Há décadas, taxistas londrinos percorrem labirintos urbanos sem saber que estão esculpindo, rua a rua, uma defesa contra o esquecimento. Pesquisas recentes revelam que a navegação contínua em tempo real — aquela exigência de se localizar, recalcular e adaptar — fortalece o hipocampo, a região cerebral que o Alzheimer ataca primeiro. O que parece ser apenas um ofício se revela, à luz da neurociência, um exercício silencioso de resiliência cognitiva, com implicações que alcançam a forma como sociedades educam, treinam e envelhecem.