Num setembro marcado por ausências, Benjamin Netanyahu subiu ao pódio da Assembleia Geral da ONU com um código QR na lapela — uma janela silenciosa para as imagens mais cruas do ataque do Hamas de 7 de outubro. A sala, porém, esvaziou-se antes de ele proferir uma única palavra, transformando o gesto em metáfora: um líder a documentar o horror perante cadeiras vazias, enquanto o mundo debate se ele próprio responde por crimes de guerra. Entre os ausentes estava o pai de um refém israelita morto, que viajara com esperança e partiu em silêncio.
Netanyahu apresenta QR Code com imagens do 7 de outubro na ONU; delegados abandonam sala
A sala esvaziou-se antes de ele proferir uma palavra
Porque é que Netanyahu escolheu um código QR? Parece uma estratégia estranha para a ONU.
Coloca o controlo nas mãos de quem o escaneia. Sem intermediários, sem jornalistas a filtrarem o conteúdo. É direto.
Mas ninguém ficou para ver. A sala esvaziou-se antes do discurso começar.
Exatamente. A estratégia falhou completamente. Ele tentava mostrar a realidade do 7 de outubro, mas a plateia respondeu com rejeição.
E o pai do refém que saiu? Isso é particularmente significativo?
Muito. Ruby Chen viajou para ouvir Netanyahu esperando notícias sobre o seu filho. Mas saiu como protesto. É um símbolo do isolamento que Netanyahu enfrenta agora.
Embora seja importante notar — o TPI investiga Netanyahu, mas as acusações ainda não foram julgadas. E quanto aos números de reféns vivos, Netanyahu disse 20, mas isso é a sua estimativa.
Qual é o contexto político mais amplo aqui?
Netanyahu está cercado. Investigação do TPI, julgamento por corrupção em Israel, países a reconhecerem a Palestina, acusações de genocídio. O código QR é uma tentativa de mudar o foco para o 7 de outubro.
E funciona? Consegue recuperar a narrativa?
Não. A reação na ONU sugere que não. Mas é cedo para dizer qual será o impacto a longo prazo.
El Pulso
- Netanyahu chegou à ONU com um código QR na lapela ligado a imagens explícitas do massacre de 7 de outubro, numa tentativa calculada de forçar os delegados a confrontar a violência sem intermediários.
- A resposta foi um esvaziamento coletivo: dezenas de delegações abandonaram a sala antes do discurso, aplaudidas de pé por outros representantes, deixando o primeiro-ministro a falar para uma plateia quase inexistente.
- O protesto atingiu um ponto doloroso quando Ruby Chen, pai do soldado israelita Itay Chen — morto no ataque e cujo corpo foi levado para Gaza — também se levantou e saiu, ele que tinha viajado a Nova Iorque especificamente para ouvir notícias sobre os reféns.
- Netanyahu enfrenta investigação do Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra e um julgamento interno por corrupção, enquanto países como Portugal, Espanha e Canadá reconhecem o Estado da Palestina e cresce o número de vozes a classificar a ofensiva em Gaza como genocídio.
- Para uma sala quase vazia, Netanyahu leu os nomes dos reféns que ainda se acredita estarem vivos — 20 dos 48 que permanecem nas mãos do Hamas — num discurso que começou como estratégia de narrativa e terminou como retrato do isolamento.
Num setembro marcado por ausências, Benjamin Netanyahu subiu ao pódio da Assembleia Geral da ONU com um código QR na lapela — uma janela silenciosa para as imagens mais cruas do ataque do Hamas de 7 de outubro. A sala, porém, esvaziou-se antes de ele proferir uma única palavra, transformando o gesto em metáfora: um líder a documentar o horror perante cadeiras vazias, enquanto o mundo debate se ele próprio responde por crimes de guerra. Entre os ausentes estava o pai de um refém israelita morto, que viajara com esperança e partiu em silêncio.
Benjamin Netanyahu chegou à Assembleia Geral das Nações Unidas numa sexta-feira de setembro com um código QR fixado na lapela. Quem o escaneasse era conduzido a um portal com imagens explícitas dos ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023 — corpos, sangue, objetos carbonizados, rostos desfigurados. A página apresentava-se como documentação de crimes contra a humanidade: mais de 1.200 mortos, mais de 6.000 feridos, 253 raptados, incluindo as 364 vítimas do massacre no festival de música de Reim.
Mas quando Netanyahu se preparava para falar, a sala esvaziou-se. Dezenas de delegações levantaram-se e saíram antes de ele proferir uma única palavra, aplaudidas de pé por outros representantes. O protesto foi tão abrangente que a plateia ficou quase vazia. Entre os que partiram estava Ruby Chen, pai do refém israelita Itay Chen — morto no ataque e cujo corpo foi levado para Gaza — que tinha viajado a Nova Iorque com esperança de ouvir notícias sobre os reféns. Saiu em silêncio.
A presença de Netanyahu em Nova Iorque insere-se numa estratégia mais ampla de recuperação de narrativa: camiões publicitários e cartazes em Times Square com a mensagem «lembrem-se de 7 de outubro», e o código QR como forma de colocar nas mãos dos delegados a documentação visual do ataque sem intermediários. Mas o primeiro-ministro chega sob pressão crescente: o Tribunal Penal Internacional investiga-o por crimes de guerra e pediu a sua detenção; em Israel, enfrenta julgamento por corrupção; e países como Portugal, Espanha, Canadá e Reino Unido reconheceram o Estado da Palestina, enquanto cresce o número de vozes a classificar a ofensiva em Gaza como genocídio.
Para a sala quase vazia que restou, Netanyahu leu os nomes dos reféns que ainda se acredita estarem vivos — apenas 20 dos 48 que permanecem nas mãos do Hamas. O gesto que deveria ser uma acusação ao mundo transformou-se, pela ausência, num retrato do isolamento.
Benjamin Netanyahu chegou à Assembleia Geral das Nações Unidas numa sexta-feira de setembro com um código QR fixado na lapela. Quem o escaneasse seria levado a um portal contendo imagens explícitas e sangrentas dos ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023 — rostos desfigurados de soldados, corpos ensanguentados, filas de cadáveres com ferimentos de bala, sangue em casas de banho portáteis, objetos carbonizados. A página apresentava-se como documentação de crimes contra a humanidade, recordando que mais de mil civis inocentes foram mortos naquele dia.
Mas quando Netanyahu se preparava para discursar, a sala esvaziou-se. Dezenas de delegações levantaram-se e saíram antes de ele proferir uma única palavra, aplaudidos de pé por representantes de vários países. O protesto silencioso foi tão abrangente que a plateia ficou quase vazia. Entre os que abandonaram estava Ruby Chen, pai do refém israelita Itay Chen, que tinha viajado a Nova Iorque especificamente para ouvir Netanyahu, esperando obter informações sobre o destino dos reféns ainda em Gaza. Segundo as Forças de Defesa israelitas, Itay Chen foi morto no ataque do Hamas e o seu corpo foi levado para a Faixa de Gaza.
O portal acessível pelo código QR documentava a magnitude do ataque: mais de 1.200 mortos, mais de 6.000 feridos, 253 pessoas raptadas. Incluía fotografias e vídeos do massacre no festival de música de Reim, onde 364 civis foram mortos e 40 pessoas foram levadas como reféns. Dos 253 raptados, 48 permaneciam nas mãos do Hamas, sendo que apenas 20 estariam vivos, segundo Netanyahu afirmou durante o seu discurso para a sala quase vazia.
O primeiro-ministro israelita chega a Nova Iorque sob pressão internacional crescente. O Tribunal Penal Internacional investiga-o por crimes de guerra, e os juízes alegam existirem motivos razoáveis para acreditar que é responsável por crimes de guerra e contra a humanidade. Foi pedida a sua detenção. Em Israel, enfrenta também um julgamento em tribunal por casos de corrupção. Simultaneamente, países como Reino Unido, Espanha, Canadá e Portugal reconheceram o Estado da Palestina, e cresce o número de nações e organizações internacionais a classificarem como genocídio a ofensiva israelita em Gaza desde 7 de outubro.
A estratégia de Netanyahu em Nova Iorque reflete uma tentativa de recuperar a narrativa. Israel lançou uma campanha de propaganda na cidade, com camiões publicitários e cartazes em Times Square a dizer lembrem-se de 7 de outubro. O código QR na lapela do primeiro-ministro era parte dessa estratégia — uma forma de colocar nas mãos dos delegados a documentação visual do ataque, sem intermediários. Mas a resposta foi o silêncio e a ausência. Nem sequer o pai de um soldado israelita morto, que viajara com esperança de ouvir notícias sobre os reféns, permaneceu na sala. Durante o discurso que finalmente proferiu, Netanyahu leu os nomes dos reféns israelitas — mas apenas os que se acreditava ainda estarem vivos.
Citas Notables
Netanyahu leu os nomes dos reféns israelitas, mas apenas os que se acreditava ainda estarem vivos— Relato do discurso na ONU