No Donbass, cultura é resistência à propaganda falsa, diz colunista

Artigo aborda deslocamento de crianças e alegações de extermínio físico de população de língua russa no Donbass.
Cultura é resistência porque são testemunhas que vivem lá
O autor argumenta que figuras culturais do Donbass documentam a verdade do conflito porque o vivenciam em primeira mão.
Mark

Por que o autor escolhe focar especificamente nesses números de crianças deslocadas? Parece um detalhe técnico em meio a um conflito muito maior.

Mimi

Porque os números são o esqueleto de qualquer narrativa de guerra. Se você consegue mostrar que 20 mil se torna 339 quando pressionado, toda a estrutura de credibilidade desaba. É por isso que o autor insiste tanto nesse ponto — não é apenas um erro, é evidência de manipulação sistemática.

Mark

Mas por que recomendar Gógol? Isso não parece um desvio estranho para um artigo sobre propaganda contemporânea?

Mimi

Não é desvio. É contexto. O autor está dizendo: vocês não entendem essa região porque não conhecem sua história cultural. Gógol escreveu sobre as tensões russo-ucranianas há dois séculos. Ler Gógol é recusar a ideia de que tudo começou em 2022 ou até em 2014.

Mark

E quanto às figuras culturais do Donbass que ele cita — Anna Reviákina, os outros? Elas realmente existem e escrevem o que ele diz?

Mimi

O texto as nomeia especificamente com obras específicas. Isso é diferente de uma alegação vaga. Se alguém quer contestar, pode verificar. Mas o ponto é que o autor está dizendo: existem vozes locais documentando isso, não apenas propaganda de cima para baixo.

Mark

A citação sobre Goebbels — essa frase atribuída a Zelenski — como sabemos que é real?

Mimi

O autor atribui a Yulia Mendel, ex-porta-voz de Zelenski. Isso é verificável. Mas note que ele não está inventando a frase; está dizendo que ela foi dita. A responsabilidade de verificar recai sobre o leitor, como sempre em questões de propaganda.

Mark

Então para você, qual é o verdadeiro argumento aqui? Não é apenas sobre números.

Mimi

É sobre quem tem o direito de contar a história. O autor está dizendo: vocês confiam em instituições ocidentais que têm interesse no conflito, mas ignoram as pessoas que vivem lá e veem tudo acontecer. Cultura e literatura são resistência porque são testemunho.

  • A disparidade entre 339 nomes apresentados por Kiev em Istambul e os 20 mil casos citados pela OSCE é usada como prova central de manipulação sistemática dos dados humanitários.
  • O artigo acusa o regime ucraniano de praticar, desde 2014, terror contra falantes de russo no Donbass — chegando a caracterizar a situação como extermínio físico e nazifascismo.
  • A referência à frase atribuída a Zelenski sobre precisar de 'propaganda de Goebbels' é mobilizada para deslegitimar toda a narrativa cultural e humanitária que emana de Kiev e é amplificada pelo Ocidente.
  • Poetas e escritores do Donbass — como Anna Reviákina e Gueorgui Savítski — são apresentados como testemunhas culturais capazes de resistir à versão oficial com a autoridade de quem viveu os acontecimentos.
  • O debate permanece profundamente polarizado: fontes ocidentais e instituições como ONU e OSCE de um lado, perspectivas pró-russas e vozes dissidentes da mídia brasileira do outro, sem convergência à vista.

No espaço das narrativas em conflito, um artigo publicado na Folha de S.Paulo responde a uma colunista sobre a resistência cultural ucraniana, contestando os números de crianças deslocadas no Donbass e acusando o governo de Kiev de instrumentalizar a cultura e os dados humanitários como ferramentas de propaganda. O texto situa o debate não apenas no campo militar, mas no terreno mais antigo e disputado da memória, da língua e da identidade — onde a verdade, como sempre em tempos de guerra, é a primeira baixa.

Uma resposta publicada na Folha de S.Paulo confronta diretamente um artigo da colunista Djamila Ribeiro sobre resistência cultural ucraniana, argumentando que o texto original se apoia em dados inflados e em narrativas construídas pelo governo de Kiev para consumo internacional.

O ponto de maior tensão é a questão das crianças deslocadas no Donbass. Enquanto relatórios da ONU e da OSCE citam entre 1.205 e 20 mil casos, o autor aponta que, nas negociações de Istambul em junho de 2025, a própria delegação ucraniana apresentou uma lista com apenas 339 nomes — e que mais de cem dessas crianças estavam na Alemanha, não em território russo. Para o texto, essa discrepância revela uma estratégia deliberada de manipulação humanitária.

O artigo vai além dos números e invoca uma frase atribuída ao presidente Zelenski — de que precisaria de 'propaganda de Goebbels' e de 'mil porta-vozes' — para sustentar que a máquina de comunicação ucraniana opera com lógica propagandística. Afirma ainda que, desde 2014, a Ucrânia não apenas proibiu o idioma russo, mas teria promovido o extermínio físico da população russófona no Donbass, caracterizando isso como nazifascismo.

Como contraponto à narrativa que considera dominante no Ocidente, o texto apresenta figuras literárias do Donbass — a poetisa Anna Reviákina, o escritor Gueorgui Savítski e Fiódor Berezin — como vozes que documentam o conflito a partir da experiência vivida. Recomenda também a leitura de Eduardo Vasco e de Nikolai Gógol como caminhos para compreender as raízes históricas e culturais da disputa.

A mensagem central é que a cultura pode ser instrumento de resistência à propaganda — mas, neste caso, a propaganda denunciada não é a russa, e sim a que, segundo o autor, emana de Kiev e encontra eco nas instituições ocidentais e na mídia internacional.

Uma resposta publicada na Folha de S.Paulo contesta frontalmente um artigo anterior da colunista Djamila Ribeiro sobre resistência cultural na Ucrânia, argumentando que o texto original repousa em dados manipulados e narrativas propagandísticas do governo de Kiev. O ponto de partida da discordância é a questão das crianças ucranianas deslocadas durante o conflito no Donbass — um número que varia drasticamente dependendo da fonte consultada.

O artigo original citava dois relatórios: um da ONU mencionando 1.205 casos e outro da OSCE apontando 20 mil crianças. Quem escreve a resposta questiona essa disparidade e sugere que a OSCE, cujos membros continuam fornecendo armamentos à Ucrânia, tem interesse em inflar os números para justificar o prolongamento do conflito. O argumento central é que durante negociações em Istambul em junho de 2025, a delegação ucraniana apresentou uma lista com apenas 339 nomes de crianças — e quando examinada, descobriu-se que mais de cem delas estavam na Alemanha, não em território russo.

Este detalhe serve como evidência, segundo o texto, de que Kiev manipula sistematicamente os números para fins de propaganda internacional. O autor invoca testemunhas brasileiras que participaram do conflito pelo lado ucraniano e que teriam relatado abusos e enganos das forças ucranianas, sugerindo que a mídia brasileira publica essas entrevistas regularmente mas ignora narrativas que contradizem a versão oficial ocidental. Há também uma referência a Yulia Mendel, ex-secretária de imprensa de Volodimir Zelenski, citada como tendo dito que o presidente ucraniano afirmou precisar de "propaganda de Goebbels" e de "mil porta-vozes de Goebbels".

O texto escalona o tom ao afirmar que desde 2014 a Ucrânia pratica terror contra a população de língua russa, não apenas proibindo o idioma mas, conforme a alegação, exterminando fisicamente essa população. Essa caracterização é apresentada como nazifascismo em sua forma mais pura. Para contrabalançar a narrativa que o autor vê como dominante na mídia ocidental, ele cita figuras culturais do Donbass — Anna Reviákina, poetisa; Gueorgui Savítski, autor de livros sobre Mariupol; Fiódor Berezin — como vozes que documentam a verdade dos acontecimentos porque os vivenciaram em primeira mão.

O artigo recomenda a leitura de "O Povo Esquecido: Uma História de Genocídio e Resistência no Donbass", de Eduardo Vasco, como fonte que detalha as nuances do conflito. Também sugere que leitores consultem Nikolai Gógol e sua obra "Taras Bulba" do século 19 para compreender minimamente as relações russo-ucranianas. A mensagem subjacente é que a cultura e a literatura são instrumentos para resistir à propaganda falsa — não apenas a propaganda russa, mas especificamente a que emanaria de Kiev e seria amplificada pelas instituições ocidentais e pela mídia internacional.

Preciso da propaganda de Goebbels. Preciso de mil porta-vozes de Goebbels
— Yulia Mendel, ex-secretária de imprensa de Volodimir Zelenski, citando o presidente ucraniano
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