Nissan suspende desenvolvimento do Qashqai elétrico

O seu best-seller não fará parte dessa transformação
O Qashqai, que representa 45% das vendas da Nissan na Europa, foi excluído do plano de eletrificação.

A Nissan, construtora que durante décadas construiu a sua identidade europeia em torno do Qashqai, suspendeu o desenvolvimento da versão totalmente elétrica do seu modelo mais vendido — uma decisão tomada no início de 2025, apenas semanas após ter prometido o contrário. O gesto revela não apenas uma mudança de planos, mas uma recalibração mais profunda sobre o ritmo e o custo da transição elétrica numa indústria que ainda procura o seu equilíbrio. Quando o carro que representa 45% das vendas de uma marca num continente é retirado da equação elétrica, o que fica é uma promessa adiada e uma fábrica à espera de um propósito.

  • A Nissan anunciou o reforço da sua aposta elétrica na Europa — e semanas depois suspendeu o desenvolvimento do único modelo que tornaria essa aposta credível.
  • O Qashqai, com mais de 3 milhões de unidades vendidas desde 2007 e 330 mil só em 2025, era o pilar insubstituível da estratégia EV36Zero centrada na fábrica de Sunderland.
  • A empresa cancelou também dois SUV elétricos nos EUA e prepara-se para cortar a sua gama global de 56 para 45 modelos, sinalizando uma retirada estratégica da eletrificação acelerada.
  • A Nissan não confirmou publicamente a suspensão, limitando-se a reafirmar um compromisso genérico com híbridos e elétricos — uma resposta que não resolve a ambiguidade.
  • Se um Qashqai elétrico vier a existir, não chegará ao mercado antes do início da próxima década, deixando a marca sem o seu argumento mais forte na corrida europeia à eletrificação.

A Nissan prometeu reforçar a sua aposta nos veículos eletrificados na Europa. Mas o modelo que deveria liderar essa transformação — o Qashqai, pilar da marca no continente desde 2007 — ficou de fora. No início de 2025, a construtora japonesa interrompeu o desenvolvimento de uma versão 100% elétrica do SUV, contrariando um anúncio feito apenas semanas antes.

Os números tornam a decisão ainda mais difícil de compreender: o Qashqai ultrapassou os 3 milhões de unidades vendidas na Europa e representou, em 2025, cerca de 45% de todas as vendas da marca na região — aproximadamente 330 mil automóveis. Era o carro que mais importava à Nissan europeia, e era precisamente esse o carro que deveria liderar a sua eletrificação.

Em 2023, o plano EV36Zero colocara o futuro Qashqai elétrico no centro da estratégia, com a fábrica de Sunderland — a maior unidade de produção automóvel britânica — designada para o fabricar. O projeto tinha peso comercial e simbólico. Mas segundo a Reuters, a suspensão chegou como parte de uma reestruturação global e de um corte de custos. A Nissan não confirmou a decisão publicamente, reafirmando apenas um compromisso vago com uma gama equilibrada entre elétricos e híbridos.

A suspensão não é um caso isolado. A Nissan cancelou também dois SUV elétricos previstos para os EUA e anunciou a redução da sua gama global de 56 para 45 modelos. O padrão é claro: a empresa está a abrandar na eletrificação e a regressar a híbridos de menor risco financeiro. Para Sunderland e para a Europa, o que fica é uma promessa adiada — e um best-seller que não será elétrico, pelo menos não nesta década.

A Nissan prometeu reforçar a sua aposta nos veículos eletrificados na Europa. Mas o seu modelo mais importante — o Qashqai, que desde 2007 se tornou um pilar da marca no continente — não fará parte dessa transformação. No início de 2025, a construtora japonesa interrompeu o desenvolvimento de uma versão 100% elétrica do SUV, uma decisão que contradiz o anúncio feito apenas semanas antes e que revela uma mudança mais profunda nos planos globais da empresa.

O Qashqai é difícil de ignorar nos números da Nissan europeia. Desde o seu lançamento há quase duas décadas, o modelo ultrapassou a marca de 3 milhões de unidades vendidas no continente. Em 2025, sozinho, representou cerca de 45% de todas as vendas da marca na região, com aproximadamente 330 mil automóveis comercializados. Era, portanto, o carro que mais importava à Nissan na Europa — e era precisamente esse o carro que deveria liderar a transformação elétrica da empresa.

Em 2023, quando a Nissan anunciou o plano EV36Zero, colocou o futuro Qashqai elétrico no centro dessa estratégia. A fábrica de Sunderland, no Reino Unido, a maior unidade de produção automóvel britânica, seria responsável pela fabricação da versão totalmente elétrica do SUV. O projeto tinha peso: representava não apenas a modernização de uma fábrica, mas também o papel que o Reino Unido e a Europa desempenhariam na eletrificação global da marca. A escolha fazia sentido comercial e estratégico.

Mas os planos mudaram. Segundo a Reuters, a Nissan suspendeu o desenvolvimento do Qashqai elétrico como parte de um processo mais amplo de reestruturação global e redução de custos. A empresa não confirmou publicamente a decisão. Quando questionada, limitou-se a reafirmar o seu compromisso com a expansão da gama eletrificada, sublinhando que a estratégia europeia passaria por uma combinação equilibrada entre modelos elétricos e híbridos. Segundo as mesmas fontes, um novo Qashqai elétrico, se vier a ser desenvolvido, não chegará ao mercado antes do início da próxima década.

A suspensão do Qashqai elétrico não é um caso isolado. Reflete uma revisão muito mais ampla da estratégia global da Nissan. Nos últimos meses, a construtora cancelou os planos para produzir dois SUV elétricos na fábrica de Canton, no Mississippi, nos Estados Unidos, optando em vez disso por reforçar a aposta em modelos híbridos. Simultaneamente, anunciou a intenção de reduzir a sua gama global de 56 para 45 modelos. O padrão é claro: a Nissan está a recalibrar a sua abordagem à eletrificação, abrandando em projetos ambiciosos e regressando a tecnologias híbridas que oferecem menos risco financeiro.

O que isto significa para Sunderland e para a estratégia europeia da Nissan permanece em aberto. A fábrica britânica continua a ser central nos planos da empresa, mas o projeto que deveria defini-la nos próximos anos foi colocado na gaveta. A marca japonesa continua a dizer que quer crescer na Europa e reforçar a sua oferta eletrificada. Mas o seu best-seller — o carro que mais vende, que mais conhecem, que mais confiam — não será parte dessa aposta, pelo menos não nos próximos anos.

A estratégia para a Europa passa por uma combinação equilibrada de modelos elétricos e híbridos
— Nissan, em comunicado
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que é que a Nissan suspendeu o Qashqai elétrico se ele representa quase metade das suas vendas na Europa?

Model

Porque o custo de desenvolvimento de um novo modelo elétrico é enorme, e a Nissan está numa reestruturação global. O Qashqai é importante, mas não é importante o suficiente para justificar esse investimento neste momento.

Inventor

Mas não era isso que a empresa tinha prometido em 2023 com o plano EV36Zero?

Model

Exatamente. Colocaram o Qashqai elétrico no centro da transformação de Sunderland. Agora estão a recuar. É um sinal de que as prioridades mudaram — ou que a realidade financeira as forçou a mudar.

Inventor

Isto afeta apenas o Qashqai ou é parte de um padrão maior?

Model

É parte de um padrão. Cancelaram SUV elétricos nos EUA, estão a reduzir a gama global de 56 para 45 modelos. A Nissan está a fazer uma revisão profunda de tudo.

Inventor

O que significa isto para os trabalhadores de Sunderland?

Model

Significa incerteza. A fábrica continua a ser importante para a Nissan, mas o projeto que deveria defini-la nos próximos anos desapareceu. Sem o Qashqai elétrico, qual é o futuro de Sunderland?

Inventor

A Nissan vai voltar a desenvolver o Qashqai elétrico?

Model

Talvez. Disseram que não chegará ao mercado antes do início da próxima década. Mas neste momento, está suspenso. Tudo pode mudar — ou nada pode mudar.

Contact Us FAQ