Negociador iraniano diz que acordo com EUA é 'difícil, mas possível'

Difícil, mas possível — com condições que não negociarei
Ghalibaf oferece esperança sobre o cessar-fogo com os EUA, mas reafirma que o Irã não reconhecerá Israel e manterá seu apoio armado regional.
Mark

Por que Ghalibaf escolheu fazer essas declarações durante o funeral de Khamenei, e não em outro momento?

Mimi

O funeral era um espaço onde a liderança iraniana se reunia com aliados regionais. Falar ali significava que essas posições eram ouvidas não apenas domesticamente, mas por Hamas, Hezbollah e outros atores que dependem do apoio iraniano. Era um momento de reafirmação.

Mark

Ele realmente acredita que um acordo é possível, ou estava apenas dizendo o que precisava dizer?

Mimi

Provavelmente ambos. Um negociador não diz "impossível" em público — isso encerraria as conversas. Mas a palavra "difícil" é honesta. Ele estava sinalizando que há espaço para movimento, mas dentro de limites muito específicos.

Mark

O acordo ignora completamente os mísseis e drones. Isso significa que o Irã venceu essa rodada?

Mimi

Não exatamente. Significa que ambos os lados concordaram em não tocar naquele terceiro rail por enquanto. O Irã conseguiu um acordo que não o força a desmantelar seus programas. Os EUA conseguiram um cessar-fogo. Mas é um acordo incompleto.

Mark

E quando os 60 dias terminarem?

Mimi

Então as questões reais voltam à mesa. O Irã terá que decidir se continua negociando ou se volta a uma postura mais confrontacional. Os EUA terão que decidir se aceita um Irã que continua armando grupos regionais. Ninguém resolveu nada ainda.

Mark

Qual é o risco maior aqui — que o acordo fracasse ou que suceda?

Mimi

Talvez que suceda de forma incompleta. Um acordo que alivia sanções mas deixa intactos os programas de mísseis e o apoio a grupos armados poderia criar uma falsa sensação de estabilidade enquanto os problemas subjacentes continuam crescendo.

  • O cessar-fogo de 60 dias entre Irã e EUA cobre sanções e o programa nuclear, mas deixa deliberadamente de fora o apoio iraniano a milícias e o desenvolvimento de mísseis e drones.
  • Ghalibaf reafirmou publicamente, em transmissão estatal, que o Irã não reconhecerá Israel e não tem paz com os Estados Unidos — sinalizando os limites rígidos de qualquer entendimento.
  • O apoio à 'frente de resistência' foi descrito como uma política de Estado permanente, exercida com mísseis quando necessário e com pressão diplomática quando conveniente.
  • A retórica de 'vingar' Khamenei por meio da 'libertação de Jerusalém' consolida a narrativa doméstica de resistência e sinaliza aos aliados regionais que Teerã não recua de seus objetivos estratégicos.
  • O que acontece ao fim dos 60 dias — quando as questões não resolvidas inevitavelmente ressurgirem — permanece a pergunta central sem resposta.

No contexto do funeral do Líder Supremo Ali Khamenei em Teerã, o principal negociador iraniano Mohammad Bagher Ghalibaf descreveu o acordo de cessar-fogo com os Estados Unidos como 'difícil, mas possível' — uma abertura cautelosa que, no entanto, vem acompanhada de condições inabaláveis. O Irã se dispõe a negociar sanções e questões nucleares, mas recusa qualquer reconhecimento de Israel e reafirma seu apoio contínuo a grupos armados regionais. O momento revela a natureza frágil de acordos que tocam apenas a superfície de conflitos cujas raízes permanecem intactas.

Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do país, falou com cautela durante o funeral do Líder Supremo Ali Khamenei em Teerã: o cessar-fogo recentemente assinado com os Estados Unidos é 'difícil, mas possível' de ser implementado. A formulação reconhece tanto os obstáculos quanto a viabilidade teórica do caminho à frente — mas o que veio a seguir deixou claro que essa possibilidade tem limites bem definidos.

Em conversa com o chefe do escritório político do Hamas, transmitida pela emissora estatal IRIB, Ghalibaf reafirmou que o Irã não possui paz com os EUA e não reconhecerá Israel. Foi ainda mais explícito sobre o apoio à chamada 'frente de resistência' — a rede de grupos armados regionais sustentada por Teerã: 'Quando necessário, esse apoio vem na forma de mísseis; quando é preciso exercer pressão política, essa pressão é aplicada por meio de negociações.' Não havia margem para ambiguidade.

Ghalibaf também afirmou que a 'vingança' pela morte de Khamenei se daria pela 'libertação de Jerusalém' — uma linguagem que conecta o luto do líder supremo à causa palestina e consolida, ao mesmo tempo, a base doméstica e os aliados regionais em torno de uma narrativa de resistência contínua.

O acordo firmado no mês anterior estabeleceu 60 dias de negociações sobre sanções econômicas, o programa nuclear iraniano e a reabertura do Estreito de Ormuz. Mas o texto não menciona o apoio a grupos armados nem os programas de drones e mísseis — exatamente as áreas que Ghalibaf acabou de reafirmar como prioridades inalteráveis. Ambos os lados concordaram em explorar um cessar-fogo, mas não em redefinir os interesses estratégicos que os colocaram em conflito. O que acontece quando os 60 dias terminarem permanece, por ora, em aberto.

Mohammad Bagher Ghalibaf, o principal negociador do Irã e presidente do Parlamento iraniano, ofereceu uma avaliação cautelosa sobre as perspectivas de um acordo duradouro com os Estados Unidos. Falando em Teerã durante o funeral do Líder Supremo Ali Khamenei, Ghalibaf descreveu a implementação do cessar-fogo recentemente assinado entre Irã e EUA como "difícil, mas possível" — uma formulação que reconhece tanto os obstáculos quanto a viabilidade teórica do caminho à frente.

Mas suas palavras subsequentes deixaram claro que essa possibilidade vem com condições não negociáveis. Em conversa com Muhammad Ismail Darwish, chefe do escritório político do Hamas que havia viajado a Teerã para o funeral, Ghalibaf reafirmou que o Irã não possui paz com os Estados Unidos e não reconhecerá Israel. Essas declarações não foram feitas em privado — foram transmitidas pela emissora estatal iraniana IRIB, garantindo que chegassem ao público doméstico e internacional como posição oficial.

O negociador iraniano também reiterou o compromisso contínuo de Teerã com o que descreve como a "frente de resistência", o termo que o governo iraniano usa para designar a rede de grupos armados regionais que recebe seu apoio. Ghalibaf foi explícito sobre a natureza desse apoio: "Quando necessário, esse apoio vem na forma de mísseis; quando é preciso exercer pressão política, essa pressão é aplicada por meio de negociações." A declaração não deixa margem para ambiguidade sobre o papel contínuo do Irã no financiamento e armamento de atores não-estatais na região.

Houve também uma dimensão simbólica em suas observações. Ghalibaf afirmou que a "vingança" pela morte de Khamenei se concretizaria através da "libertação de Jerusalém" — uma linguagem que conecta a perda do líder supremo à causa palestina e aos objetivos de longo prazo do Irã na região. Essa retórica serve múltiplos públicos: consolida a base doméstica em torno de uma narrativa de resistência contínua e sinaliza aos aliados regionais que o Irã não está abandonando seus compromissos estratégicos.

O acordo assinado no mês anterior entre Irã e Estados Unidos estabeleceu um cronograma de 60 dias para negociações sobre três questões principais: o alívio das sanções econômicas impostas ao Irã, o programa nuclear iraniano e a reabertura do Estreito de Ormuz, uma via marítima crítica para o comércio global de petróleo. No entanto, o texto do acordo não aborda o apoio iraniano a grupos armados regionais, nem menciona seus programas de desenvolvimento de drones e mísseis — exatamente as áreas que Ghalibaf acabava de reafirmar como prioridades contínuas.

Essa lacuna no acordo aponta para uma realidade mais ampla das negociações: enquanto ambos os lados concordaram em explorar um cessar-fogo, eles não concordaram em redefinir os interesses estratégicos fundamentais que os colocaram em conflito. O Irã está disposto a negociar sobre sanções e energia nuclear, mas não sobre sua postura em relação a Israel ou seu papel como potência regional que projeta influência através de redes de atores não-estatais. Os Estados Unidos, por sua vez, assinaram um acordo que deixa essas questões de lado — pelo menos por enquanto. O que acontece quando os 60 dias terminarem, e essas questões inevitavelmente ressurgirem, permanece em aberto.

Quando necessário, esse apoio vem na forma de mísseis; quando é preciso exercer pressão política, essa pressão é aplicada por meio de negociações
— Mohammad Bagher Ghalibaf, negociador iraniano
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