Quando o mercado falha os mais vulneráveis, o poder público é chamado a guardar a fronteira entre a necessidade e a exploração. Em Nova Iorque, o presidente da câmara Eric Adams assinou uma ordem de emergência para impedir que comerciantes aproveitassem a escassez nacional de leite em pó para bebés — uma crise com raízes na pandemia e numa fábrica parada em Michigan — para inflacionar preços além de 10% do valor normal. A medida ecoa decisões tomadas no início da covid-19 e surge em paralelo com a 'Operação Fly Formula' do governo federal, que mobiliza aviões militares e leis da Guerra Fria pa
Nova Iorque declara emergência para controlar preços de leite em pó para bebés
A cidade fará tudo ao seu alcance para as ajudar durante este período desafiador
Porque é que Nova Iorque precisou de declarar estado de emergência só para impedir aumentos de preço? Não existem já leis contra a exploração de preços?
Existem, mas são vagas e difíceis de aplicar. Esta ordem executiva é específica: qualquer aumento acima de 10% é automaticamente considerado excessivo. Torna a fiscalização muito mais direta.
Mas 10% é um número arbitrário. Um comerciante pode argumentar que os seus custos de transporte aumentaram mais do que isso. Como é que a cidade prova que é exploração e não apenas ajuste de custos?
A Abbott, a fábrica em Michigan, é realmente responsável por toda esta escassez?
É o principal fabricante, mas não é só isso. A pandemia criou problemas de abastecimento global que afetam toda a indústria. A Abbott é apenas o ponto de rutura mais visível.
Sabemos quanto tempo vai levar a fábrica a recuperar? Porque se for meses, estas medidas de preço são apenas um penso rápido.
Biden invocou uma lei da Guerra Fria. Isso soa dramático. O que é que realmente muda?
Significa que o governo pode acelerar a aprovação de novas linhas de produção e importações sem passar pelos processos regulatórios normais. É uma forma de dizer: isto é urgente.
Mas a produção não aparece do nada. Mesmo com a lei invocada, quanto tempo até haver fórmula suficiente nas prateleiras? Ninguém está a dizer.
El Pulso
- Prateleiras vazias em todo o país deixam pais sem acesso a fórmula infantil, o alimento essencial de bebés que não pode simplesmente ser substituído.
- A fábrica da Abbott em Michigan, principal produtora dos EUA, enfrenta paralisações que, somadas às perturbações globais da pandemia, criaram uma escassez de proporções nacionais.
- Com o medo de que comerciantes explorem o desespero das famílias, Adams assina uma ordem executiva que criminaliza aumentos de preço superiores a 10% — o mesmo mecanismo usado contra a especulação com máscaras em 2020.
- Washington responde em paralelo: Biden autoriza voos militares para importar leite em pó de qualquer parte do mundo e invoca legislação da Guerra Fria para acelerar a produção doméstica.
- O verdadeiro teste ainda está por vir — as medidas anunciadas precisam de se traduzir em produto real nas mãos de quem precisa, antes que a crise aprofunde ainda mais as desigualdades.
Quando o mercado falha os mais vulneráveis, o poder público é chamado a guardar a fronteira entre a necessidade e a exploração. Em Nova Iorque, o presidente da câmara Eric Adams assinou uma ordem de emergência para impedir que comerciantes aproveitassem a escassez nacional de leite em pó para bebés — uma crise com raízes na pandemia e numa fábrica parada em Michigan — para inflacionar preços além de 10% do valor normal. A medida ecoa decisões tomadas no início da covid-19 e surge em paralelo com a 'Operação Fly Formula' do governo federal, que mobiliza aviões militares e leis da Guerra Fria para devolver às famílias americanas o acesso a um produto que nunca deveria faltar.
Eric Adams assinou no domingo uma ordem executiva de emergência em Nova Iorque para travar a especulação de preços sobre o leite em pó para bebés. A medida define como abusivo qualquer aumento superior a 10% face ao preço habitual do produto, e aplica-se num momento em que as prateleiras de lojas em todo o país aparecem vazias.
A escassez tem duas causas combinadas: as perturbações nas cadeias de abastecimento global provocadas pela pandemia, e as dificuldades operacionais na fábrica da Abbott em Sturgis, Michigan — o maior fabricante de fórmula infantil dos Estados Unidos. Para famílias já fragilizadas por dois anos de crise económica, a impossibilidade de encontrar um produto essencial representa um golpe difícil de absorver.
No comunicado que acompanhou a ordem, Adams prometeu que a cidade faria tudo ao seu alcance para apoiar os pais em dificuldades. Anne Williams-Isom, responsável pela Saúde e Serviços Humanos da autarquia, sublinhou que a escassez estava a atingir de forma desproporcional as famílias mais vulneráveis de Nova Iorque. Não é a primeira vez que a cidade recorre a este instrumento: Bill de Blasio usou uma medida idêntica no início da pandemia, quando desinfetantes e máscaras começaram a ser vendidos a preços especulativos.
Ao nível federal, o presidente Biden autorizou o Departamento de Defesa a contratar companhias aéreas comerciais para importar leite em pó de qualquer parte do mundo — iniciativa batizada de 'Operação Fly Formula' — e invocou uma lei da era da Guerra Fria para acelerar a produção doméstica, contornando processos regulatórios normais. O que começou como um problema logístico tornou-se uma questão de segurança pública, e as medidas agora em curso serão julgadas por um critério simples: se o leite em pó volta ou não às mãos de quem precisa.
Eric Adams, presidente da câmara de Nova Iorque, assinou uma ordem executiva de emergência no domingo para travar o que temia ser a próxima crise dentro da crise: comerciantes a explorar a escassez de leite em pó para bebés aumentando os preços de forma abusiva. A medida define como "margem de preço excessiva" qualquer aumento de 10% ou mais acima do preço normal do produto.
A decisão chega num momento em que pais em todo o país enfrentam prateleiras vazias e a impossibilidade de encontrar fórmula infantil. A escassez tem origem dupla: problemas de abastecimento global provocados pela pandemia, agravados por dificuldades operacionais na fábrica de Sturgis, Michigan, da Abbott, que é o principal fabricante de fórmula infantil nos Estados Unidos. Para famílias já exaustas pelos dois anos anteriores de crise económica, a situação representa um novo obstáculo numa altura em que o acesso a um produto essencial para bebés deveria ser garantido.
No comunicado que acompanhou a ordem, Adams dirigiu-se diretamente aos pais e famílias em dificuldades: a cidade faria tudo ao seu alcance para os ajudar durante este período desafiador. Anne Williams-Isom, responsável pelas áreas da Saúde e Serviços Humanos na autarquia, reforçou a mensagem, sublinhando que a escassez nacional estava a prejudicar precisamente as famílias mais vulneráveis da cidade.
Não é a primeira vez que Nova Iorque recorre a este tipo de medida. O antecessor de Adams, Bill de Blasio, implementou uma ordem executiva idêntica no início da pandemia de covid-19, quando as lojas começaram a aumentar os preços de desinfetantes e máscaras, aproveitando o pânico dos consumidores. A história repetia-se, mas desta vez o produto em questão era ainda mais crítico: alimento para bebés.
Ao mesmo tempo, o governo federal ativou os seus próprios mecanismos de resposta. Na quarta-feira, o presidente Joe Biden autorizou o Departamento de Defesa a utilizar os contratos existentes com companhias aéreas comerciais para importar leite em pó de qualquer parte do mundo. A Casa Branca batizou a iniciativa de "Operação Fly Formula". Além disso, Biden invocou uma lei datada da Guerra Fria, permitindo ao governo acelerar a produção de fórmula infantil nos Estados Unidos, contornando os processos regulatórios normais.
O que começou como um problema de abastecimento transformou-se numa questão de segurança pública e confiança no mercado. A ordem de Adams é, em essência, um aviso: a cidade está a vigiar, e os comerciantes que tentarem lucrar com a desesperação de pais enfrentarão consequências. Mas o verdadeiro teste será se estas medidas conseguem realmente colocar leite em pó nas prateleiras e nas mãos de quem precisa.
Citas Notables
A nossa mensagem para mães e famílias em dificuldades é simples: a nossa cidade fará tudo ao seu alcance para as ajudar durante este período desafiador— Eric Adams, presidente da câmara de Nova Iorque
A escassez nacional de fórmula infantil está a prejudicar pais e famílias na nossa cidade num momento em que ainda estamos a sofrer com a crise dos últimos dois anos— Anne Williams-Isom, responsável pela Saúde e Serviços Humanos