Nubank e Mercado Pago suspendem saques e depósitos de criptomoedas após falhas em fornecedores externos

A causa, por ora, é hipótese; a suspensão, não.
Nubank e Mercado Pago culpam fornecedores externos, mas a origem exata da falha segue sem confirmação independente.

Numa sexta-feira de início de novembro, dois dos maiores bancos digitais do país lembraram, sem alarde, quão frágil é a rede de terceiros sobre a qual se apoia o dinheiro que circula em criptoativos. Nubank e Mercado Pago suspenderam temporariamente saques e depósitos de cripto após falhas em fornecedores externos, cuja identidade e causa exata ainda não foram esclarecidas. As empresas garantem que os recursos dos clientes estão preservados e prometem retomar as operações, mas o episódio chega poucos dias depois de outros abalos no mercado, e a pergunta que fica é quanta confiança se pode depositar em estruturas que ninguém vê por inteiro.

Na sexta-feira, 6 de novembro, quem tentou sacar ou depositar criptomoedas no aplicativo do Nubank ou do Mercado Pago deu de cara com um aviso: as operações estavam suspensas de forma temporária nas duas instituições.

O Nubank falou em instabilidade em um fornecedor externo de dados e garantiu que não há risco de segurança, mas não revelou o nome da empresa. Foi a Fireblocks, provedora de tecnologia para cripto, que apareceu como referência, e ela fez questão de dizer que sua infraestrutura funciona normalmente e que o problema não está nela. O Mercado Pago, por sua vez, explicou que um fornecedor de monitoramento de risco e prevenção à lavagem de dinheiro sofreu um incidente, o que levou ao bloqueio preventivo de parte das transferências para carteiras externas. Segundo a empresa, o dinheiro dos clientes segue preservado, e as compras e vendas continuam normais.

A origem do problema ainda é hipótese. Um especialista ouvido pela reportagem sugere que falhas em empresas de análise de blockchain poderiam levar as instituições a parar saques por precaução. Nenhuma das duas confirmou essa explicação.

O caso acontece em meio a uma semana turbulenta. A Binance perdeu US$ 6 bilhões em criptoativos, invasão atribuída à Coreia do Norte, e clientes retiraram quase US$ 5 bilhões após a retomada. Dias depois, o Mercado Bitcoin também suspendeu depósitos e saques após um incidente de segurança.

Por enquanto, os dois bancos prometem voltar a operar assim que os fornecedores estiverem estáveis, sem prazo definido. Resta saber se os nomes das empresas envolvidas serão divulgados e se a causa será, de fato, esclarecida.

Na sexta-feira, 6 de novembro, quem abriu o aplicativo do Nubank ou do Mercado Pago para mexer em criptomoedas encontrou um aviso no lugar da operação: saques e depósitos de criptoativos estavam suspensos, de forma temporária, nas duas instituições.

No Nubank, o alerta exibido ao cliente fala em instabilidade em um fornecedor externo de dados, que afeta as operações. Em nota, o banco afirmou que não há risco de segurança, que acompanha o caso junto ao fornecedor e que as operações voltarão assim que o serviço for restabelecido. A instituição não revelou o nome da empresa responsável pelo serviço com problema.

Um nome apareceu, porém, por outro caminho. A Fireblocks, que consta na área de suporte do Nubank em informações sobre a custódia de ativos, se apresenta como provedora de tecnologia para o mercado de criptomoedas. A empresa declarou que a interrupção não decorre de falha em sua plataforma e que sua infraestrutura opera normalmente. Em nota, disse poder confirmar que a paralisação dos serviços do Nubank não é resultado de nenhum problema na Fireblocks.

No Mercado Pago, o aviso no aplicativo atribui a indisponibilidade a instabilidades no sistema e informa que depósitos feitos poderão ser creditados com atraso. Em comunicado, a empresa deu mais detalhes: identificou instabilidade nas transferências de criptoativos, resultante de um incidente sofrido por um fornecedor de monitoramento de risco e prevenção à lavagem de dinheiro. Parte das transferências para carteiras externas foi bloqueada preventivamente, como medida de proteção, e os recursos dos clientes, segundo a empresa, permanecem preservados.

O Mercado Pago diz acompanhar a situação em tempo real e que avisará os usuários quando tudo for normalizado. Ressaltou ainda que as operações de compra e venda de ativos virtuais continuam normalmente, sem impactos.

Sobre a origem do problema, o que existe até aqui é hipótese. Rocelo Lopes, fundador da Truther, empresa de pagamentos com criptomoedas, avalia que uma explicação possível seria uma falha em empresas especializadas em analisar e verificar transações em blockchain. Ele cita a Chainalysis, que monitora transações e identifica carteiras suspeitas. Segundo ele, se serviços desse tipo fossem comprometidos, instituições poderiam suspender saques e depósitos por precaução, para evitar transferências ligadas a endereços associados a atividades ilícitas ou eventualmente comprometidos. Nenhuma das duas empresas confirmou essa explicação.

O episódio ocorre num intervalo de poucos dias marcado por outros incidentes. Uma semana antes, a Binance, considerada a maior corretora de criptomoedas do mundo, teve US$ 6 bilhões em criptoativos roubados. A invasão foi atribuída à Coreia do Norte, que negou envolvimento. Desde que as operações foram retomadas, no domingo (1º/11), clientes da Binance retiraram quase US$ 5 bilhões. Na segunda-feira (2/11), a corretora brasileira Mercado Bitcoin comunicou, em publicação no X, um incidente de segurança e suspendeu depósitos e saques como medida preventiva.

Por ora, as duas instituições prometem retomar as operações assim que os fornecedores forem estabilizados, sem prazo divulgado. O ponto a acompanhar é se os nomes das empresas afetadas serão revelados e se a causa será esclarecida.

A interrupção dos serviços do Nubank não é resultado de nenhum problema na plataforma Fireblocks.
— Fireblocks, em nota
Parte das transferências para carteiras externas foi preventivamente bloqueada, e os recursos dos clientes permanecem preservados.
— Mercado Pago, em comunicado
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