Nova Iorque ativou estado de emergência para mobilizar recursos contra o surto, que totaliza 1.400 infeções na região. Espanha e Brasil registam primeiras mortes fora de África; OMS elevou alerta máximo com 18.000+ casos em 78 países.
Nova Iorque declara emergência; Espanha e Brasil registam primeiras mortes por varíola-dos-macacos
A letalidade continua sendo muito baixa
Porque é que Nova Iorque declarou emergência precisamente agora, com 1.400 casos? Isso parece ser o ponto de inflexão.
Sim, é. A governadora Hochul reconheceu que o surto estava a acelerar e que os recursos existentes não eram suficientes. O estado de emergência permite mobilizar fundos e pessoal de forma mais rápida.
Mas 1.400 casos numa região de 20 milhões de pessoas — qual é a taxa real de transmissão? Não temos esse número.
E quanto às mortes em Espanha e Brasil? Isso muda a narrativa?
Muda, porque são as primeiras fora de África. Mas o secretário de Saúde brasileiro foi claro: o homem tinha comorbidades graves e estava em tratamento oncológico.
Exatamente. Ele estava já fragilizado. Não sabemos se a varíola-dos-macacos teria sido fatal num paciente saudável. A letalidade continua baixa, como disseram.
Então qual é o risco real para a população geral?
O padrão de transmissão é muito específico: principalmente entre homens jovens que têm relações sexuais com homens, em áreas urbanas. Não é transmissão aleatória.
Mas 95% dos casos num estudo de 528 pessoas — isso é uma amostra significativa, mas não é universal. Há transmissão por outras vias também, mesmo que rara.
A vacina pode resolver isto?
A EMA recomendou estender o uso da vacina contra a varíola para combater a varíola-dos-macacos. É uma ferramenta, mas precisa de ser distribuída e administrada em massa.
E não sabemos ainda qual é a eficácia real contra este vírus específico em contexto de surto. Recomendação não é o mesmo que implementação comprovada.
O Pulso
- Nova Iorque declarou estado de emergência com 1.400 casos confirmados
- Espanha e Brasil registam primeiras mortes fora de África
- OMS ativou nível máximo de alerta com 18 mil+ casos em 78 países
- 95% dos casos transmitidos por via sexual, segundo estudo de 528 pessoas
- Portugal registou 588 casos confirmados
Nova Iorque ativou estado de emergência para mobilizar recursos contra o surto, que totaliza 1.400 infeções na região. Espanha e Brasil registam primeiras mortes fora de África; OMS elevou alerta máximo com 18.000+ casos em 78 países.
Nova Iorque declara estado de emergência com 1.400 casos de varíola-dos-macacos. Espanha e Brasil registam as primeiras mortes fora de África, enquanto OMS ativa nível máximo de alerta.
Nova Iorque ativou estado de emergência na sexta-feira, 29 de julho, com 1.400 casos confirmados de varíola-dos-macacos na região. A decisão foi assinada pela governadora democrata Kathy Hochul e abre caminho para que organismos estaduais mobilizem fundos e recursos adicionais no combate ao vírus. A medida chega num momento em que a doença se propaga de forma acelerada, particularmente na cidade de Nova Iorque, transformando-se numa das maiores concentrações de casos fora de África.
A resposta local já tinha começado semanas antes. Em meados de julho, o estado lançou um sistema de informações por telemóvel onde pessoas podem enviar a mensagem de texto "MONKEYPOX" ou "MONKEYPOXESP" para um número local e receber orientações sobre sintomas, transmissão e procedimentos após exposição. É um esforço de comunicação de saúde pública que reflete a urgência de conter o surto antes que se expanda ainda mais.
O cenário global é igualmente preocupante. A Organização Mundial da Saúde ativou o seu nível máximo de alerta na quarta-feira, com o diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus a confirmar que mais de 18 mil pessoas foram infetadas em 78 países desde maio. A Europa concentra 70% dos casos globais, enquanto as Américas representam 25%. Portugal registou 588 casos confirmados até à data da reportagem.
Espanha e Brasil marcaram um ponto de viragem sombrio ao registarem as primeiras mortes por varíola-dos-macacos fora de África. Na Espanha, um dos países mais afetados com 4.298 infeções, um paciente faleceu. O Ministério da Saúde espanhol indicou que, de 3.750 doentes com informações disponíveis, 120 foram hospitalizados (3,2%) e um morreu. No Brasil, um homem de 41 anos em Belo Horizonte, Minas Gerais, tornou-se a primeira morte confirmada fora do continente africano. O paciente estava sob acompanhamento hospitalar para outras condições clínicas graves e faleceu a 28 de julho. O secretário de Saúde de Minas Gerais, Fábio Baccheretti, sublinhou que o homem tinha comorbidades importantes e estava em tratamento oncológico, procurando contextualizar a morte e evitar alarme desnecessário na população. "A letalidade continua sendo muito baixa", afirmou, reforçando que o caso não deve ser interpretado como indicador de risco elevado para a população geral. África já tinha registado cinco mortes antes destes casos.
O Brasil contabiliza cerca de mil casos, concentrados principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro. A distribuição global dos casos revela um padrão específico: a maioria das pessoas infetadas são homens, relativamente jovens, que têm relações sexuais com homens e vivem em áreas urbanas, segundo dados da OMS. Um estudo do New England Journal of Medicine com 528 pessoas em 16 países — o mais abrangente até ao momento — constatou que em 95% dos casos a transmissão ocorreu por via sexual.
A varíola-dos-macacos, identificada pela primeira vez em humanos em 1970, é menos perigosa e contagiosa do que a varíola clássica, que foi erradicada em 1980. Apesar disso, o surto atual representa um desafio sanitário significativo pela sua velocidade de propagação e pela concentração em populações urbanas densas. A Agência Europeia de Medicamentos recomendou estender o uso de uma vacina contra a varíola — já utilizada em vários países — para combater a disseminação da varíola-dos-macacos, oferecendo uma ferramenta potencial para desacelerar o contágio nos próximos meses.
Citações Notáveis
É importante destacar que ele tinha comorbidades importantes e graves, severas, para que não leve a um grande alvoroço na população, achando que a letalidade é alta. A letalidade continua sendo muito baixa.— Fábio Baccheretti, secretário de Saúde de Minas Gerais