No Dia da Mulher Negra, conheça 6 produções que destacam seu protagonismo

Mulheres negras no centro da narrativa, não como coadjuvantes
Reflexão sobre como o streaming está transformando a representação de mulheres negras no cinema e na televisão.
Mark

Por que essas histórias importam especificamente agora, em 2026?

Mimi

Porque durante séculos o cinema contou histórias sobre mulheres negras, mas raramente deixou que elas contassem suas próprias histórias. Agora temos plataformas que alcançam milhões de pessoas, e cineastas que entendem que essa representação não é caridade — é justiça narrativa.

Mark

Mas não é apenas sobre ter mais mulheres negras na tela. É sobre que tipo de histórias estão sendo contadas?

Mimi

Exatamente. "A Melhor Mãe do Mundo" não é uma história de superação inspiradora e fácil. É sobre uma mulher fugindo de violência, vivendo nas ruas, tentando manter a dignidade. Isso é muito mais real, muito mais honesto.

Mark

E filmes como "Roma" e "Café com Canela" — eles parecem focar em personagens que sofrem, que estão à margem.

Mimi

Sim, mas sofrimento não é a única coisa que importa. Em "Roma", Cleo é quem sustenta emocionalmente aquela família. Em "Café com Canela", a amizade entre duas mulheres é o que salva ambas. Elas não são vítimas passivas — são agentes de suas próprias vidas.

Mark

Qual é o impacto de uma atriz como Yalitza Aparicio ser indicada ao Oscar?

Mimi

Muda a conversa. Quando uma mulher indígena é reconhecida pela Academia, não é apenas sobre ela — é sobre todas as meninas que veem que seus rostos, suas histórias, merecem estar na tela grande.

Mark

E um curta como "Hair Love" — por que isso é tão importante?

Mimi

Porque valoriza algo que foi historicamente atacado e desvalorizado: o cabelo natural de pessoas negras. Em sete minutos, ele diz que esse cabelo é bonito, que merece cuidado, que é digno de amor. Para uma criança negra assistindo, isso é tudo.

  • 25 de julho: Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha
  • Seis produções em streaming destacam protagonismo de mulheres negras
  • Yalitza Aparicio em 'Roma' foi primeira atriz indígena indicada ao Oscar
  • Ariana DeBose venceu Oscar de melhor atriz coadjuvante por 'Amor, Sublime Amor' em 2022

Filmes como 'A Melhor Mãe do Mundo' e 'Roma' exploram narrativas de mulheres negras enfrentando adversidades e reconstruindo suas vidas com dignidade. Produções variam de dramas brasileiros a musicais de Spielberg, oferecendo representação diversa em plataformas de streaming acessíveis.

No Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, a Folha recomenda seis produções em streaming que retratam histórias e desafios de mulheres negras com protagonismo e profundidade.

No sábado que vem, 25 de julho, marca-se mais um Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha — uma data que existe justamente para amplificar vozes e histórias que o cinema e a televisão, durante décadas, deixaram à margem. Mas as coisas estão mudando. Nas plataformas de streaming, há agora um acervo crescente de produções que colocam mulheres negras no centro da narrativa, não como coadjuvantes ou símbolos, mas como seres complexos, cheios de contradições, força e humanidade.

Tome-se como exemplo "A Melhor Mãe do Mundo", lançado na Netflix em 2025. O filme de Anna Muylaert segue Gal, uma catadora de materiais recicláveis que foge com seus filhos pequenos após sofrer abusos repetidos do marido. Pelas ruas de São Paulo, ela tenta criar momentos de alegria para crianças que vivem a pobreza como se fosse uma aventura. Shirley Cruz entrega uma atuação que não deixa espaço para sentimentalismo fácil — ela mostra uma mulher em reconstrução, e o filme a acompanha com dignidade. Luedji Luna aparece como uma prima que oferece abrigo; Rejane Faria interpreta outra mulher nas ruas; a pequena Rihanna Barbosa é a filha. São camadas de experiência feminina negra que o cinema brasileiro raramente havia explorado com tanta profundidade.

Ou considere "Roma", o filme de Alfonso Cuarón de 2018, disponível na Netflix. Ele nos coloca dentro da vida cotidiana de Cleo, uma mulher indígena que trabalha como doméstica para uma família abastada na Cidade do México dos anos 1970. Yalitza Aparicio constrói a personagem com uma contenção que fala volumes — Cleo é carinho, é cuidado, é presença silenciosa que sustenta uma família que não a vê completamente. O filme é em preto e branco, e essa escolha estética reforça a intimidade da história. Aparicio se tornou a primeira atriz de origem indígena indicada ao Oscar pelo papel, um reconhecimento que veio tarde, mas veio.

Há também "Café com Canela", de 2017, dirigido por Glenda Nicácio e Ary Rosa, disponível no Itaú Cultural Play. Margarida, interpretada por Valdinéia Soriano, se isolou do mundo após a morte de seu filho pequeno. Anos depois, Violeta, sua ex-aluna, reentra em sua vida. O filme trata o luto materno com sensibilidade rara, e a amizade que se constrói entre as duas mulheres é desafiadora e bela. É um filme brasileiro que merecia muito mais visibilidade do que recebeu.

"Meu Nome É Preta", série documental que chega ao Globoplay em 2026, é um tributo à cantora Preta Gil, falecida um ano antes. Quatro episódios reúnem depoimentos de familiares e amigos sobre sua trajetória desde a infância. Há emoção genuína — sua última apresentação ao lado do pai, Gilberto Gil, ao som de "Drão". Há também leveza, histórias da adolescência embaladas pelas músicas de Preta, de seu pai, de Caetano Veloso e de Gal Costa, sua madrinha. O primeiro episódio já está no ar; o segundo sai no sábado 25; os dois últimos nos dias 1º e 8 de agosto.

"Amor, Sublime Amor", a releitura de Steven Spielberg de 2021 para "Romeu e Julieta", traz a história para a Nova York dos anos 1950, onde a rivalidade é entre uma gangue de brancos e outra de latinos. Ariana DeBose, de ascendência porto-riquenha, interpreta Anita, uma mulher afro-latina que rouba a cena. O papel rendeu a ela o Oscar de melhor atriz coadjuvante em 2022 — um reconhecimento que também chegou, finalmente, para uma mulher negra em um papel que merecia estar ali desde o começo.

E para fechar, "Hair Love", um curta de animação de sete minutos disponível no YouTube. Vencedor do Oscar de melhor curta de animação em 2020, ele acompanha uma menina tentando arrumar sozinha seu cabelo black power para uma ocasião especial, até que precisa da ajuda do pai. É uma aula de valorização dos cabelos naturais de pessoas negras, embalada em poucos minutos que tocam fundo.

Essas produções não existem apenas para marcar uma data no calendário. Elas existem porque mulheres negras têm histórias que merecem ser contadas com complexidade, com orçamento, com diretores e atrizes que entendem o peso e a beleza dessas narrativas. O streaming democratizou o acesso — agora é questão de escolher o que assistir.

O filme explora as nuances de uma mulher que busca se livrar de uma relação violenta e reconstruir sua vida
— Sobre 'A Melhor Mãe do Mundo' e a atuação de Shirley Cruz
É um ótimo filme brasileiro que merece mais reconhecimento e visibilidade
— Sobre 'Café com Canela'
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