Quase três anos após o ataque mais mortífero da história de Israel, uma investigação do jornal Haaretz sugere que Netanyahu teria sido alertado diretamente pelo líder dos Emirados Árabes Unidos sobre os planos do Hamas — e que nada teria feito com essa informação. A acusação, negada pelo gabinete do premiê, chega às vésperas de eleições legislativas e reacende uma pergunta que a sociedade israelense ainda não conseguiu responder: quem sabia, quando sabia, e por que 1.221 pessoas morreram mesmo assim.
Netanyahu foi avisado sobre ataque do Hamas em 7/10, diz Haaretz; oposição pressiona premiê
Netanyahu recebeu dezenas de avisos e ignorou todos
Se o Haaretz está certo, e Netanyahu realmente recebeu esse aviso do xeque dos Emirados, por que ele não fez nada?
Essa é a pergunta que a oposição está fazendo agora. O Haaretz diz que Netanyahu respondeu com calma ao aviso, mas não tomou medidas. Pode ter havido uma falha de julgamento, ou talvez ele não tenha levado a sério.
Mas espera — o gabinete de Netanyahu nega completamente que a conversa aconteceu. Diz que são "puras mentiras". Então temos uma acusação do Haaretz contra uma negação oficial. Quem está certo?
O Haaretz cita principalmente fontes anônimas, o que torna difícil verificar independentemente. Mas o gabinete admitiu que é possível que os dois países tenham trocado mensagens por canais de inteligência.
Então talvez a conversa aconteceu, mas de forma diferente do que o Haaretz está descrevendo?
Exatamente. Pode ter havido comunicação, mas não necessariamente uma ligação direta do xeque para Netanyahu. Os detalhes importam aqui, e ainda não temos confirmação independente.
O que sabemos com certeza é que a oposição está usando isso para pressionar Netanyahu, especialmente porque ele está em campanha para as eleições de outubro.
E quanto aos Emirados? Por que eles não confirmam ou negam?
Eles disseram que não têm comentário. Isso é significativo — não é uma negação, é um silêncio. Pode significar que algo aconteceu, mas eles não querem se envolver na política interna israelense.
O que está claro é que 1.221 pessoas morreram em 7 de outubro, e a questão de quem sabia o quê antes do ataque continua sendo central no debate político israelense.
The Pulse
- O Haaretz afirma que o xeque Mohamed bin Zayed Al Nahyan ligou pessoalmente para Netanyahu quase dez dias antes do ataque, alertando sobre uma grande operação terrorista em preparação pelo Hamas.
- O gabinete de Netanyahu reagiu com negação categórica, chamando as afirmações de 'puras mentiras' — mas admitiu, na mesma nota, a possibilidade de troca de mensagens por canais de inteligência.
- A oposição israelense, incluindo ex-primeiros-ministros e candidatos às eleições de outubro, usou a revelação para exigir responsabilização direta de Netanyahu pelas 1.221 mortes.
- Com as eleições legislativas marcadas para 27 de outubro, a publicação transforma uma ferida histórica em munição política, pressionando Netanyahu em um momento de máxima vulnerabilidade eleitoral.
Quase três anos após o ataque mais mortífero da história de Israel, uma investigação do jornal Haaretz sugere que Netanyahu teria sido alertado diretamente pelo líder dos Emirados Árabes Unidos sobre os planos do Hamas — e que nada teria feito com essa informação. A acusação, negada pelo gabinete do premiê, chega às vésperas de eleições legislativas e reacende uma pergunta que a sociedade israelense ainda não conseguiu responder: quem sabia, quando sabia, e por que 1.221 pessoas morreram mesmo assim.
O jornal Haaretz publicou trechos de um livro de dois de seus repórteres com uma acusação de peso: o xeque Mohamed bin Zayed Al Nahyan, líder dos Emirados Árabes Unidos, teria ligado diretamente para Netanyahu quase dez dias antes do ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, advertindo-o sobre uma grande operação em preparação. Segundo a investigação, Netanyahu recebeu o aviso com calma — e não tomou nenhuma providência.
A cadeia narrada pelo Haaretz começa com Yahya Sinwar, então líder do Hamas em Gaza, descrevendo a um dirigente palestino uma operação que seria como um 'terremoto'. A informação teria chegado a um assessor dos Emirados e, por fim, ao próprio xeque, que decidiu contatar Netanyahu pessoalmente. O gabinete do premiê negou que essa conversa tenha ocorrido, classificando o relato como 'puras mentiras', mas reconheceu que os dois países podem ter trocado mensagens por canais de inteligência. Os Emirados disseram não ter comentários.
A publicação chegou em momento politicamente explosivo. Com eleições legislativas marcadas para 27 de outubro, líderes da oposição aproveitaram a revelação para intensificar os ataques. O ex-comandante militar Gadi Eisenkot acusou Netanyahu de ignorar dezenas de avisos e de recorrer a desculpas 'patéticas'. O ex-premiê Naftali Bennett afirmou que Netanyahu tem 'responsabilidade pessoal e direta' pelas 1.221 mortes daquele dia e que não pode permanecer no cargo 'nem por mais um minuto'. Yair Golan, do partido Democratas, foi igualmente direto: 'Você sabia, você ignorou, você falhou'.
O ataque de 7 de outubro de 2023 matou civis, policiais e militares, e resultou no sequestro de 251 pessoas levadas para Gaza — 44 delas já confirmadas mortas. A investigação do Haaretz reacende a questão que permanece sem resposta definitiva na sociedade israelense: por que tantos alertas não foram suficientes para impedir a maior tragédia da história do Estado de Israel.
O jornal Haaretz publicou nesta terça-feira trechos de um livro escrito por dois de seus repórteres contendo uma acusação que reacendeu o debate político em Israel: o xeque Mohamed bin Zayed Al Nahyan, líder dos Emirados Árabes Unidos, teria ligado diretamente para o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu quase dez dias antes do ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 para adverti-lo que o grupo terrorista estava preparando uma grande operação. Segundo a investigação do Haaretz, Netanyahu não fez nada com a informação.
O relato do jornal reconstrói uma cadeia de comunicação que começou com Yahya Sinwar, então líder do Hamas em Gaza, informando a um dirigente palestino que seus homens estavam preparando o que descreveu como uma "tremenda operação", comparável a um "terremoto". Esse dirigente palestino teria transmitido a mensagem a um assessor dos Emirados, que a levou ao conhecimento do xeque. Mohamed bin Zayed Al Nahyan decidiu então contatar Netanyahu pessoalmente para informá-lo sobre a situação. O Haaretz, que cita principalmente fontes anônimas, afirma que Netanyahu respondeu com calma ao aviso.
O gabinete do primeiro-ministro reagiu rapidamente e categoricamente. Em nota oficial, negou que Netanyahu tenha conversado com o líder dos Emirados naquela ocasião, classificando as afirmações do Haaretz como "puras mentiras". Porém, a mesma nota abriu uma brecha ao reconhecer que é possível que os dois países tenham trocado mensagens através de canais de inteligência. O Ministério das Relações Exteriores dos Emirados, por sua vez, declarou não ter "nenhum comentário" sobre as informações publicadas.
A revelação chegou em momento politicamente sensível. Netanyahu está em campanha para as eleições legislativas marcadas para 27 de outubro, e a oposição israelense aproveitou a publicação para intensificar seus ataques. Gadi Eisenkot, ex-comandante militar e um dos principais rivais do premiê, acusou Netanyahu de fugir de suas responsabilidades e recorrer a desculpas "patéticas", como alegar que não o acordaram cedo o suficiente na manhã do ataque. "Netanyahu recebeu dezenas de avisos antes de 7 de outubro e ignorou todos. Ele é inapto", escreveu Eisenkot na rede social X.
Naftali Bennett, ex-primeiro-ministro e também candidato nas próximas eleições, foi ainda mais direto. Disse que o atual líder israelense "tem uma responsabilidade pessoal e direta" pelas 1.221 mortes registradas em 7 de outubro, o dia mais violento da história do Estado de Israel. "Netanyahu não pode seguir no cargo nem por mais um minuto", acrescentou Bennett. Yair Golan, líder do partido Democratas, também se uniu às críticas, publicando nas redes sociais: "Netanyahu, você colocou Israel em perigo, você nos levou à catástrofe. As histórias de 'ninguém me acordou' acabaram. Você sabia, você ignorou, você falhou, a culpa é sua".
O ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 deixou um rastro de destruição que continua marcando a política israelense. Além de matar civis, policiais e militares, terroristas do Hamas sequestraram 251 pessoas em território israelense, que foram posteriormente levadas para Gaza. Entre elas, 44 pessoas já estavam mortas. A investigação do Haaretz, ao sugerir que Netanyahu teria recebido um aviso específico dias antes do ataque, toca em uma ferida que permanece aberta na sociedade israelense: a questão de quem sabia o quê e quando sabia, e por que as medidas de segurança não foram suficientes para impedir a tragédia.
Notable Quotes
Netanyahu recebeu dezenas de avisos antes de 7 de outubro e ignorou todos. Ele é inapto.— Gadi Eisenkot, ex-comandante militar
Netanyahu tem uma responsabilidade pessoal e direta pelas 1.221 mortes daquele dia. Netanyahu não pode seguir no cargo nem por mais um minuto.— Naftali Bennett, ex-primeiro-ministro