No segundo maior mercado farmacêutico do mundo, a Novo Nordisk prepara-se para solicitar aprovação de sua pílula Wegovy às autoridades chinesas, entrando em uma corrida que revela como a indústria global busca democratizar o acesso a tratamentos contra a obesidade. A transição das injeções para os comprimidos não é apenas tecnológica — é uma aposta sobre o comportamento humano e a resistência cultural a certas formas de medicação. Com patentes expirando e genéricos à espreita, o tempo tornou-se tão valioso quanto a inovação.
Novo Nordisk vai solicitar aprovação para Wegovy em comprimido na China
Poucos concorrentes conseguirão atingir esse nível de capacidade
Por que a Novo está tão apressada em solicitar aprovação na China? Não seria mais seguro esperar e aprender com a experiência da Lilly?
A China é o segundo maior mercado farmacêutico do mundo. Se a Novo chegar tarde demais, a Lilly pode consolidar sua posição enquanto a Novo ainda está esperando aprovação. Alguns meses de atraso podem significar bilhões em vendas perdidas.
Mas precisamos ser claros: a Lilly já apresentou seu pedido no final de 2025. A Novo está dizendo que vai submeter "em alguns meses", o que significa provavelmente meados de 2026. Não sabemos quanto tempo a aprovação regulatória chinesa leva.
E quanto aos genéricos? O CEO mencionou que espera concorrência a partir do segundo trimestre de 2027.
A patente do semaglutida expirou em março na China, então fabricantes de genéricos podem começar a trabalhar em suas versões. Mas a Novo ainda tem proteção regulatória de dados até o início de 2027, o que lhe dá alguns meses de vantagem.
Aqui está o ponto: a proteção de dados expira no início de 2027, e Doustdar espera genéricos no segundo trimestre de 2027. Isso é um intervalo muito curto. Não sabemos se a Novo conseguirá capturar market share significativo antes que os genéricos cheguem.
Doustdar falou sobre escala de produção como uma barreira. Isso é realmente uma vantagem competitiva?
Ele está sugerindo que a Novo tem capacidades de manufatura que poucos concorrentes conseguem igualar. Produzir comprimidos em escala para um mercado de um bilhão de pessoas é complexo.
Mas essa é uma afirmação do próprio CEO. Não temos números sobre capacidade de produção, custos ou eficiência comparada à Lilly ou a fabricantes locais. É uma reivindicação de vantagem competitiva, não um fato verificado.
El Pulso
- A Novo Nordisk corre para não perder terreno na China, onde a rival Eli Lilly já submeteu pedido de aprovação para seu comprimido oral orforglipron desde o final de 2025.
- A aposta nos comprimidos é estratégica: alcançar pacientes que rejeitam injeções representa um mercado potencialmente imenso em um país com mais de um bilhão de habitantes.
- A patente do semaglutida já expirou na China em março, e fabricantes de genéricos devem entrar no mercado a partir do segundo trimestre de 2027, comprimindo a janela de vantagem competitiva.
- O CEO da Novo aponta a escala de produção como barreira de entrada que poucos concorrentes conseguirão replicar, mesmo diante da pressão crescente de empresas locais e multinacionais.
- As vendas de GLP-1 nas principais plataformas de e-commerce chinesas já somaram cerca de 207 milhões de dólares apenas no primeiro trimestre, sinalizando o tamanho da oportunidade em disputa.
No segundo maior mercado farmacêutico do mundo, a Novo Nordisk prepara-se para solicitar aprovação de sua pílula Wegovy às autoridades chinesas, entrando em uma corrida que revela como a indústria global busca democratizar o acesso a tratamentos contra a obesidade. A transição das injeções para os comprimidos não é apenas tecnológica — é uma aposta sobre o comportamento humano e a resistência cultural a certas formas de medicação. Com patentes expirando e genéricos à espreita, o tempo tornou-se tão valioso quanto a inovação.
A Novo Nordisk está prestes a entrar em uma corrida contra o relógio na China. O laboratório dinamarquês planeja solicitar aprovação regulatória para sua versão em comprimido do Wegovy em questão de meses, buscando não ficar para trás da rival americana Eli Lilly no segundo maior mercado farmacêutico do mundo. O anúncio foi feito pelo CEO Mike Doustdar durante sua primeira visita ao país no cargo.
A disputa pelos comprimidos de perda de peso reflete uma mudança estratégica mais ampla: tanto a Novo quanto a Lilly acreditam que uma versão oral pode conquistar pacientes relutantes em usar injeções. Os medicamentos da classe GLP-1 já transformaram o tratamento da obesidade globalmente. A Novo lançou seu comprimido Wegovy nos EUA este ano, enquanto a Lilly garantiu aprovação americana em abril para o orforglipron — e já havia submetido pedido à China no final de 2025, saindo na frente.
O cenário competitivo no país se intensificou com a entrada da Pfizer e de empresas locais como a Innovent Biologics. A Novo enfrenta ainda o desafio da patente do semaglutida, expirada em março na China, com proteção regulatória de dados mantida apenas até o início de 2027 e genéricos esperados a partir do segundo trimestre daquele ano. Doustdar, porém, aposta na escala de produção como vantagem difícil de ser replicada pelos concorrentes.
Os números revelam o que está em jogo: as vendas de GLP-1 nas plataformas Alibaba e JD.com somaram cerca de 207 milhões de dólares só no primeiro trimestre, segundo análise da Jefferies. Com participações de mercado ainda opacas e concorrentes avançando, a Novo Nordisk não pode se dar ao luxo de perder tempo.
A Novo Nordisk está prestes a entrar em uma corrida contra o relógio na China. O laboratório dinamarquês planeja solicitar aprovação regulatória para sua versão em comprimido do Wegovy nos próximos meses, buscando não ficar para trás da rival americana Eli Lilly no segundo maior mercado farmacêutico do mundo. Mike Doustdar, presidente-executivo da Novo desde agosto, fez o anúncio durante sua primeira visita à China no cargo, afirmando que o pedido será apresentado "muito em breve" — em questão de alguns meses.
A disputa pelos comprimidos de perda de peso reflete uma mudança estratégica na indústria. Tanto a Novo quanto a Lilly acreditam que uma versão oral pode conquistar pacientes que relutam em usar injeções, um segmento potencialmente enorme em um país com mais de um bilhão de habitantes. Esses medicamentos, pertencentes à classe dos GLP-1, já transformaram o tratamento da obesidade globalmente e remodelaram a indústria farmacêutica. A Novo já recebeu aprovação antecipada nos EUA e Reino Unido, lançando seu comprimido Wegovy nos Estados Unidos este ano. A Lilly não ficou para trás: garantiu aprovação americana em abril para seu medicamento oral orforglipron.
Na China, porém, a Lilly saiu na frente. A empresa informou em março que havia apresentado seu pedido de comercialização do orforglipron de dose única diária ao órgão regulador chinês no final de 2025. Agora a Novo tenta recuperar o tempo perdido. O cenário competitivo no país se intensificou nos últimos anos com a entrada da Pfizer e de empresas locais como a Innovent Biologics, tornando a corrida pela aprovação ainda mais acirrada.
A Novo enfrenta desafios específicos no mercado chinês. A patente do semaglutida — o ingrediente ativo que alimenta os sucessos de vendas Wegovy e Ozempic — expirou em março na China, embora a empresa mantenha proteção regulatória de dados até o início de 2027. Doustdar espera que fabricantes de genéricos entrem no mercado a partir do segundo trimestre de 2027. Mesmo assim, ele vê uma vantagem competitiva na escala de produção. "Uma barreira à entrada do comprimido também será a escala de produção, da maneira que somos capazes de fazer. E eu acho que poucos de nossos concorrentes serão capazes de atingir esse nível", afirmou.
Os números do mercado chinês revelam o potencial em jogo. As vendas de tratamentos com GLP-1 na China através das principais plataformas de comércio eletrônico Alibaba e JD.com totalizaram cerca de 1,4 bilhão de iuanes (aproximadamente 207 milhões de dólares) apenas no primeiro trimestre, de acordo com análise da Jefferies. A participação de mercado permanece opaca, com empresas como Innovent e Lilly não divulgando números de vendas, o que torna difícil avaliar o tamanho real da oportunidade. O que está claro é que a Novo Nordisk não pode se dar ao luxo de perder tempo enquanto seus concorrentes avançam na aprovação de seus próprios comprimidos.
Citas Notables
Vamos submeter o Wegovy oral para aprovação regulatória muito em breve, em alguns meses— Mike Doustdar, presidente-executivo da Novo Nordisk
Uma barreira à entrada do comprimido também será a escala de produção, da maneira que somos capazes de fazer— Mike Doustdar, presidente-executivo da Novo Nordisk