Nunes ameaça cancelar Wi-Fi gratuito em SP se STF encerrar contrato com ONG de Karina da Gama

Possível interrupção de serviço de internet gratuita para população periférica de São Paulo caso contrato seja cancelado.
Diferença de R$ 26 milhões por serviços nunca prestados
Polícia Civil identificou que a prefeitura pagou muito mais do que deveria pelo programa de internet gratuita.
Mark

Por que o prefeito ameaça cancelar o serviço se o contrato for encerrado? Não poderia simplesmente contratar outra empresa?

Mimi

Nunes diz que a Prodam, a empresa municipal, cobra muito mais caro — R$ 6.699,99 por ponto contra R$ 1.260 que o Instituto Conhecer Brasil cobra. Se tiver que usar a Prodam, o custo fica insustentável e ele prefere encerrar a oferecer um serviço mais caro.

Luke

Mas espera aí. A Polícia Civil diz que o Instituto Conhecer Brasil cobra R$ 1.800 por ponto, não R$ 1.260. E que isso já é mais do dobro do que a Prodam costumava cobrar quando fazia o serviço antes. Os números do prefeito não batem com o que a polícia encontrou.

Mark

Então o contrato com o Instituto Conhecer Brasil já era caro desde o início?

Mimi

Parece que sim. A polícia identificou que o edital tinha critérios genéricos, que a organização não tinha experiência em telecomunicações, e que o valor era muito acima do mercado. Além disso, só 3.200 dos 5 mil pontos foram instalados, mas a prefeitura pagou como se tivessem sido.

Luke

E há suspeitas de que parte desse dinheiro foi desviado para financiar um filme sobre Bolsonaro. A Polícia Civil calculou uma diferença de R$ 26 milhões entre o que deveria ter sido pago e o que foi efetivamente transferido.

Mark

Então se o STF cancelar o contrato, a população periférica fica sem Wi-Fi?

Mimi

É o que Nunes está dizendo. Ele argumenta que não consegue oferecer o mesmo serviço com a Prodam pelos mesmos valores, então teria que encerrar o programa enquanto abre um novo chamamento público.

Luke

Mas isso é uma escolha dele. Ele poderia manter o serviço com a Prodam, mesmo que mais caro, ou abrir um novo chamamento rápido. Dizer que vai cancelar é uma forma de pressionar o STF a manter o contrato com o Instituto Conhecer Brasil.

Mark

E o Instituto Conhecer Brasil, quem é?

Mimi

É presidido por Karina da Gama, que também é sócia de uma produtora que fez um filme sobre Jair Bolsonaro. A polícia suspeita que recursos públicos do programa de Wi-Fi foram desviados para financiar esse filme.

Luke

Importante notar que são suspeitas. A investigação ainda está em andamento. Mas o Supremo já suspendeu os pagamentos, o que sugere que há preocupação suficiente para agir.

  • A Polícia Civil identificou 'consistentes suspeitas' de que dinheiro destinado ao Wi-Fi gratuito foi desviado para produção de um filme político, com movimentações suspeitas entre empresas ligadas à presidente da ONG.
  • O Instituto Conhecer Brasil recebeu R$ 113,9 milhões mas entregou apenas 3.200 dos 5 mil pontos contratados — e o ritmo de instalação desacelerou drasticamente após as eleições de 2024.
  • O STF suspendeu os pagamentos e o ministro Flávio Dino retirou o sigilo dos documentos, expondo ao público a extensão das irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas e pela polícia.
  • O prefeito Nunes defende o contrato como legítimo e econômico, argumentando que a alternativa municipal custaria mais de cinco vezes o valor pago à ONG.
  • A população periférica de São Paulo permanece como refém involuntária da disputa: se o contrato for cancelado sem transição adequada, o serviço de internet gratuita pode ser interrompido antes de qualquer solução.

No cruzamento entre inclusão digital e suspeita de corrupção, o Supremo Tribunal Federal suspendeu os pagamentos à ONG Instituto Conhecer Brasil, contratada pela Prefeitura de São Paulo para levar internet gratuita às periferias da capital. A investigação aponta que R$ 26 milhões em recursos públicos podem ter sido desviados para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro — enquanto milhares de pontos de Wi-Fi prometidos jamais foram instalados. O prefeito Ricardo Nunes, pressionado entre a suspeita judicial e a promessa política, avisa que cancelar o contrato significa apagar a luz digital nas comunidades mais vulneráveis da cidade.

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, se viu nesta segunda-feira diante de uma crise que ameaça um dos programas mais visíveis de sua gestão. Após o ministro do STF Flávio Dino suspender pagamentos à ONG Instituto Conhecer Brasil e retirar o sigilo de documentos comprometedores, Nunes avisou: se o contrato for encerrado, o serviço de Wi-Fi gratuito nas periferias terá que ser desligado.

O Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina da Gama — produtora do filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro —, assinou contrato com a prefeitura em junho de 2024 para instalar cinco mil pontos de internet nas áreas periféricas por R$ 108 milhões. Até maio deste ano, havia recebido R$ 113,9 milhões, mas instalou apenas 3.200 pontos. A Polícia Civil apontou "confusão patrimonial" e suspeita que R$ 26 milhões foram desviados via empresas subcontratadas ligadas a Karina para financiar a produção cinematográfica.

Os números reforçam a suspeita: enquanto a Prodam cobrava R$ 230 pela implantação de cada ponto, o contrato com a ONG estabeleceu R$ 1.800 — mais que o dobro. A polícia também notou que o ritmo de instalação acelerou durante o período eleitoral de 2024 e desacelerou abruptamente após as eleições. Com base no fornecimento efetivo, o município deveria ter pago cerca de R$ 43 milhões; pagou R$ 69 milhões.

Nunes, porém, insiste que não há ilegalidade. Afirma que o processo ficou aberto por trinta dias sem impugnações, que as observações do Tribunal de Contas foram atendidas e que a imprensa distorce os fatos com base em "denúncia lunática". Seu argumento econômico é que a Prodam cobrava R$ 6.699,99 por ponto quando prestava serviço equivalente — tornando o contrato com a ONG, na sua visão, uma economia real para os cofres públicos.

A Procuradoria da Prefeitura já pediu a Flávio Dino que permita ao Instituto continuar executando este contrato específico ou que seja concedido prazo maior para transição. Enquanto a disputa entre a prefeitura, o STF e a Polícia Civil se desenrola, são os moradores das periferias paulistas que aguardam, em silêncio, para saber se a conexão que chegou até eles vai permanecer.

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, respondeu nesta segunda-feira a uma ameaça que paira sobre um dos programas mais visíveis de sua gestão: se o Supremo Tribunal Federal encerrar o contrato de internet gratuita firmado com a ONG Instituto Conhecer Brasil, ele terá que desligar o serviço nas periferias da capital. A declaração veio por mensagem de WhatsApp, após o ministro Flávio Dino retirar o sigilo de documentos que apontam suspeitas graves de desvio de recursos públicos.

O Instituto Conhecer Brasil, presidido pela produtora Karina da Gama — responsável pelo filme "Dark Horse", sobre a vida de Jair Bolsonaro — assinou contrato com a prefeitura em junho de 2024 para instalar cinco mil pontos de Wi-Fi nas áreas periféricas. O acordo previa o repasse de R$ 108 milhões. Até maio deste ano, a organização havia recebido R$ 113,9 milhões da prefeitura, mas instalou apenas 3.200 dos pontos prometidos. A Polícia Civil de São Paulo identificou o que chamou de "consistentes suspeitas" de que recursos públicos destinados ao programa foram desviados para financiar a produção do filme. Segundo o relatório policial, houve "confusão patrimonial", com valores sendo movimentados através de contas de empresas subcontratadas e outras organizações ligadas a Karina para "lavagem" dos valores desviados.

O argumento de Nunes para manter o contrato repousa em uma questão de custo. A Prodam, empresa municipal de processamento de dados, não consegue oferecer o mesmo serviço pelo valor que o Instituto Conhecer Brasil cobra — R$ 1.260 por ponto. Segundo o prefeito, a Prodam cobrava R$ 6.699,99 por ponto quando executava serviço equivalente. Nunes afirma que se o contrato for cancelado, terá que abrir um novo chamamento público e, nesse meio tempo, o serviço na periferia seria interrompido. A Procuradoria da Prefeitura já enviou pedido a Flávio Dino solicitando que o Instituto Conhecer Brasil continue executando este contrato específico ou que seja concedido prazo maior para transição.

Os números que a Polícia Civil apresenta, porém, contam uma história diferente. Enquanto a Prodam cobrava R$ 230 pela implantação de cada ponto e R$ 306 pela manutenção mensal, o contrato com o Instituto Conhecer Brasil estabeleceu R$ 1.800 por ponto — mais que o dobro do que a administração municipal costumava pagar. A polícia também observou que o ritmo de instalação foi acelerado durante o período eleitoral de 2024, atingindo 1.605 pontos ativos no final de outubro. Após as eleições, o ritmo desacelerou drasticamente, chegando a apenas 3.200 pontos em junho de 2025. Os 1.800 pontos restantes nunca foram instalados. Com base nesses dados, a polícia calculou que o município deveria ter pago cerca de R$ 43 milhões pelos meses em que houve fornecimento efetivo de internet. No entanto, foram transferidos R$ 69 milhões — uma diferença de R$ 26 milhões por serviços não prestados.

O Tribunal de Contas de São Paulo apontou ao menos vinte irregularidades graves no edital que resultou na contratação. Entre elas, o uso de critérios genéricos para escolher uma organização social sem experiência prévia em telecomunicações. A Polícia Civil também identificou vício de origem no processo de seleção e disparidade flagrante de custos.

Nunes continua defendendo que não há ilegalidade no contrato. Em mensagem, afirmou que a imprensa se baseia em "denúncia lunática" de um membro do PT do Rio Grande do Sul e que o processo foi aberto por trinta dias para receber propostas, sem impugnações ou contestações. Argumenta que as observações do Tribunal de Contas foram atendidas e que não houve direcionamento. O prefeito reafirma que a história do Wi-Fi precisa ser restabelecida e que os fatos estão sendo distorcidos.

Karina da Gama preside o Instituto Conhecer Brasil e é sócia da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme sobre Bolsonaro. Segundo a investigação, a relação entre essas entidades está no centro das suspeitas de confusão patrimonial. O que estava previsto como um programa de inclusão digital para a periferia paulista agora está no centro de uma disputa entre a prefeitura, o Supremo Tribunal Federal e a Polícia Civil — com a população das áreas periféricas em risco de perder o acesso à internet gratuita enquanto a questão se resolve.

A Prodam não consegue fazer o serviço com valor de R$ 1.260 por ponto. Vou ter que cancelar e fazer outro chamamento
— Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo
Há consistentes suspeitas de confusão patrimonial e de que os recursos públicos do programa 'WiFi Livre SP' tenham sido desviados para custear as atividades de produção do filme
— Relatório da Polícia Civil de São Paulo
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