Núcleo de Telessaúde de AL completa um ano com 2 mil atendimentos a gestantes de alto risco

O projeto visa reduzir mortalidade materna e infantil, atualmente com razão de mortalidade materna de 56,4 óbitos por cem mil nascidos vivos no Brasil.
Diagnóstico precoce, assistência oportuna, cuidado compartilhado
O modelo do NTS-AL integra especialistas e profissionais da atenção básica para garantir segurança materna desde o primeiro atendimento.
Mark

Como um projeto de telessaúde consegue fazer diferença real na vida de uma gestante de alto risco em um município pequeno?

Mimi

Porque ela não precisa mais viajar horas para consultar um especialista. O médico especializado em gestações de alto risco está ali, por vídeo, durante a consulta na unidade básica. Ela recebe diagnóstico precoce e orientação especializada no mesmo dia.

Luke

Mas quantas dessas gestantes realmente conseguem chegar até a unidade básica? E depois, quantas conseguem seguir as recomendações que recebem?

Mimi

Essas são perguntas importantes. O projeto foca na identificação e na orientação, mas a adesão ao tratamento depende de outros fatores — transporte, recursos, compreensão das orientações.

Mark

Os números mostram 847 diagnósticos precoces. Isso é muito ou pouco para um ano inteiro em sete municípios?

Mimi

É significativo. Representa 62% de todas as gestantes atendidas. Quer dizer que a maioria das mulheres que chegam ao projeto sai com uma classificação de risco clara.

Luke

Mas qual é o tamanho da população gestante nesses sete municípios? Dois mil atendimentos em um ano — isso cobre quantas por cento das gestantes que precisam?

Mimi

Essa informação não está disponível no projeto. Sabemos que houve dois mil atendimentos, mas não sabemos se isso representa 10%, 50% ou 90% da população-alvo.

Mark

E quanto ao Gestar, a ferramenta de inteligência artificial? Ela realmente muda a forma como os profissionais tomam decisões?

Mimi

Segundo os coordenadores, sim. A ferramenta organiza as informações clínicas e oferece recomendações de linha de cuidado. Venceu um prêmio nacional, o que sugere que funciona.

Luke

Mas um prêmio em um simpósio de computação aplicada à saúde não é a mesma coisa que comprovar que reduz mortalidade materna. Sabemos que o Gestar melhora a precisão da estratificação de risco, mas sabemos que isso se traduz em menos mortes?

Mimi

Ainda não. O projeto completou um ano. Esses dados de impacto em mortalidade levarão mais tempo para aparecer.

Mark

Qual é o próximo passo?

Mimi

Coruripe já assinou para entrar no projeto. Mas o grande teste será se conseguem expandir mantendo a qualidade e se conseguem documentar o impacto real em desfechos maternos e infantis.

  • O Brasil ainda registra 56,4 mortes maternas para cada cem mil nascidos vivos — mais do que o dobro da meta estabelecida pela ONU para 2030, e Alagoas sente esse peso de forma aguda.
  • Em sete municípios do interior alagoano, gestantes de alto risco chegavam às unidades básicas sem ter como acessar especialistas, enfrentando deslocamentos longos e filas em hospitais distantes.
  • O NTS-AL instalou uma ponte tecnológica entre essas mulheres e os especialistas: videochamadas em tempo real durante a própria consulta, sem que a gestante precise sair da unidade de saúde.
  • A plataforma Gestar, movida por inteligência artificial, passou a estratificar riscos gestacionais com precisão e velocidade, vencendo prêmio nacional e reforçando a credibilidade do modelo.
  • Com 847 diagnósticos precoces e mais de 300 telemonitoramentos no primeiro ano, o projeto já demonstra impacto — e Coruripe se prepara para ser o oitavo município a aderir.

Em Alagoas, onde a distância entre uma gestante e um especialista pode custar uma vida, a tecnologia encontrou uma forma de encurtar esse caminho sem mover ninguém. Ao longo de seu primeiro ano, o Núcleo de Telessaúde de Alagoas transformou unidades básicas de saúde em pontos de acesso a cuidado especializado, alcançando mais de dois mil atendimentos e identificando centenas de gestações em risco antes que o perigo se tornasse irreversível. É um experimento que coloca a inovação a serviço da equidade — e que desafia a ideia de que cuidado de qualidade só existe onde há grandes hospitais.

Em agosto de 2025, Alagoas lançou um experimento silencioso mas ambicioso: levar especialistas em gestações de alto risco até as unidades básicas de saúde do interior, não por deslocamento físico, mas por vídeo. O Núcleo de Telessaúde de Alagoas (NTS-AL) nasceu de uma parceria entre a Universidade Federal de Alagoas e o Ministério da Saúde, com uma missão clara — reduzir a mortalidade materna num país que ainda registra 56,4 óbitos para cada cem mil nascidos vivos, enquanto a ONU exige chegar a 30 até 2030.

No primeiro aniversário, os números revelam o alcance do projeto: mais de dois mil atendimentos em sete municípios — Branquinha, Maragogi, Penedo, Porto Calvo, Rio Largo, São Luís do Quitunde e União dos Palmares. Mais de 1,3 mil teletriagens identificaram 847 gestações de alto ou médio risco, representando 62% das pacientes assistidas. Outros 300 telemonitoramentos garantiram acompanhamento contínuo para as mulheres mais vulneráveis.

O coração do modelo é o cuidado compartilhado: o especialista não substitui o profissional local, mas reforça sua capacidade de decidir. Durante a consulta de rotina, médicos e enfermeiros podem acionar um obstetra de alto risco por videochamada, discutir o caso em tempo real e orientar a gestante sem que ela precise se deslocar. Foram mais de 200 teleconsultorias e teleinterconsultas no primeiro ano — cada uma representando uma decisão clínica mais segura.

O projeto também gerou inovação: a plataforma Gestar usa inteligência artificial para estratificar riscos gestacionais, cruzando dados clínicos, socioambientais, nutricionais e laboratoriais para indicar a linha de cuidado mais adequada e gerar automaticamente a ficha de estratificação conforme os protocolos estaduais. Em 2026, a ferramenta venceu prêmio nacional no Simpósio Brasileiro de Computação Aplicada à Saúde. Para o coordenador Marcelo Oliveira, o Gestar oferece segurança ao profissional na hora de classificar o risco — e garante cuidado oportuno à gestante.

Coruripe já assinou o termo de adesão e deve integrar o projeto nas próximas semanas. O que começou como experimento em sete municípios alagoanos cresce agora com a força de quem já provou que é possível aproximar especialistas de mulheres que, de outra forma, jamais teriam acesso a esse cuidado.

Um ano atrás, em agosto de 2025, Alagoas lançou um experimento que colocava médicos especializados em gestações de alto risco dentro de unidades básicas de saúde espalhadas por sete municípios do interior. Não havia deslocamento, não havia filas em hospitais distantes. A consulta acontecia ali mesmo, por vídeo, durante o atendimento de rotina. Hoje, o Núcleo de Telessaúde de Alagoas (NTS-AL) marca seu primeiro aniversário com números que falam por si: mais de dois mil atendimentos prestados, 847 diagnósticos precoces de gestações em risco, e uma ferramenta de inteligência artificial que já conquistou reconhecimento nacional.

O projeto nasceu de uma parceria entre o Centro de Pesquisa em Engenharia e Sistemas (Easy) da Universidade Federal de Alagoas e a Secretaria de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde. Sua missão é clara e urgente: reduzir a mortalidade materna brasileira. Atualmente, o país registra 56,4 óbitos a cada cem mil nascidos vivos. A meta da Organização das Nações Unidas para 2030 é chegar a 30. O NTS-AL atua na identificação precoce de riscos gestacionais, no apoio às equipes da atenção primária e no desenvolvimento de soluções tecnológicas para enfrentar essa realidade.

Os sete municípios iniciais — Branquinha, Maragogi, Penedo, Porto Calvo, Rio Largo, São Luís do Quitunde e União dos Palmares — recebem seis tipos de serviços integrados: teletriagem, teleorientação, tele-educação, teleconsultoria, teleinterconsulta e telemonitoramento. Juntos, esses serviços funcionam como uma ponte entre a gestante, o profissional local e o especialista. No primeiro ano, mais de 1,3 mil teletriagens identificaram 480 gestações de alto risco e 367 de risco intermediário. Esses dois grupos representam 62% de todas as pacientes atendidas. Além disso, mais de 300 telemonitoramentos garantiram o acompanhamento contínuo dessas mulheres, com suporte especializado.

O diferencial do modelo está no que chamam de cuidado compartilhado. O especialista não substitui o profissional local; reforça sua capacidade de decisão. Quando um médico ou enfermeiro da atenção básica tem dúvida sobre um caso, pode fazer uma videochamada com o especialista em obstetrícia de alto risco, discutir o quadro clínico e receber orientação em tempo real. Isso acontece durante a própria consulta da gestante, sem que ela precise sair da unidade básica. Foram mais de 200 serviços de teleconsultoria e teleinterconsulta no primeiro ano — cada um deles representando uma decisão clínica mais segura, mais rápida, mais informada.

Mas o projeto também gerou inovação tecnológica. Surgiu o Gestar, uma calculadora digital que usa inteligência artificial para estratificar o risco gestacional. A ferramenta analisa dados de autenticação da paciente, fatores socioambientais, avaliação nutricional, fatores de risco, condições clínicas pré-existentes, antecedentes obstétricos, intercorrências clínicas e resultados de exames laboratoriais, testes rápidos e ultrassonografia com Doppler. Com essas informações, o Gestar calcula o risco da gestação, indica as linhas de cuidado mais apropriadas e gera automaticamente a ficha de estratificação de risco conforme os protocolos da Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas. Em 2026, a ferramenta venceu a categoria "Ferramentas" do Simpósio Brasileiro de Computação Aplicada à Saúde (SBCAS), reconhecimento que validou a tecnologia em nível nacional.

O Gestar não pretende substituir o olhar clínico do profissional. Seu papel é organizar e qualificar as informações disponíveis, permitindo que a decisão sobre a linha de cuidado ocorra com mais agilidade e precisão. Marcelo Oliveira, professor e coordenador do projeto, destacou que a ferramenta oferece um instrumento a mais de apoio à conduta clínica na atenção básica — segurança para o profissional no momento de classificar o risco, e garantia de cuidado oportuno para a gestante. José Antônio Martins, médico responsável técnico do projeto, reforçou que o modelo permite diagnóstico precoce, assistência em tempo oportuno, cuidado compartilhado e pré-natal mais adequado, levando mais segurança para a mãe e o bebê.

Coruripe já assinou termo de adesão e deve começar as atividades nas próximas semanas, expandindo o alcance do projeto. O que começou em sete municípios alagoanos agora aponta para crescimento. E enquanto isso, o NTS-AL continua fazendo o que faz melhor: aproximar especialistas de gestantes que, de outra forma, só teriam acesso a esse cuidado se conseguissem se deslocar até hospitais de referência em grandes centros urbanos — uma barreira que, para muitas mulheres, é intransponível.

O projeto permite diagnóstico precoce, assistência em tempo oportuno, cuidado compartilhado e pré-natal mais adequado, levando mais segurança para a mãe e o bebê
— José Antônio Martins, médico responsável técnico do projeto
A ferramenta não vai substituir o olhar clínico, mas auxiliar na organização e na qualificação das informações disponíveis, para que a decisão sobre a linha de cuidado ocorra com mais agilidade e precisão
— Marcelo Oliveira, coordenador do projeto
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