O mal voltou, mas de uma forma diferente, sob slogans diferentes
No aniversário da rendição nazista, Volodymyr Zelenskiy discursou diante de edifícios destruídos por mísseis para afirmar que o mal da Segunda Guerra retornou à Ucrânia sob nova forma. Setenta e sete anos de paz foram encerrados pela invasão russa iniciada em 24 de fevereiro de 2022, que matou milhares e deslocou milhões. O gesto era tanto um lamento quanto um aviso: a história conhece esse padrão, e a responsabilidade, cedo ou tarde, encontra os seus.
- Zelenskiy gravou seu discurso entre escombros carbonizados, tornando a devastação o cenário mais eloquente de sua mensagem.
- A comparação entre a invasão russa e o nazismo provoca tensão direta com Moscou, que usa exatamente o pretexto de 'desnazificação' para justificar a guerra.
- Enquanto Zelenskiy falava de ruínas e mortos, Putin preparava um grandioso desfile militar em Moscou para o dia seguinte — dois mundos em colisão simbólica.
- A referência velada a Hitler no bunker sinalizou que Zelenskiy vê o desfecho da guerra como uma questão de responsabilidade histórica inevitável.
- Ucrânia e Ocidente rejeitam a retórica russa como propaganda, mas a batalha narrativa segue tão intensa quanto os combates no campo.
No domingo em que a Europa lembrava a rendição da Alemanha nazista, Zelenskiy escolheu gravar seu discurso diante de prédios destruídos por mísseis russos. A imagem dispensava palavras, mas ele as proferiu assim mesmo: o mal havia voltado à Ucrânia, décadas após a Segunda Guerra, sob slogans diferentes, mas com o mesmo propósito.
Setenta e sete anos antes, a Ucrânia celebrara a vitória sobre o nazismo como parte da União Soviética. Agora, em 8 de maio de 2022, aquele período de paz estava encerrado. A invasão iniciada em 24 de fevereiro havia matado milhares e deslocado milhões. Zelenskiy não precisou citar Putin pelo nome — os escombros carbonizados ao fundo diziam o suficiente.
Sua frase mais carregada foi uma advertência cifrada: 'Nenhum mal pode escapar da responsabilidade, ele não pode se esconder em um bunker.' A alusão a Hitler, que passou seus últimos dias em um bunker em Berlim antes de se suicidar, era deliberada e inequívoca.
No dia seguinte, Putin celebraria a vitória soviética com um vasto desfile militar em Moscou — espetáculo de força que contrastava brutalmente com as imagens de destruição apresentadas por Zelenskiy. Moscou mantinha sua narrativa de 'operação especial' contra supostos nazistas ucranianos, retórica que Kyiv e o Ocidente descartavam como propaganda de uma guerra de agressão sem provocação.
O discurso era, no fundo, um apelo à memória coletiva da Europa: o continente já havia visto esse padrão antes, e o preço havia sido incalculável. A Ucrânia, dizia Zelenskiy com cada palavra e cada ruína ao fundo, estava pagando esse preço novamente.
No domingo em que a Europa relembrava a rendição da Alemanha nazista, Volodymyr Zelenskiy gravou um discurso em frente a edifícios de apartamentos reduzidos a cinzas por mísseis russos. A mensagem era direta: o mal havia retornado à Ucrânia.
O presidente ucraniano falava em um momento carregado de simbolismo histórico. Setenta e sete anos antes, seu país havia celebrado a vitória sobre o nazismo como parte da União Soviética. Agora, em 8 de maio de 2022, aquele período de paz havia terminado. A invasão russa começada em 24 de fevereiro havia matado milhares de pessoas e deslocado milhões de outras de suas casas. Zelenskiy não precisava nomear Vladimir Putin para que a comparação ficasse clara — a escolha de gravar o discurso diante dos escombros carbonizados era eloquente por si só.
"A escuridão voltou à Ucrânia décadas após a Segunda Guerra Mundial. O mal voltou", disse ele, sua voz carregada de emoção. "De uma forma diferente, sob slogans diferentes, mas com o mesmo propósito." A frase seguinte era uma advertência cifrada: "Nenhum mal pode escapar da responsabilidade, ele não pode se esconder em um bunker." A referência era óbvia — Adolf Hitler havia passado seus últimos dias em um bunker em Berlim, onde cometeu suicídio nos estertores da guerra.
O timing do discurso não era acidental. Um dia depois, Putin celebraria a vitória soviética com um vasto desfile militar em Moscou, um espetáculo de força que contrastava brutalmente com as imagens de destruição que Zelenskiy apresentava. Enquanto o líder ucraniano falava de edifícios em ruínas e vidas perdidas, o Kremlin preparava-se para comemorar.
Moscou, por sua vez, mantinha sua narrativa. As ações russas eram descritas como uma "operação especial" destinada a desarmar a Ucrânia e livrá-la do que a Rússia chamava de "nazistas" e do nacionalismo anti-russo fomentado pelo Ocidente. Era uma retórica que Zelenskiy e seus aliados ocidentais rejeitavam categoricamente. Para eles, a invasão era uma guerra de agressão sem provocação, e toda a linguagem sobre nazistas era propaganda de guerra.
O discurso de Zelenskiy, embora não mencionasse Putin pelo nome, era uma rejeição frontal dessa narrativa. Ele falava de horror perante a devastação, de responsabilidade que não poderia ser evitada, de um mal que não desapareceria simplesmente porque se escondesse. Era um apelo à história, um lembrete de que a Europa já havia visto isso antes, e que o preço havia sido incalculável. Agora, a Ucrânia estava pagando esse preço novamente.
Notable Quotes
A escuridão voltou à Ucrânia décadas após a Segunda Guerra Mundial. O mal voltou.— Volodymyr Zelenskiy, presidente da Ucrânia
Nenhum mal pode escapar da responsabilidade, ele não pode se esconder em um bunker.— Volodymyr Zelenskiy, presidente da Ucrânia
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que Zelenskiy escolheu especificamente o aniversário do fim da Segunda Guerra para fazer esse discurso?
Porque o simbolismo era inescapável. Setenta e sete anos antes, naquele mesmo dia, a guerra havia terminado. A Ucrânia havia ajudado a derrotar o nazismo. Agora, em 2022, tudo aquilo parecia estar voltando — não exatamente da mesma forma, mas com a mesma lógica de dominação e destruição.
Zelenskiy não mencionou Putin pelo nome. Por quê?
Não precisava. O discurso gravado em frente a edifícios carbonizados era a acusação. Quando você fala de um mal que se esconde em bunkers, quando você invoca a memória de Hitler, o nome fica redundante. A audiência entende.
A Rússia diz que está combatendo nazistas na Ucrânia. Como Zelenskiy responde a isso?
Ele não responde diretamente — ele rejeita a premissa. Ao comparar a invasão ao nazismo, ele inverte a acusação. Está dizendo: vocês são o mal que voltou, não nós. É uma estratégia retórica poderosa porque apela à memória compartilhada da Segunda Guerra.
Qual era o público-alvo desse discurso?
Múltiplos públicos simultaneamente. Os ucranianos que estavam sofrendo, para lhes dar esperança e contexto histórico. A Europa, para lembrá-la de suas próprias promessas. E talvez até a Rússia — uma mensagem de que a Ucrânia não se renderá, não importa o que aconteça.
Um dia depois, Putin faria um desfile militar. Que contraste era esse?
Era a diferença entre dois líderes em dois momentos históricos. Putin celebrando uma vitória do passado, cercado de poder militar. Zelenskiy falando de destruição presente, cercado por ruínas. Um olhava para trás; o outro, para o que estava acontecendo naquele exato momento.