Em um país onde o endividamento crônico corrói silenciosamente a dignidade de milhões, o Novo Desenrola surge como um gesto de reequilíbrio: até a última quinta-feira, R$ 25,51 bilhões em dívidas vencidas foram renegociados, superando a meta governamental de R$ 20 bilhões. Liderado pelo Nubank e pelo Bradesco, o programa alcançou sobretudo trabalhadores de renda modesta — aqueles para quem uma dívida de cartão de crédito pode significar anos de nome sujo e portas fechadas. Com descontos médios de 80%, o que era impagável tornou-se, para muitos, uma segunda chance.
Nubank lidera renegociações do Novo Desenrola com R$ 1,5 bi em operações
Receber 20% é melhor que receber zero
Por que o Nubank lidera tão claramente nessas renegociações?
O banco tem uma base de clientes muito concentrada em pessoas de renda baixa a média — exatamente o público que o programa atende. Quando você trabalha com crédito digital e pessoal, acaba com muita gente nessa faixa.
E esses descontos de 80% — como os bancos conseguem oferecer isso sem quebrar?
Porque a alternativa é pior. Uma dívida vencida há um ano não vai ser paga. Receber 20% é melhor que receber zero. Além disso, o governo garante parte do risco através do FGO.
Mas o Bradesco disse que o impacto é imaterial. Isso não contradiz a importância do programa?
Não. Para o banco, é imaterial — não move a agulha nos lucros. Mas para o cliente que estava inadimplente há mais de um ano, é transformador. São coisas diferentes.
Quem realmente se beneficia aqui?
Os clientes, claramente. Milhões de pessoas saem de uma situação de dívida crônica. Os bancos ganham ao limpar a carteira e reduzir custos de provisão. O governo ganha ao reduzir inadimplência sistêmica.
E por que a segunda edição atraiu mais gente que a primeira?
Provavelmente porque funcionou. Pessoas viram que era possível sair do buraco, e a palavra se espalhou. Além disso, o programa foi ajustado — descontos maiores, prazos mais longos.
O Pulso
- O programa superou sua própria meta: R$ 25,51 bilhões renegociados contra uma projeção de R$ 20 bilhões, sinalizando uma demanda reprimida muito maior do que o governo antecipava.
- Os descontos foram radicais — as dívidas encolheram de R$ 25,51 bilhões para R$ 5,09 bilhões, uma redução média de 80%, revelando o quanto dessas cobranças já era, na prática, irrecuperável.
- Mais de 2 milhões de operações foram repactuadas, com o Nubank sozinho atendendo 2,3 milhões de clientes, a maioria inadimplente há mais de um ano e ganhando até dois salários mínimos.
- Os bancos celebram a redução da inadimplência, mas admitem que o impacto financeiro nos balanços é marginal — os valores são baixos e os descontos, imensos, tornando o programa mais social do que lucrativo.
- A segunda edição do Desenrola já eclipsou a primeira, que havia renegociado apenas R$ 1,6 bilhão a prazo, indicando que o modelo ganhou escala e confiança entre devedores e instituições.
Em um país onde o endividamento crônico corrói silenciosamente a dignidade de milhões, o Novo Desenrola surge como um gesto de reequilíbrio: até a última quinta-feira, R$ 25,51 bilhões em dívidas vencidas foram renegociados, superando a meta governamental de R$ 20 bilhões. Liderado pelo Nubank e pelo Bradesco, o programa alcançou sobretudo trabalhadores de renda modesta — aqueles para quem uma dívida de cartão de crédito pode significar anos de nome sujo e portas fechadas. Com descontos médios de 80%, o que era impagável tornou-se, para muitos, uma segunda chance.
Até a última quinta-feira, o Novo Desenrola — também chamado de Desenrola Famílias — havia renegociado R$ 25,51 bilhões em empréstimos vencidos, superando a projeção inicial do Ministério da Fazenda, que estimava R$ 20 bilhões. O Nubank emergiu como o banco mais ativo do programa, seguido pelo Bradesco, num esforço que tocou milhões de brasileiros de renda modesta.
O dado mais revelador está nos descontos: após as negociações, o valor total das dívidas caiu para R$ 5,09 bilhões — uma redução média de 80%. Desse montante, R$ 3,8 bilhões foram parcelados e o restante quitado à vista. Até terça-feira, mais de 2 milhões de operações haviam sido repactuadas a prazo.
O Nubank liderou com R$ 1,568 bilhão em renegociações parceladas, abrangendo mais de 2,3 milhões de clientes. A maioria renegociou dívidas de cartão de crédito, mais da metade estava inadimplente há mais de um ano, e 1,6 milhão ganhava até dois salários mínimos. O banco informou que o programa reduziu seu custo de crédito em 5%, gerando economia de R$ 443 milhões. O Bradesco ficou em segundo, com R$ 662,7 milhões em 329,5 mil operações, embora seu presidente, Marcelo Noronha, tenha classificado o impacto no balanço como imaterial.
O programa atende dívidas atrasadas entre 91 dias e dois anos, contraídas até janeiro de 2026, via cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. Os descontos variam de 30% a 90%, e o parcelamento pode chegar a 48 meses com juros de até 1,99% ao mês. O público-alvo são pessoas com renda de até cinco salários mínimos. Dívidas de até R$ 100 são simplesmente canceladas, e os participantes podem usar até 20% do saldo do FGTS para quitar o restante — comprometendo-se também a não apostar em bets por um ano.
Esta segunda edição do Desenrola já supera amplamente a primeira, que havia renegociado apenas R$ 1,6 bilhão a prazo. Para os bancos, o benefício está na redução da inadimplência; para os devedores, na possibilidade concreta de recomeçar.
Até a quinta-feira anterior, o Novo Desenrola — também conhecido como Desenrola 2.0 ou Desenrola Famílias — havia renegociado R$ 25,51 bilhões em empréstimos vencidos, segundo dados do Ministério da Fazenda. O número superou a projeção inicial da pasta, que estimava R$ 20 bilhões em dívidas a serem reestruturadas. O Nubank emergiu como o banco mais ativo no programa, seguido pelo Bradesco, liderando um esforço que tocou milhões de brasileiros com renda modesta.
O que torna esses números notável é o que aconteceu depois do desconto. Os bancos participantes reduziram o valor total das dívidas para R$ 5,09 bilhões — uma redução média de 80%. Desse montante reduzido, R$ 3,8 bilhões foram estruturados em parcelamentos, enquanto o restante foi quitado à vista. Até terça-feira, o Fundo de Garantia de Operações, que funciona como fiador dessas negociações, registrava mais de 2 milhões de operações repactuadas a prazo.
O Nubank liderou com R$ 1,568 bilhão em renegociações parceladas, abrangendo mais de 2 milhões de clientes que aderiram ao programa até o final de julho. A maioria desses clientes — cerca de 2 milhões — renegociou dívidas de cartão de crédito, e mais da metade estava inadimplente há mais de um ano. Entre os que participaram, 1,6 milhão ganhava até dois salários mínimos. O banco digital informou que o programa reduziu o custo de crédito em seu balanço em 5%, gerando uma economia de US$ 85 milhões, ou R$ 443 milhões na cotação atual.
O Bradesco ficou em segundo lugar com R$ 662,7 milhões em 329,5 mil operações parceladas. Seu presidente, Marcelo Noronha, afirmou que a instituição renegociou um total de R$ 2,7 bilhões até junho, incluindo tanto parcelamentos quanto pagamentos à vista. Ao comentar os resultados do segundo trimestre, Noronha descreveu o impacto do programa como imaterial para o balanço geral da instituição. O PicPay, do grupo J&F, ficou em terceiro lugar, seguido por Itaú Unibanco, Santander e Banco do Brasil.
O programa abrange dívidas atrasadas entre 91 dias e dois anos, contraídas até 31 de janeiro de 2026, por meio de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. Os descontos variam de 30% a 90%, dependendo do tipo de débito. Os participantes podem parcelar em até 48 meses com juros de até 1,99% ao mês, com a primeira parcela vencendo em até 35 dias. O público-alvo são pessoas com renda de até cinco salários mínimos, equivalente a R$ 8.105 mensais.
Ambas as instituições — Nubank e Bradesco — possuem carteiras significativas de clientes nessa faixa de renda, o que explica sua proeminência no programa. Os bancos veem a renegociação como benéfica para reduzir inadimplência em suas operações, mas reconhecem que o impacto nos balanços é limitado. As operações envolvem valores baixos e descontos substanciais, tornando-as menos relevantes para os resultados financeiros gerais das instituições.
Esta segunda edição do Desenrola atraiu mais participantes que a primeira, que havia renegociado R$ 1,6 bilhão a prazo, também liderada pelo Nubank. O programa oferece ainda a possibilidade de usar até 20% do saldo do FGTS ou R$ 1 mil — o que for maior — para quitar a dívida após a renegociação. Dívidas de até R$ 100 são simplesmente apagadas, limpando o nome do devedor. Os participantes também se comprometem a não apostar em bets por um ano.
Citações Notáveis
O impacto do programa é imaterial— Marcelo Noronha, presidente do Bradesco