Livro revela comparações de Trump a ditadores e bastidores tensos de seu segundo mandato

Você era um matador, Howard. Agora ficou mole.
Trump repreende seu secretário de Comércio durante discussão sobre tarifas comerciais.

Trump exibiu documento comparando-o a figuras históricas poderosas, argumentando que seu alcance global superava o deles. Livro baseado em mais de mil entrevistas revela críticas de Trump a Netanyahu, elogios a confrontos com Zelensky e pressão sobre o Federal Reserve.

  • Livro baseado em mais de mil entrevistas realizadas ao longo de três anos
  • Trump exibiu documento comparando-o a Mao, Stalin, Hitler, Napoleão, Átila e Gêngis Khan
  • Autor do documento era companheiro de golfe, não historiador
  • Trump chamou Netanyahu de "vigarista" em conversa privada
  • Memorando presidencial foi elaborado contra Chris Krebs após Trump identificá-lo em reunião

Novo livro de jornalistas do New York Times expõe bastidores do segundo mandato de Trump, incluindo comparações do presidente com líderes históricos como Mao, Stalin e Hitler, além de tensões com aliados e adversários.

Um novo livro sobre os bastidores do segundo mandato de Donald Trump, escrito pelos jornalistas do New York Times Maggie Haberman e Jonathan Swan, revela episódios que expõem tanto a vaidade do presidente quanto as tensões que marcaram seus primeiros 14 meses de governo. A obra, com lançamento previsto para terça-feira e baseada em mais de mil entrevistas realizadas ao longo de três anos, traz relatos diretos sobre como Trump conduziu a política externa americana, sua relação com aliados e adversários, e momentos de confronto dentro de sua própria equipe.

Um dos episódios mais reveladores envolve um documento que Trump exibiu com entusiasmo a jornalistas. O texto comparava o presidente americano a algumas das figuras mais poderosas da história: Mao Tsé-Tung, Joseph Stalin, Átila, Gêngis Khan, Napoleão Bonaparte e Adolf Hitler. O argumento central era que, embora esses líderes tivessem sido temidos em suas épocas, nenhum deles possuía o alcance global exercido por um presidente dos Estados Unidos. Trump leu os nomes com satisfação, comentando como seu poder, segundo aquela análise, superava o deles. Mais tarde, os jornalistas descobriram que o autor não era historiador, mas um antigo companheiro de golfe e confidente de Gary Player, que havia compartilhado sua avaliação primeiro com o golfista e depois diretamente com Trump durante uma partida na Flórida. Apesar dessa origem questionável, Trump publicou o documento na rede Truth Social, identificando seu autor como um "historiador presidencial".

O livro também documenta a relação volátil de Trump com líderes estrangeiros. Nos primeiros meses de seu governo, o presidente resistia à ideia de apoiar uma ofensiva militar contra o Irã e chegou a dizer a um interlocutor crítico de Israel que não queria participar de uma guerra conduzida pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Em outra conversa, Trump se referiu a Netanyahu como um "vigarista", descrito pelos autores como um dos insultos mais duros em seu vocabulário político. Essa posição mudaria após reuniões com autoridades israelenses e americanas na Casa Branca. Quanto à Ucrânia, Trump avaliou positivamente uma discussão acalorada que teve com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky no Salão Oval em fevereiro, na presença do vice-presidente JD Vance. Segundo os autores, Trump chegou a dizer a um assessor que o bate-boca com Zelensky foi "melhor do que The Apprentice", o programa de televisão que apresentou por anos.

Os bastidores do governo Trump também revelam momentos de tensão com membros de sua equipe. Em uma reunião em abril de 2025, o secretário de Comércio Howard Lutnick tentava convencer o presidente de que as tarifas comerciais poderiam prejudicar a competitividade das montadoras americanas. Trump respondeu que o auxiliar havia perdido a agressividade da juventude, dizendo: "Você era um matador, Howard. Agora ficou mole. Você é um frouxo". Meses depois, quando a arrecadação com as tarifas começou a aumentar, Lutnick respondeu à provocação em tom de brincadeira, dizendo ao presidente que era seu "frouxo de US$ 25 bilhões por mês".

Outro episódio revela a estratégia de Trump para pressionar o então presidente do Federal Reserve, Jerome Powell. Embora não pretendesse demiti-lo, Trump buscava formas de desgastá-lo politicamente. Em uma reunião com assessores, discutiu a possibilidade de usar reformas no edifício do banco central como instrumento de pressão. "Quero ferrar com ele, sinceramente", teria afirmado. Quando um auxiliar sugeriu analisar as possibilidades, Trump respondeu que não queria estudos, mas um plano concreto. A partir daí, aliados do presidente foram indicados para órgãos ligados ao planejamento urbano em Washington e passaram a questionar o projeto de renovação da sede do Federal Reserve.

O livro também documenta como Trump determinou investigações contra adversários políticos. Um dos casos envolve Chris Krebs, ex-chefe da agência federal de segurança cibernética que havia afirmado publicamente que a eleição presidencial de 2020 foi "a mais segura da história americana". Durante uma reunião, Trump mencionou um antigo integrante do governo que havia defendido a legitimidade do pleito, mas não conseguia se lembrar do nome. Após uma breve busca feita por assessores, Krebs foi identificado. "O que aconteceu com ele? Era um sujeito problemático. Deem uma olhada nele", teria dito o presidente. Posteriormente, foi elaborado um memorando presidencial determinando ações contra o ex-funcionário.

A obra também dedica espaço aos esforços diplomáticos do enviado especial americano Steve Witkoff para estreitar relações com o presidente russo Vladimir Putin em busca de uma solução para a guerra na Ucrânia. Durante uma reunião no Kremlin, Putin rabiscava anotações em um papel timbrado quando Witkoff perguntou do que se tratava. O líder russo mostrou a folha, na qual havia escrito "3+2", uma referência a uma proposta territorial discutida entre ambos. Witkoff então pediu que Putin assinasse o papel para que pudesse levá-lo para casa, um detalhe que ilustra tanto a informalidade quanto a seriedade das negociações em andamento.

Você era um matador, Howard. Agora ficou mole. Você é um frouxo
— Trump, ao secretário de Comércio Howard Lutnick
Quero ferrar com ele, sinceramente
— Trump, sobre o presidente do Federal Reserve Jerome Powell
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que Trump se importaria em mostrar esse documento comparando-o a ditadores históricos? Não parece contraproducente?

Model

Porque, para Trump, o documento não o equiparava a eles — o superava. Ele via a comparação como validação de seu poder, não como crítica. O ponto era que ele tinha alcance global que nenhum deles possuía.

Inventor

E o fato de o autor não ser historiador? Como isso foi descoberto?

Model

Os jornalistas fizeram o trabalho de apuração que Trump não fez. Rastrearam a origem e descobriram que era um companheiro de golfe. Trump já havia publicado na Truth Social, então a história já estava lá.

Inventor

Qual é a dinâmica com Netanyahu? Trump o insulta, mas depois apoia a guerra?

Model

Exatamente. Trump resistia inicialmente, mas cedeu após pressão de autoridades. Mostra que suas posições iniciais são frequentemente provisórias, dependentes de quem está na sala.

Inventor

E com Zelensky, ele genuinamente gostou do confronto?

Model

Parece que sim. Para Trump, um bate-boca acalorado é sinal de força, não de ruptura. Ele comparou a um programa de TV que apresentava — para ele, era entretenimento e demonstração de poder.

Inventor

O episódio com Lutnick é revelador de algo específico?

Model

Mostra como Trump usa humilhação como ferramenta de gestão. Mas também mostra que seus auxiliares aprenderam a responder em seu próprio idioma — brincadeira e provocação.

Inventor

E a pressão sobre Powell? Isso é abuso de poder?

Model

É uso da presidência para fins políticos pessoais. Trump não queria apenas influência sobre a política monetária — queria desgastar Powell especificamente, usando a infraestrutura federal como arma.

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