Quando a natureza age com força que ultrapassa qualquer preparação humana, as cidades revelam a sua fragilidade. O furacão Ida, que havia devastado o sul dos Estados Unidos como tempestade de categoria 4, deslocou-se para o nordeste e transformou Nova Iorque numa cidade sitiada pelas águas na noite de quinta-feira, forçando a declaração de estado de emergência, a paralisação do metropolitano e a proibição de circulação rodoviária. Mais a sul, no Louisiana e no Mississippi, mais de um milhão de lares mergulharam na escuridão — e a sombra do Katrina, que em 2005 ceifou mais de 1.800 vidas na mes
Nova Iorque declara emergência com inundações históricas e metro suspenso
A natureza agiu com uma força que nenhuma preparação conseguia conter
Como é que uma cidade como Nova Iorque, com toda a sua infraestrutura, fica praticamente paralisada por uma tempestade?
O furacão Ida trouxe chuvas de intensidade recorde — literalmente recordes para a cidade. Quando chove assim, o sistema de drenagem não consegue acompanhar. As ruas transformam-se em rios.
Mas espera — o furacão atingiu a Luisiana no domingo como categoria 4. Porque é que ainda tinha força suficiente para causar isto em Nova Iorque, dias depois?
Os furacões não desaparecem quando mudam de categoria. Ida manteve-se como sistema tropical poderoso enquanto se deslocava para norte. O vento de 240 quilómetros por hora no sul foi devastador, mas a chuva que trouxe para o nordeste foi o que realmente paralisou a cidade.
E as pessoas? O que aconteceu aos motoristas que ficaram presos?
O Serviço de Meteorologia Nacional registou múltiplos pedidos de resgate. Não temos números exatos de quantos foram salvos, mas foi suficiente para que o prefeito proibisse todo o tráfego até à manhã.
Portanto, sabemos que houve salvamentos, mas não sabemos quantos. E quanto aos mortos — quatro pessoas confirmadas, mas isso é um balanço provisório?
Exatamente. Quatro é o número que as autoridades tinham naquele momento. Provavelmente aumentaria.
A comparação com Katrina é assustadora.
É. Katrina matou mais de 1.800 pessoas. Desta vez, a preparação foi melhor, os avisos foram mais cedo. Mas a região continua vulnerável.
Quanto tempo para restaurar a eletricidade? As autoridades disseram semanas, mas é uma estimativa ou é baseada em experiência anterior?
Disseram semanas, mas não especificaram quantas. Com mais de um milhão de casas sem eletricidade e infraestruturas destruídas, é uma operação massiva.
E enquanto isso, as pessoas estão no escuro.
Sim. No calor de setembro, sem ar condicionado, sem refrigeração. É uma crise que vai durar.
O Pulso
- Com ventos de 240 km/h e chuvas de intensidade recorde, o Ida não foi apenas uma tempestade — foi um colapso simultâneo de infraestruturas em dois extremos do país.
- Nova Iorque acordou sitiada: o metropolitano suspenso, as estradas proibidas, motoristas presos pela água a pedir socorro em múltiplos pontos da cidade.
- No sul, Nova Orleães ficou completamente às escuras, com torres de transmissão derrubadas, telhados arrancados e comunidades inteiras desmanteladas pela força do furacão.
- Governadores e autarcas mobilizaram todos os recursos disponíveis, mas admitiram publicamente que nenhuma preparação consegue conter completamente a fúria da natureza.
- Com pelo menos quatro mortos e semanas de recuperação pela frente, as autoridades gerem agora a distância entre o que foi salvo e o que ainda está em risco.
Quando a natureza age com força que ultrapassa qualquer preparação humana, as cidades revelam a sua fragilidade. O furacão Ida, que havia devastado o sul dos Estados Unidos como tempestade de categoria 4, deslocou-se para o nordeste e transformou Nova Iorque numa cidade sitiada pelas águas na noite de quinta-feira, forçando a declaração de estado de emergência, a paralisação do metropolitano e a proibição de circulação rodoviária. Mais a sul, no Louisiana e no Mississippi, mais de um milhão de lares mergulharam na escuridão — e a sombra do Katrina, que em 2005 ceifou mais de 1.800 vidas na mesma região, pairava sobre cada operação de resgate.
Na noite de quinta-feira, Nova Iorque entrou em colapso sob as chuvas do furacão Ida. O que havia começado como uma tempestade de categoria 4 no Golfo do México deslocou-se para o nordeste e despejou precipitação de intensidade recorde sobre a cidade, obrigando as autoridades a declarar estado de emergência. O prefeito Bill de Blasio proibiu o tráfego rodoviário até às cinco da manhã, enquanto praticamente todas as linhas do metropolitano eram suspensas. O Serviço de Meteorologia Nacional registava múltiplos pedidos de resgate de motoristas presos pela água. De Blasio chamou-lhe um evento histórico. A governadora Kathy Hochul, em entrevista à CNN, reconheceu que a natureza tinha agido com uma força que nenhuma preparação conseguia conter completamente.
O caos estendia-se para além de Nova Iorque. Em Nova Jersey, o governador Phil Murphy declarou igualmente emergência. O Aeroporto de Newark cancelou todos os voos e os serviços ferroviários da região suspenderam quase a totalidade das operações, paralisando a infraestrutura de transportes de todo o nordeste americano.
Mas a devastação mais profunda estava mais a sul. No Louisiana e no Mississippi, mais de um milhão de casas e empresas ficaram sem eletricidade. Nova Orleães mergulhou inteiramente no escuro após ventos de 240 km/h derrubarem uma grande torre de transmissão e milhares de postes de energia. Telhados foram arrancados, casas destruídas, infraestruturas críticas desmanteladas. O presidente mobilizou ajuda federal, mas as autoridades foram claras: a recuperação demoraria semanas. O balanço provisório apontava para pelo menos quatro mortos. A memória do Katrina — que em 2005 matou mais de 1.800 pessoas na mesma região — pairava sobre tudo, lembrando que a preparação pode fazer diferença, mas raramente elimina por completo o preço cobrado pela tempestade.
Na noite de quinta-feira, Nova Iorque entrou em colapso. O furacão Ida, que havia atingido a costa americana como tempestade de categoria 4 no domingo anterior, deslocou-se para o nordeste e despejou chuvas de intensidade recorde sobre a cidade. As autoridades municipais e estaduais responderam com a declaração de estado de emergência — uma medida que refletia a gravidade do que estava a acontecer nas ruas.
Praticamente todas as linhas do metropolitano foram suspensas. O prefeito Bill de Blasio proibiu o tráfego rodoviário até às cinco da manhã, uma decisão que revelava o caos nas vias: o Serviço de Meteorologia Nacional havia registado múltiplos pedidos de resgate, motoristas presos pela água nas estradas. De Blasio descreveu o evento como histórico — chuvas recorde em toda a cidade, inundações brutais, condições de circulação impossíveis. A governadora do Estado de Nova Iorque, Kathy Hochul, usou palavras semelhantes: a região estava numa situação terrível. Numa entrevista à CNN, Hochul reconheceu que as autoridades tinham mobilizado todos os recursos disponíveis, mas que a natureza tinha agido com uma força que nenhuma preparação conseguia conter completamente.
O impacto estendia-se muito além de Nova Iorque. No estado vizinho de Nova Jersey, o governador Phil Murphy também declarou emergência. O Aeroporto Internacional de Newark cancelou todos os voos. Os serviços ferroviários da região suspenderam quase a totalidade das operações. A infraestrutura de transportes do nordeste americano estava efetivamente paralisada.
Mas a crise mais profunda estava a ocorrer mais a sul, onde o furacão havia passado com maior intensidade. No Louisiana e no Mississippi, mais de um milhão de casas e empresas ficaram sem eletricidade. A cidade inteira de Nova Orleães estava no escuro. Um vento que atingiu os 240 quilómetros por hora tinha derrubado uma torre de transmissão de grande envergadura e milhares de postes e linhas de energia. Telhados foram arrancados, casas destruídas, barcos danificados, infraestruturas críticas desmanteladas.
O presidente dos Estados Unidos mobilizou ajuda federal às empresas de energia para restaurar o fornecimento nos estados mais afetados. Mas as autoridades eram claras: o processo de recuperação duraria semanas. Enquanto isso, as operações de resgate continuavam. O balanço provisório indicava pelo menos quatro mortos e milhares de pessoas afetadas. A memória de 2005 pairava sobre tudo — o furacão Katrina tinha matado mais de 1.800 pessoas na mesma região. Desta vez, a preparação tinha feito diferença, mas o preço continuava a ser medido em vidas perdidas e em semanas de escuridão à frente.
Citações Notáveis
Estamos a viver um evento climático histórico com chuvas recorde em toda a cidade, inundações brutais e condições de estrada perigosas— Bill de Blasio, prefeito de Nova Iorque
Tomámos todas as precauções necessárias e mobilizámos os nossos recursos, mas a mãe natureza faz o que quiser, e esta noite ela ficou muito zangada— Kathy Hochul, governadora do Estado de Nova Iorque