No Dia das Bruxas, seis livros infantojuvenis com monstros que assustam sem perder a graça

Um medo gostoso, entre o terror e a gargalhada
É como a Folha descreve o susto que os seis livros selecionados para o Dia das Bruxas provocam.
Mark

Por que um jornal defenderia livros que dão medo para crianças?

Mimi

Porque o argumento é que medo, raiva e tristeza são emoções normais. Ler uma história com frio na barriga seria um treino para sustos maiores.

Mark

E os livros escolhidos seguem essa ideia?

Mimi

Sim, todos misturam susto e humor. A caveira da trisavó toma banho e veste camiseta do Abba, por exemplo.

Luke

Calma. Essa tese de que o medo na leitura prepara a criança é a posição da reportagem. O texto não cita estudo nem especialista.

Mark

Então é uma opinião editorial?

Luke

É uma defesa argumentada, sim. Útil, mas não é um dado comprovado.

Mimi

Mesmo assim, o Barnaby mostra que o medo pode vir de algo bem concreto: ser substituído por um modelo novo e descartado.

Mark

E o livro sem palavras?

Mimi

Só uma Noite deixa a leitura toda nas imagens: um homem, uma barraca e criaturas que surgem à noite.

Luke

Os preços e páginas vêm da própria matéria. Podem mudar conforme a loja, então convém conferir antes de comprar.

  • Uma pergunta incômoda abre a seleção: a leitura infantil pode, de fato, dar medo sem causar dano?
  • Um brinquedo abandonado, uma irmã que não se assusta com histórias de terror e um homem sozinho numa barraca transformam o susto em enredo.
  • Os livros funcionam como degraus graduais, do arrepio que faz rir até a inquietação de um acampamento assombrado.
  • A matéria termina como guia de serviço, com a recomendação de checar disponibilidade e preços antes de levar os títulos para casa.

Às vésperas do Dia das Bruxas, a Folha de S.Paulo lembra um velho dilema da infância: deve a literatura poupar as crianças do medo? A reportagem responde que não, e sugere que um arrepio leve, dado entre as páginas de um livro, pode ser um ensaio gentil para as emoções mais difíceis que a vida reserva. Assim, seis títulos com monstros, bruxas e fantasmas são apresentados como pequenas travessias seguras por territórios sombrios.

A Folha de S.Paulo abre sua seleção de Dia das Bruxas com uma pergunta: a literatura infantojuvenil pode dar medo? Muita gente diria que não, que os livros para crianças deveriam afastar qualquer sentimento negativo. A reportagem discorda. Medo, raiva e tristeza fazem parte da vida, e uma história que provoca um frio na barriga pode preparar o leitor, aos poucos, para sustos maiores.

A lista reúne seis obras. Barnaby Fora da Caixinha! acompanha um brinquedo que, ao ser substituído por um modelo mais novo, enfrenta o abandono. Histórias para Celeste Dormir mostra um irmão que tenta assustar a irmã com a história mais horripilante que conhece, sem sucesso, e descobre que alguns sustos também fazem rir. O Livro de Sereias Surpreendentes reúne, num almanaque, criaturas meio humanas e meio peixe colhidas em países de todos os continentes.

Os Monstros Não Tomam Milk-Shake de Morango funciona como guia para identificar monstros escondidos sob a cama, com um motivo revelado só na última página. Só uma Noite, sem palavras, acompanha um homem que acampa sozinho e vê surgirem monstros e fantasmas assim que fecha a barraca. Fechando a lista, A Vovó da Minha Avó traz uma caveira desenterrada no quintal que toma banho, veste camiseta do Abba e viaja de avião com o trineto.

Como se trata de uma matéria de serviço, a recomendação final é conferir disponibilidade e preços antes da compra.

A Folha de S.Paulo abre sua seleção de Dia das Bruxas com uma pergunta: a literatura infantojuvenil pode dar medo? O jornal observa que muita gente responde que não, e defende que os livros para crianças deveriam afastar qualquer sentimento negativo. A reportagem discorda. Sentir medo, raiva ou tristeza é normal, algo que todo ser humano vive, e a leitura pode ajudar nesses momentos. Um frio na barriga provocado por uma história funcionaria como preparação gradual para sustos maiores no futuro.

Daí vêm seis livros com monstros, bruxas, fantasmas e outras criaturas fantásticas, todos com um medo que a reportagem descreve como gostoso, a meio caminho entre o terror e a gargalhada.

O primeiro é Barnaby Fora da Caixinha!, de Terry Fan, Eric Fan e Devin Fan, com tradução de Paula Di Carvalho, publicado pela Reco-Reco (R$ 74,90, 80 páginas). Barnaby não chega a ser um monstro: é uma mistura de rato e elefante, com uma pitada de flamingo, entre o brinquedo e o bicho de estimação. Comprado por uma menina na loja Pets Perfeitos, leva uma vida feliz até que um modelo mais novo e atualizado é lançado. Então surgem o medo, o abandono e o descarte.

Em Histórias para Celeste Dormir, de Nikolaus Heidelbach e Ole Könnecke, com tradução de Julia Bussius (WMF Martins Fontes, R$ 69,90, 32 páginas), Boris resolve contar à irmã mais nova, Celeste, a história mais cabeluda e horripilante que conhece antes de dormir. O problema é que a menina não sente medo algum. O livro mistura quadrinhos e ilustrações surrealistas que lembram pesadelos, e mostra que alguns sustos também fazem rir.

O Livro de Sereias Surpreendentes, do irlandês Anthony Doyle (Grua, R$ 86, 80 páginas), é um almanaque sobre criaturas metade humanas, metade peixe, que mergulham em rios e mares do mundo todo. O autor reúne narrativas fascinantes e amedrontadoras, com contos e informações coletados em países tão distintos quanto Brasil, Egito, Japão, Nigéria e Finlândia.

Os Monstros Não Tomam Milk-Shake de Morango, de Marie-Hélène Versini e Vincent Boudgourd, com tradução de Clarissa Bongiovanni (Editora 34, R$ 59, 36 páginas), funciona como guia de identificação para quem desconfia de monstro embaixo da cama ou num canto escuro. Segundo as dicas, eles não vão ao dentista nem ao cabeleireiro, não sentem dor, não sabem nadar, não pintam as unhas e nunca tomam milk-shake de morango. O motivo só aparece na última página.

Só uma Noite, de Andrea Antinori (SM, R$ 75, 64 páginas), é uma história sem palavras. A Folha lembra uma crônica de Clarice Lispector dos anos 1970, que chamava o dia morrendo em noite de grande mistério da natureza. No livro, um homem acampa sozinho e, assim que fecha a barraca, aparecem monstros, bruxas, fantasmas e outras criaturas.

A lista termina com A Vovó da Minha Avó, do argentino Joaquín Camp, com tradução de Pedro Penna Bueno (Companhia das Letrinhas, R$ 64,90, 36 páginas). O personagem cava o quintal e desenterra o esqueleto da trisavó. Parece macabro, mas a caveira toma banho, veste uma camiseta da banda Abba e viaja de avião com o trineto. Por ser matéria de serviço, vale conferir disponibilidade e preços antes de comprar.

É normal sentir medo, e também raiva, tristeza e outras emoções do tipo; a literatura ajuda nessas horas difíceis.
— Folha de S.Paulo (paráfrase)
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