jorge deixou continua a iluminar.
Nuno tem apenas 28 anos. Sente-se que está a carregar um peso muito grande?
Sim, mas parece estar à altura. A mensagem que publicou em março mostra alguém que não tem medo de falar, que herdou a intransigência do avó. Não é um peso que o esmague — é um legado que o move.
E o livro de Octávio Lousada Oliveira? Como é que as duas obras convivem?
São duas narrativas paralelas. Uma é interna, familiar, de preservação. A outra é externa, crítica, tentando compreender o que se passou. Juntas, contam uma história mais completa do que qualquer uma delas sozinha conseguiria.