Netanyahu apresenta QR Code com imagens do 7 de outubro na ONU; delegados abandonam sala

Mais de 1.200 mortos e 253 raptados no ataque de 7 de outubro; 48 reféns permanecem nas mãos do Hamas, com apenas 20 presumivelmente vivos.
A sala esvaziou-se antes de ele proferir uma palavra
Delegações abandonaram a Assembleia Geral em protesto silencioso contra a presença de Netanyahu.
Mark

Porque é que Netanyahu escolheu um código QR? Parece uma estratégia estranha para a ONU.

Mimi

Coloca o controlo nas mãos de quem o escaneia. Sem intermediários, sem jornalistas a filtrarem o conteúdo. É direto.

Luke

Mas ninguém ficou para ver. A sala esvaziou-se antes do discurso começar.

Mimi

Exatamente. A estratégia falhou completamente. Ele tentava mostrar a realidade do 7 de outubro, mas a plateia respondeu com rejeição.

Mark

E o pai do refém que saiu? Isso é particularmente significativo?

Mimi

Muito. Ruby Chen viajou para ouvir Netanyahu esperando notícias sobre o seu filho. Mas saiu como protesto. É um símbolo do isolamento que Netanyahu enfrenta agora.

Luke

Embora seja importante notar — o TPI investiga Netanyahu, mas as acusações ainda não foram julgadas. E quanto aos números de reféns vivos, Netanyahu disse 20, mas isso é a sua estimativa.

Mark

Qual é o contexto político mais amplo aqui?

Mimi

Netanyahu está cercado. Investigação do TPI, julgamento por corrupção em Israel, países a reconhecerem a Palestina, acusações de genocídio. O código QR é uma tentativa de mudar o foco para o 7 de outubro.

Luke

E funciona? Consegue recuperar a narrativa?

Mimi

Não. A reação na ONU sugere que não. Mas é cedo para dizer qual será o impacto a longo prazo.

  • Netanyahu chegou à ONU com um código QR na lapela ligado a imagens explícitas do massacre de 7 de outubro, numa tentativa calculada de forçar os delegados a confrontar a violência sem intermediários.
  • A resposta foi um esvaziamento coletivo: dezenas de delegações abandonaram a sala antes do discurso, aplaudidas de pé por outros representantes, deixando o primeiro-ministro a falar para uma plateia quase inexistente.
  • O protesto atingiu um ponto doloroso quando Ruby Chen, pai do soldado israelita Itay Chen — morto no ataque e cujo corpo foi levado para Gaza — também se levantou e saiu, ele que tinha viajado a Nova Iorque especificamente para ouvir notícias sobre os reféns.
  • Netanyahu enfrenta investigação do Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra e um julgamento interno por corrupção, enquanto países como Portugal, Espanha e Canadá reconhecem o Estado da Palestina e cresce o número de vozes a classificar a ofensiva em Gaza como genocídio.
  • Para uma sala quase vazia, Netanyahu leu os nomes dos reféns que ainda se acredita estarem vivos — 20 dos 48 que permanecem nas mãos do Hamas — num discurso que começou como estratégia de narrativa e terminou como retrato do isolamento.

Num setembro marcado por ausências, Benjamin Netanyahu subiu ao pódio da Assembleia Geral da ONU com um código QR na lapela — uma janela silenciosa para as imagens mais cruas do ataque do Hamas de 7 de outubro. A sala, porém, esvaziou-se antes de ele proferir uma única palavra, transformando o gesto em metáfora: um líder a documentar o horror perante cadeiras vazias, enquanto o mundo debate se ele próprio responde por crimes de guerra. Entre os ausentes estava o pai de um refém israelita morto, que viajara com esperança e partiu em silêncio.

Benjamin Netanyahu chegou à Assembleia Geral das Nações Unidas numa sexta-feira de setembro com um código QR fixado na lapela. Quem o escaneasse era conduzido a um portal com imagens explícitas dos ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023 — corpos, sangue, objetos carbonizados, rostos desfigurados. A página apresentava-se como documentação de crimes contra a humanidade: mais de 1.200 mortos, mais de 6.000 feridos, 253 raptados, incluindo as 364 vítimas do massacre no festival de música de Reim.

Mas quando Netanyahu se preparava para falar, a sala esvaziou-se. Dezenas de delegações levantaram-se e saíram antes de ele proferir uma única palavra, aplaudidas de pé por outros representantes. O protesto foi tão abrangente que a plateia ficou quase vazia. Entre os que partiram estava Ruby Chen, pai do refém israelita Itay Chen — morto no ataque e cujo corpo foi levado para Gaza — que tinha viajado a Nova Iorque com esperança de ouvir notícias sobre os reféns. Saiu em silêncio.

A presença de Netanyahu em Nova Iorque insere-se numa estratégia mais ampla de recuperação de narrativa: camiões publicitários e cartazes em Times Square com a mensagem «lembrem-se de 7 de outubro», e o código QR como forma de colocar nas mãos dos delegados a documentação visual do ataque sem intermediários. Mas o primeiro-ministro chega sob pressão crescente: o Tribunal Penal Internacional investiga-o por crimes de guerra e pediu a sua detenção; em Israel, enfrenta julgamento por corrupção; e países como Portugal, Espanha, Canadá e Reino Unido reconheceram o Estado da Palestina, enquanto cresce o número de vozes a classificar a ofensiva em Gaza como genocídio.

Para a sala quase vazia que restou, Netanyahu leu os nomes dos reféns que ainda se acredita estarem vivos — apenas 20 dos 48 que permanecem nas mãos do Hamas. O gesto que deveria ser uma acusação ao mundo transformou-se, pela ausência, num retrato do isolamento.

Benjamin Netanyahu chegou à Assembleia Geral das Nações Unidas numa sexta-feira de setembro com um código QR fixado na lapela. Quem o escaneasse seria levado a um portal contendo imagens explícitas e sangrentas dos ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023 — rostos desfigurados de soldados, corpos ensanguentados, filas de cadáveres com ferimentos de bala, sangue em casas de banho portáteis, objetos carbonizados. A página apresentava-se como documentação de crimes contra a humanidade, recordando que mais de mil civis inocentes foram mortos naquele dia.

Mas quando Netanyahu se preparava para discursar, a sala esvaziou-se. Dezenas de delegações levantaram-se e saíram antes de ele proferir uma única palavra, aplaudidos de pé por representantes de vários países. O protesto silencioso foi tão abrangente que a plateia ficou quase vazia. Entre os que abandonaram estava Ruby Chen, pai do refém israelita Itay Chen, que tinha viajado a Nova Iorque especificamente para ouvir Netanyahu, esperando obter informações sobre o destino dos reféns ainda em Gaza. Segundo as Forças de Defesa israelitas, Itay Chen foi morto no ataque do Hamas e o seu corpo foi levado para a Faixa de Gaza.

O portal acessível pelo código QR documentava a magnitude do ataque: mais de 1.200 mortos, mais de 6.000 feridos, 253 pessoas raptadas. Incluía fotografias e vídeos do massacre no festival de música de Reim, onde 364 civis foram mortos e 40 pessoas foram levadas como reféns. Dos 253 raptados, 48 permaneciam nas mãos do Hamas, sendo que apenas 20 estariam vivos, segundo Netanyahu afirmou durante o seu discurso para a sala quase vazia.

O primeiro-ministro israelita chega a Nova Iorque sob pressão internacional crescente. O Tribunal Penal Internacional investiga-o por crimes de guerra, e os juízes alegam existirem motivos razoáveis para acreditar que é responsável por crimes de guerra e contra a humanidade. Foi pedida a sua detenção. Em Israel, enfrenta também um julgamento em tribunal por casos de corrupção. Simultaneamente, países como Reino Unido, Espanha, Canadá e Portugal reconheceram o Estado da Palestina, e cresce o número de nações e organizações internacionais a classificarem como genocídio a ofensiva israelita em Gaza desde 7 de outubro.

A estratégia de Netanyahu em Nova Iorque reflete uma tentativa de recuperar a narrativa. Israel lançou uma campanha de propaganda na cidade, com camiões publicitários e cartazes em Times Square a dizer lembrem-se de 7 de outubro. O código QR na lapela do primeiro-ministro era parte dessa estratégia — uma forma de colocar nas mãos dos delegados a documentação visual do ataque, sem intermediários. Mas a resposta foi o silêncio e a ausência. Nem sequer o pai de um soldado israelita morto, que viajara com esperança de ouvir notícias sobre os reféns, permaneceu na sala. Durante o discurso que finalmente proferiu, Netanyahu leu os nomes dos reféns israelitas — mas apenas os que se acreditava ainda estarem vivos.

Netanyahu leu os nomes dos reféns israelitas, mas apenas os que se acreditava ainda estarem vivos
— Relato do discurso na ONU
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