Nenhum objeto conhecido chegou tão perto do Sol sem desaparecer

Um cometa passou 65 vezes mais perto do Sol do que Mercúrio consegue chegar
O Grande Cometa do Sul de 1887 permanece o objeto observado que mais se aproximou da estrela e sobreviveu à experiência.
Mark

Então Mercúrio não é realmente o objeto mais próximo do Sol? Parecia uma resposta tão óbvia.

Mimi

Não é, e é por isso que a pergunta é tão interessante. Mercúrio está a 47 milhões de quilómetros, mas há asteroides que chegam a 10 milhões, uma sonda humana a 7 milhões, e um cometa que passou a apenas 718 mil quilómetros.

Luke

Espera — esse cometa de 1887, como é que sabemos que passou a 718 mil quilómetros? Isso foi observado diretamente ou é uma estimativa retroativa?

Mimi

É uma medição histórica, portanto há sempre margem de incerteza. Mas foi registado e é o melhor registo que temos de um objeto que chegou tão perto e sobreviveu.

Mark

E estes asteroides Mercury-crossers, estão em risco de colidir com o Sol?

Mimi

Sim, alguns deles. São dinamicamente instáveis, o que significa que ao longo de milhões de anos poderão colidir com o Sol, embora também possam atingir um planeta ou ser expulsos do Sistema Solar.

Luke

Milhões de anos é um horizonte temporal muito longo. Há alguma previsão concreta para os próximos séculos?

Mimi

Não, as órbitas são demasiado complexas para prever com essa precisão a curto prazo. Mas sabemos que estão em trajetórias instáveis.

Mark

E estes Vulcanoides que mencionaste — asteroides hipotéticos dentro da órbita de Mercúrio — porque é que ninguém os encontrou?

Mimi

Porque provavelmente não existem, ou se existem, são muito pequenos ou muito próximos do Sol para serem detetados com a tecnologia atual. Uma investigação de 2013 procurou por eles e não encontrou nada.

Luke

Portanto, a Parker Solar Probe é o objeto artificial mais próximo do Sol que temos registo?

Mimi

Sim, a 7,3 milhões de quilómetros. É extraordinário que uma máquina construída na Terra conseguisse chegar tão perto e sobreviver.

Mark

E se um cometa mergulhasse completamente no Sol?

Mimi

Seria destruído. Não haveria regresso. É por isso que o Grande Cometa do Sul de 1887 é tão especial — chegou extraordinariamente perto e conseguiu escapar.

  • Mercúrio, tido como o vizinho mais próximo do Sol, fica a 47 milhões de quilómetros — mas asteroides, cometas e sondas já ultrapassaram esse limite por largas margens.
  • O asteroide 2024 YL3, com o tamanho de um arranha-céus, aproxima-se até 10,3 milhões de quilómetros do Sol, numa órbita tão excêntrica que o torna dinamicamente instável a longo prazo.
  • A sonda Parker Solar Probe da NASA empurrou os limites da engenharia humana ao chegar a 7,3 milhões de quilómetros do centro solar, atravessando a própria coroa da estrela.
  • Os cometas 'sungrazers' vão ainda mais longe, com alguns a passar a menos de 2,4 milhões de quilómetros — muitos fragmentam-se, mas alguns escapam intactos.
  • O Grande Cometa do Sul de 1887 estabeleceu o recorde entre os sobreviventes, passando a apenas 718 mil quilómetros do Sol, 65 vezes mais perto do que Mercúrio alguma vez chega.
  • A única categoria capaz de bater este registo — os cometas 'sundiving' que mergulhariam na fotosfera — nunca foi observada, e qualquer objeto que o fizesse seria destruído sem regresso.

No vasto teatro do Sistema Solar, a proximidade ao Sol não é privilégio apenas dos planetas: cometas, asteroides e sondas humanas têm penetrado muito mais fundo do que Mercúrio alguma vez chegou. Entre todos os objetos observados que sobreviveram à experiência, o Grande Cometa do Sul de 1887 detém o recorde absoluto, tendo passado a apenas 718 mil quilómetros da nossa estrela — uma distância que desafia a intuição e recorda que o cosmos guarda sempre uma escala mais extrema do que aquela que imaginamos.

Quando se pergunta qual é o objeto que mais se aproximou do Sol, a resposta instintiva é Mercúrio, o planeta mais interior do Sistema Solar, que orbita a uma distância mínima de cerca de 47 milhões de quilómetros da estrela. Mas essa intuição fica muito aquém da realidade: asteroides, cometas e até máquinas construídas pela humanidade já penetraram muito mais fundo no coração do Sistema Solar.

Entre os objetos naturais, os chamados 'Mercury-crossers' têm órbitas que atravessam a de Mercúrio, projetados para o interior do Sistema Solar a partir da cintura principal de asteroides. O recordista atual desta categoria é o 2024 YL3, um asteroide com cerca de 141 metros — comparável a um arranha-céus — que se aproxima do Sol até 10,3 milhões de quilómetros, menos de um quarto da distância mínima de Mercúrio. Estes corpos são dinamicamente instáveis e poderão, ao longo de milhões de anos, colidir com o Sol ou ser expulsos do Sistema Solar.

No domínio dos objetos artificiais, a Parker Solar Probe da NASA estabeleceu o seu próprio marco histórico, chegando a 7,3 milhões de quilómetros do centro solar durante as órbitas finais da sua missão, atravessando a coroa da estrela protegida por um escudo térmico de engenharia extraordinária.

Mas são os cometas 'sungrazers' que levam a aproximação a outro nível. Alguns passam a menos de 2,4 milhões de quilómetros do Sol, e entre os que sobreviveram à experiência destaca-se o Grande Cometa do Sul de 1887: passou a apenas 718 mil quilómetros do centro da estrela — 65 vezes mais perto do que Mercúrio alguma vez chega — e escapou intacto. É o recorde absoluto entre todos os objetos observados que sobreviveram.

Existe ainda uma categoria teórica mais extrema: os cometas 'sundiving', que mergulhariam efetivamente na fotosfera solar. Para isso, precisariam de atingir um periélio inferior ao raio do Sol, cerca de 696 mil quilómetros a partir do centro. Nenhum foi ainda detetado — e qualquer um que o fizesse não regressaria. Por isso, o Grande Cometa do Sul de 1887 permanece, por ora, o detentor incontestado do recorde de aproximação ao Sol com regresso garantido.

Mercúrio, o planeta mais próximo do Sol, orbita a uma distância mínima de cerca de 47 milhões de quilómetros da estrela. Parece uma resposta óbvia quando se pergunta qual é o objeto que mais se aproxima do nosso astro central. Mas a realidade é muito mais extrema do que essa suposição sugere.

Asteroides, cometas e até máquinas construídas pela humanidade já penetraram muito mais fundo no interior do Sistema Solar. Entre todos os objetos alguma vez observados, existe um que se aproximou a uma distância tão extraordinária que desafia a compreensão — e conseguiu regressar intacto.

Os asteroides conhecidos como "Mercury-crossers" têm órbitas que atravessam a de Mercúrio, aproximando-se muito mais da estrela. Scott Sheppard, astrónomo da Carnegie Science, explica que estas trajetórias são extremamente excêntricas, sugerindo que estes corpos não se formaram tão perto do Sol, mas foram projetados para o interior do Sistema Solar a partir da cintura principal de asteroides. O recordista atual desta categoria é o 2024 YL3, um asteroide com cerca de 141 metros de comprimento — comparável à dimensão de um arranha-céus — que se aproxima do Sol até aproximadamente 10,3 milhões de quilómetros. Isto representa menos de um quarto da distância mínima de Mercúrio. Estes asteroides são dinamicamente instáveis, o que significa que ao longo de milhões de anos poderão colidir com o Sol, embora também possam atingir um planeta ou ser expulsos do Sistema Solar.

Os astrónomos especulam ainda sobre a existência de uma população hipotética chamada Vulcanoides — asteroides que poderiam orbitar permanentemente o Sol no interior da órbita de Mercúrio. Modelos numéricos indicam que estes objetos poderiam manter órbitas estáveis entre aproximadamente 9 milhões e 37 milhões de quilómetros do centro do Sol, potencialmente aproximando-se mais do que os atuais Mercury-crossers. No entanto, uma investigação publicada em 2013 não encontrou sinais destes hipotéticos objetos. Ninguém conseguiu provar que existem.

Quando se passa dos objetos naturais para os artificiais, o recorde muda novamente. A Parker Solar Probe, da NASA, lançada em 2018 para estudar a atmosfera exterior do Sol, conseguiu aproximar-se até cerca de 7,3 milhões de quilómetros do centro da estrela nas órbitas finais da sua missão principal. A essa distância extraordinária, a sonda atravessou a coroa solar. Para sobreviver às condições extremas, foi equipada com um escudo térmico que protege os instrumentos científicos das temperaturas encontradas nas proximidades do Sol. É uma distância notável para uma máquina construída na Terra, mas ainda não é o recorde absoluto.

Os cometas conhecidos como "sungrazers" levam a aproximação ao Sol a outro nível completamente diferente. Alguns destes corpos passam a menos de 2,4 milhões de quilómetros do centro da estrela. Muitos dos mais pequenos fragmentam-se devido ao aquecimento desigual, enquanto a enorme força gravitacional do Sol pode destruir os maiores. Alguns, porém, conseguem sobreviver à experiência.

E é aqui que aparece o atual recordista entre todos os objetos observados que escaparam intactos: o Grande Cometa do Sul de 1887. Este cometa passou a apenas cerca de 718 mil quilómetros do centro do Sol — aproximadamente 65 vezes mais perto do que Mercúrio consegue chegar — e conseguiu escapar. Para colocar isto em perspetiva, o cometa penetrou tão profundamente no interior do Sistema Solar que se aproximou mais do Sol do que qualquer outro objeto que se conhece ter observado e sobrevivido.

Existe ainda uma última categoria teórica capaz de bater este recorde: os chamados cometas "sundiving" ou "sunstriking". Ao contrário dos cometas que apenas passam perigosamente perto da estrela, estes atravessariam a superfície visível do Sol, a fotosfera, mergulhando efetivamente na estrela. Para isso, um cometa teria de atingir um periélio inferior ao raio solar, aproximadamente 696 mil quilómetros medidos a partir do centro do Sol. Nenhum objeto deste género foi ainda detetado. E há uma diferença fundamental em relação ao Grande Cometa do Sul de 1887: não haveria viagem de regresso. Qualquer cometa que mergulhasse no Sol seria destruído. Assim, entre os objetos efetivamente observados, o recorde continua a pertencer ao Grande Cometa do Sul de 1887, que passou a apenas 718 mil quilómetros do centro da nossa estrela e conseguiu sobreviver à aproximação.

Os objetos cujas órbitas atravessam a de Mercúrio são conhecidos como Mercury-crossers, com trajetórias extremamente excêntricas que sugerem terem sido projetados para o interior do Sistema Solar a partir da cintura principal de asteroides
— Scott Sheppard, astrónomo da Carnegie Science
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