Netanyahu nega ter aceito Estado palestino em resposta ao plano de Trump

A ofensiva israelense em Gaza desde outubro de 2023 deixou mais de 66 mil mortos e 168.300 feridos, segundo autoridades locais.
Vamos nos opor firmemente a um Estado palestino
Netanyahu rejeitou categoricamente qualquer reconhecimento futuro da Palestina como Estado independente.
Mark

Por que Netanyahu sentia necessidade de fazer esse vídeo? O plano de Trump já havia sido apresentado — por que ele precisava se apressar em negar algo que tecnicamente não estava explícito?

Mimi

Porque a linguagem do acordo abria uma porta que Netanyahu não quer que ninguém atravesse. Quando Trump fala em "autodeterminação" e "estabelecimento de um Estado palestino", mesmo que condicional, isso alimenta esperança internacional. Netanyahu precisava matar essa esperança imediatamente.

Mark

Ele parece estar em desacordo com Trump, então. Como isso funciona diplomaticamente?

Mimi

Não é desacordo público direto. Netanyahu está interpretando o acordo de forma mais restritiva do que Trump o apresentou. É uma negociação contínua, feita através de mídia e declarações. Netanyahu está marcando seu território.

Mark

E quanto ao Hamas? Netanyahu diz que o mundo árabe e islâmico agora está pressionando o Hamas. Isso é verdade ou é retórica?

Mimi

Provavelmente ambas as coisas. Há pressão real, porque muitos países querem que a guerra termine. Mas Netanyahu está usando essa pressão como prova de que sua estratégia funcionou — que ele isolou o Hamas, não o contrário.

Mark

O que o Hamas faria com um Estado palestino, na visão de Netanyahu?

Mimi

Na sua lógica, o Hamas se fortaleceria, controlaria o território e usaria isso para atacar Israel novamente. Ele vê a retirada militar como criando um vácuo que o Hamas preencheria. Por isso insiste em manter uma presença de segurança indefinida.

Mark

Mas o acordo diz que Israel não ocupará Gaza. Como Netanyahu concilia isso com sua posição?

Mimi

Ele não ocupa, mas também não sai completamente. Mantém um perímetro de segurança, mantém poder de veto sobre o que acontece lá. É ocupação com outro nome, ou segurança permanente, dependendo de quem está falando.

  • Netanyahu negou ter aceito a criação de um Estado palestino no plano de Trump
  • O plano de Trump prevê possível autodeterminação palestina, mas Netanyahu se opõe
  • A ofensiva israelense em Gaza deixou mais de 66 mil mortos desde outubro de 2023
  • Netanyahu afirmou que Israel manteria presença militar em Gaza indefinidamente

Netanyahu rejeitou publicamente qualquer reconhecimento futuro de Estado palestino, contrariando cláusulas do acordo de paz apresentado por Trump. O plano de Trump prevê possível autodeterminação palestina, mas Netanyahu mantém posição firme de oposição e presença militar israelense em Gaza.

Netanyahu negou categoricamente ter aceito a criação de um Estado palestino no plano de paz de Trump para Gaza, afirmando que isso seria uma recompensa ao terrorismo e ameaça a Israel.

Benjamin Netanyahu subiu às redes sociais na terça-feira para deixar uma coisa absolutamente clara: ele não havia aceitado a ideia de um Estado palestino, não importa o que o plano de paz apresentado por Donald Trump pudesse sugerir. Em um vídeo gravado em hebraico, o primeiro-ministro israelense respondeu ponto por ponto às críticas que surgiram após Trump divulgar seu acordo de 20 pontos para Gaza na segunda-feira, e sua mensagem foi direta e sem margem para interpretação.

O plano de Trump, de fato, continha linguagem que abria espaço para a autodeterminação palestina. O documento afirmava que "as condições poderão finalmente ser cumpridas para abrir caminho em direção à autodeterminação e ao estabelecimento de um Estado palestino". Mas Netanyahu rejeitou essa leitura com veemência. "De maneira nenhuma, não está escrito no acordo", disse ele, referindo-se especificamente à criação de um Estado palestino. Ele foi além: aceitar essa possibilidade, argumentou, seria "claramente uma enorme recompensa para o terrorismo e um perigo para o Estado de Israel". Trump, segundo Netanyahu, compreende essa posição e não a aceitaria.

O primeiro-ministro aproveitou o momento para caracterizar sua recente visita aos Estados Unidos como histórica. Israel, em sua narrativa, havia "virado o jogo". Em vez de o Hamas isolá-lo, Netanyahu afirmou que Israel havia isolado o Hamas. Ele destacou que Trump deixou claro: se o Hamas rejeitasse a proposta ou não se pronunciasse sobre ela, os Estados Unidos apoiariam a continuação da ofensiva militar israelense, o que Netanyahu interpretou como permissão para "concluir as operações militares" no enclave.

A dinâmica que Netanyahu descreveu era de pressão internacional crescente sobre o Hamas. "Agora, o mundo inteiro, incluindo o árabe e islâmico, está pressionando o Hamas para aceitar os termos que criamos com Trump", disse ele, enfatizando que o objetivo era garantir o retorno de todos os reféns enquanto as Forças de Defesa de Israel permaneceriam na maior parte de Gaza. Ele rejeitou explicitamente a ideia de que Israel deveria aceitar as condições do Hamas e se retirar completamente. Isso, argumentou, permitiria que o Hamas se fortalecesse e controlasse o enclave novamente.

O acordo proposto pela Casa Branca continha disposições sobre a retirada israelense. O texto afirmava que "Israel não ocupará e nem anexará Gaza" e que as tropas israelenses sairiam gradualmente enquanto uma Força Internacional de Estabilização assumiria temporariamente o controle para garantir a segurança. Conforme o acordo, as Forças de Defesa de Israel entregariam progressivamente o território às forças internacionais, mantendo apenas uma presença de segurança em um perímetro específico até que Gaza estivesse "completamente segura de qualquer ressurgimento de uma ameaça terrorista".

O contexto dessa disputa sobre palavras e princípios é a guerra em si. A ofensiva israelense contra Gaza, iniciada após os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, havia deixado mais de 66 mil mortos e mais de 168.300 feridos no enclave, de acordo com as autoridades de Gaza. A Organização das Nações Unidas considera esses números confiáveis. Netanyahu estava, portanto, negociando os termos de paz para um conflito que havia causado destruição em massa, e sua posição era que qualquer acordo deveria deixar Israel com poder militar significativo e sem reconhecer a soberania palestina.

Seria claramente uma enorme recompensa para o terrorismo e um perigo para o Estado de Israel
— Benjamin Netanyahu, sobre aceitar um Estado palestino
Em vez de o Hamas nos isolar, nós isolamos o Hamas
— Benjamin Netanyahu, descrevendo sua estratégia
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