Nubank pede R$ 719,8 mi de restituição em disputa com credenciadora ligada a fraudes

incertezas sobre o paradeiro do dinheiro alimentam suspeitas
Fontes do mercado questionam para onde foi o dinheiro pago à credenciadora envolvida em investigações de fraude.
Mark

Por que o Nubank está pedindo R$ 719,8 milhões especificamente? De onde vem esse número?

Mimi

O banco alega ter direitos creditórios sobre a Entrepay — basicamente, dinheiro que deveria receber dela. Quando a credenciadora foi liquidada, o Nubank entrou na Justiça para recuperar o que diz ser seu.

Luke

Mas qual é a origem desses direitos? O Nubank comprou recebíveis de lojistas que passaram pela Entrepay?

Mimi

Exatamente. O Nubank adquiriu direitos de recebimento de comerciantes. Agora discute se esses direitos estão protegidos ou se devem ser devolvidos aos lojistas originais.

Mark

E o Banco Central discorda dessa posição?

Mimi

Sim. A Procuradoria do BC diz que os lojistas têm preferência — eles recebem primeiro, antes de qualquer cessionário que tenha comprado o direito.

Luke

Então há uma questão legal real aqui sobre quem tem prioridade. Mas há também a questão das fraudes — por que a Entrepay está envolvida em investigações?

Mimi

A Entrepay está ligada a apurações sobre fraudes envolvendo o Banco Master e o financiamento do filme "Dark Horse" através de aportes no exterior. Ainda não está claro o que exatamente aconteceu com o dinheiro.

Mark

Isso significa que o dinheiro que o Nubank alega ter direito pode ter desaparecido?

Luke

Fontes do mercado mencionam "incertezas sobre o paradeiro do dinheiro". Ninguém sabe ao certo onde foi parar. O Nubank diz que é cessionário de boa-fé, mas se houve fraude, a origem desses fundos fica questionável.

Mimi

E há ainda a questão de Roberto Campos Neto estar no Conselho do Nubank. Ele era presidente do BC quando tudo isso acontecia.

Mark

Isso cria um conflito de interesse?

Luke

Não está claro. Mas é uma conexão que vale notar — o ex-regulador agora trabalha para uma das partes em disputa com o regulador.

  • O Nubank elevou seu pedido de restituição para R$ 719,8 milhões, tornando a disputa com a Entrepay liquidada uma das maiores batalhas jurídicas recentes no setor de pagamentos.
  • A Procuradoria do Banco Central resiste à tese do banco digital, defendendo que lojistas têm preferência legal sobre qualquer cessionário que tenha adquirido direitos creditórios.
  • Conexões com a Operação Carbono Oculto, o Banco Master e o financiamento internacional do filme 'Dark Horse' ampliam as suspeitas de fraude e tornam o caso politicamente explosivo.
  • Fontes do mercado alertam que o paradeiro real do dinheiro pago à Entrepay permanece incerto, alimentando desconfiança sobre a integridade das operações da credenciadora.
  • A presença de Roberto Campos Neto, ex-presidente do BC, como vice-presidente do Conselho do Nubank adiciona uma camada de complexidade política ao conflito técnico-jurídico.

No cruzamento entre inovação financeira e fragilidade regulatória, o Nubank disputa R$ 719,8 milhões retidos na liquidação da Entrepay, credenciadora encerrada pelo Banco Central em março. A batalha jurídica revela tensões estruturais sobre quem, afinal, tem direito preferencial sobre recursos em trânsito no sistema de pagamentos brasileiro — o lojista que vendeu, o banco que comprou o recebível, ou o Estado que intervém. Por trás dos números, investigações de fraude e a presença de Roberto Campos Neto na governança do Nubank conferem ao caso uma dimensão que transcende o contencioso comercial.

O Nubank ampliou para R$ 719,8 milhões seu pedido de restituição contra a Entrepay, credenciadora liquidada pelo Banco Central em março. A disputa conecta o banco digital a investigações sobre fraudes que envolvem também o Banco Master e o financiamento do filme 'Dark Horse' por meio de transferências internacionais.

Na petição mais recente, o Nubank alega exposição de R$ 675,6 milhões junto à Entrepay e outros R$ 44,2 milhões com a Acqio, subsidiária de Antonio Carlos Freixo — o 'Mineiro', investigado em duas operações policiais. O banco sustenta ser proprietário exclusivo dos direitos creditórios e que os valores retidos não deveriam compor a massa liquidanda.

A Procuradoria-Geral do Banco Central discorda: as regras do setor garantem aos lojistas preferência sobre qualquer cessionário. O Nubank rebate argumentando que o inadimplemento da credenciadora não invalida a cessão de crédito e que as bandeiras de cartão devem garantir o repasse integral aos comerciantes.

Enquanto o banco insiste que está protegido como cessionário de boa-fé, fontes do mercado apontam incertezas crescentes sobre o paradeiro do dinheiro pago à Entrepay. A situação ganha contornos ainda mais delicados com Roberto Campos Neto — ex-presidente do Banco Central — ocupando a vice-presidência do Conselho de Administração do Nubank, cargo assumido logo após deixar a autoridade regulatória.

O Nubank ampliou sua demanda judicial contra a Entrepay para R$ 719,8 milhões em restituição, segundo informações divulgadas pelo Valor Econômico na quinta-feira. A Entrepay, credenciadora liquidada pelo Banco Central em março, é o centro de uma disputa que expõe tensões profundas no setor de pagamentos brasileiro — e conecta o banco digital a investigações sobre fraudes que envolvem também o Banco Master e o financiamento do filme "Dark Horse" através de transferências internacionais.

Na petição mais recente, os advogados do Nubank argumentam que a instituição tem exposição de R$ 675,6 milhões junto à Entrepay e outros R$ 44,2 milhões com a Acqio, subsidiária de Antonio Carlos Freixo, conhecido como "Mineiro". Freixo foi alvo da terceira fase da Operação Carbono Oculto e também investigado na Operação Compliance Zero. O Nubank sustenta ser o proprietário exclusivo dos direitos creditórios em questão e que o montante retido não deveria integrar a massa liquidanda — o conjunto de bens e direitos disponíveis para distribuição entre credores durante a liquidação.

A posição do banco digital enfrenta resistência da Procuradoria-Geral do Banco Central, que reforçou em seu posicionamento que as regras do setor garantem aos lojistas preferência no recebimento em relação a qualquer cessionário que tenha comprado o direito de receber. Em resposta, o Nubank argumenta que o inadimplemento da credenciadora perante os comerciantes não invalida a eficácia da cessão de crédito e que cabe às bandeiras de cartão garantir o repasse integral aos lojistas.

O banco digital insiste que não sofre impacto material significativo e que está protegido pela legislação como cessionário de boa-fé. Porém, fontes do mercado consultadas pelo Valor apontam incertezas crescentes sobre o paradeiro do dinheiro que foi pago à credenciadora — uma preocupação que ganha peso diante das suspeitas de fraude que cercam a Entrepay e suas operações.

Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, ocupa a posição de vice-presidente do Conselho de Administração do Nubank e é chefe global de políticas públicas da instituição, cargo que assumiu pouco depois de deixar a presidência do BC. Sua presença na estrutura de governança do banco adiciona uma camada de complexidade política a um conflito que já envolve questões técnicas delicadas sobre direitos creditórios, responsabilidade de intermediários de pagamento e a integridade do sistema financeiro.

O Nubank sustenta ser o exclusivo proprietário dos direitos creditórios de boa-fé e que o valor retido não integra a massa liquidanda
— Defesa do Nubank
Fontes do mercado apontam incertezas sobre o paradeiro do dinheiro pago à credenciadora em virtude das suspeitas de fraude
— Fontes do mercado consultadas pelo Valor Econômico
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