Nasa reformula sistemas das Voyager para estender operação até 2030

Somos como piratas operando no limite, porque é nossa única opção
Gerente da missão descreve a estratégia de risco necessária para manter as Voyagers funcionando com energia cada vez mais escassa.
Mark

Por que essas sondas ainda importam? Elas não tiram mais fotos, não transmitem imagens espetaculares como faziam nos anos 1980.

Mimi

Porque estão em um lugar que nenhum outro instrumento humano jamais alcançou — o espaço interestelar. Cada medição que fazem sobre campos magnéticos, densidade de plasma, partículas, tudo isso é dado que não temos de nenhum outro lugar.

Luke

Mas quanto tempo realmente? Eles dizem que podem chegar a 2030, 2031. Isso é especulação baseada em uma única operação bem-sucedida. Muita coisa pode dar errado.

Mimi

Verdade. Por isso chamam de "Big Bang" — é arriscado. Mas a alternativa é deixá-las morrer agora, quando ainda funcionam.

Mark

E a equipe? Spilker trabalha há quase 50 anos nisso?

Mimi

Não, ela entrou no lançamento, em 1977, como seu primeiro emprego. Depois saiu para Cassini. Voltou depois. É uma carreira inteira dedicada a essas máquinas.

Luke

Mas ela está reduzindo as horas. Isso sugere que talvez não haja tanta urgência institucional em manter isso vivo quanto a reportagem deixa parecer.

Mimi

Ou sugere que a Nasa conseguiu otimizar o trabalho o suficiente para que uma pessoa em meio período consiga gerenciar uma missão de 5 milhões de dólares por ano.

Mark

Cinco milhões é pouco?

Luke

Para a Nasa, é praticamente nada. Mas a pergunta real é: quanto tempo eles realmente acham que têm? Dois anos? Cinco? Dez?

Mimi

Ninguém sabe. Cada sistema está envelhecendo de forma imprevisível. Por isso eles estão fazendo isso agora — porque sabem que o fim é inevitável, mas não sabem quando.

  • Voyager 1 está a 25,7 bilhões de quilômetros de distância; Voyager 2 a 21,4 bilhões
  • Operação 'Big Bang' em julho de 2026 economizou 10 watts na Voyager 2, potencialmente estendendo missão até 2031
  • Energia disponível caiu de 470 watts originais para 216 watts na Voyager 2 e menos na Voyager 1
  • Apenas 3 dos 10 instrumentos científicos ainda funcionam na Voyager 2; 2 na Voyager 1
  • Orçamento anual de 5 milhões de dólares para manter ambas as sondas operacionais

As sondas Voyager, lançadas em 1977, continuam operacionais a bilhões de quilômetros da Terra, mas enfrentam falhas progressivas de energia e sistemas mecânicos. A equipe da Nasa realizou uma reformulação radical chamada 'Big Bang' na Voyager 2, economizando 10 watts e potencialmente estendendo a missão até 2031.

A Nasa implementa mudanças nos sistemas elétricos das sondas Voyager 1 e 2 para estender suas operações até 2030-2031, décadas após seu lançamento em 1977, enquanto enfrentam desafios de envelhecimento e escassez de energia.

Nshan Kazaryan tem 25 anos. As sondas Voyager, com as quais ele conversa diariamente como engenheiro da Nasa, têm 49. Ele é mais jovem do que as máquinas que tenta manter vivas — um detalhe que resume a situação peculiar em que se encontra o Laboratório de Propulsão a Jato, na Califórnia, neste momento da história da exploração espacial.

Quando Kazaryan envia um comando para uma das Voyagers, ele espera dias pela resposta. Um sinal de rádio leva esse tempo para fazer a jornada de ida e volta. A Voyager 1 está a 25,7 bilhões de quilômetros de distância; a Voyager 2, um pouco mais perto, a 21,4 bilhões. Para colocar isso em perspectiva: é mais de quatro vezes a distância até Plutão. Essas sondas gêmeas, lançadas em 1977, viajam a 48.280 quilômetros por hora, afastando-se continuamente. A Voyager 1 entrou no espaço interestelar em 2012; a Voyager 2 cruzou essa fronteira seis anos depois. Nenhuma criação humana jamais chegou tão longe.

Os engenheiros querem que continuem coletando observações sobre o que existe entre as estrelas pelo maior tempo possível. Mas a tarefa está se tornando cada vez mais difícil. As baterias de plutônio — geradores termoelétricos de radioisótopos, na linguagem técnica — estão enfraquecendo. Originalmente produziam cerca de 470 watts para cada sonda. Agora, a Voyager 2 opera com 216 watts; a Voyager 1, com um pouco menos. Conforme a energia diminuía ao longo das décadas, os instrumentos científicos foram sendo desligados um após o outro. Na Voyager 2, apenas 3 dos 10 instrumentos ainda coletam dados. Na Voyager 1, restam dois. "À medida que uma pessoa envelhece, passa a ter problemas. Com uma nave espacial é parecido. Quanto mais velha fica, mais problemas surgem", disse Kazaryan.

Três problemas crônicos estão lentamente levando as sondas ao fim. O primeiro é o entupimento das linhas de combustível por resíduos de uma bolsa de silicone que empurra a hidrazina — o propelente — do tanque para os propulsores. É como artérias obstruídas pelo colesterol, mas numa espaçonave. Se muitos propulsores falharem, a sonda não conseguirá manter sua antena apontada para a Terra. Sem comunicação, estará perdida. O segundo desafio é manter as linhas de combustível aquecidas o suficiente; a hidrazina congelada bloquearia as linhas e danificaria os propulsores. O terceiro, e mais urgente, é a escassez de energia elétrica para alimentar os aquecedores e todos os outros sistemas.

Kareem Badaruddin, gerente da missão Voyager, descreveu a situação com uma metáfora reveladora: "Somos como piratas. Ninguém gosta de operar tão perto do limite, mas já nos sentimos bastante à vontade com isso, porque é a nossa única opção." Em julho de 2026, a equipe realizou o que chamou de "Big Bang" na Voyager 2 — um remanejamento radical dos sistemas elétricos que permitiu economizar cerca de 10 watts de potência. Esse pequeno ganho, suficiente para alimentar uma ou duas lâmpadas, pode prolongar a missão em aproximadamente dois anos, levando-a até 2031. A operação foi realizada em três etapas, para minimizar o risco de perder a espaçonave. Primeiro, em maio, a sonda recebeu a ordem de mudar para a nova configuração por 40 minutos, apenas para verificar se sistemas nunca antes ligados de fato funcionariam. Um mês depois, permaneceu na nova configuração por seis horas. Por fim, no mês passado, a mudança tornou-se permanente. Nas próximas semanas, os engenheiros concluirão o processo de rejuvenescimento da Voyager 1, na esperança de que possa continuar funcionando até 2030.

Suzanne Dodd atua como gerente do projeto Voyager desde 2010. "Há sempre a preocupação de que algo possa dar errado", disse ela. Mas ela está bastante confiante de que ambas as sondas chegarão ao 50º aniversário de seus lançamentos, que ocorrerá em 1977 — digo, em 2027. Cada ano adicional traz a possibilidade de uma descoberta. Em meados de 2020, a Voyager 1 observou uma grande alteração no campo magnético do espaço interestelar, acompanhada de uma forte mudança na densidade do plasma de partículas carregadas ao seu redor. Essa alteração persiste até hoje. "Não sabemos por quê", disse Jamie Rankin, vice-cientista do projeto, da Universidade de Princeton. "É algo estranho." Em comparação com as partículas que o Sol expele para o Sistema Solar, o espaço interestelar contém "uma mistura diferente de gases e apresenta um comportamento distinto".

Linда J. Spilker, cientista planetária do Laboratório de Propulsão a Jato, fazia parte da missão quando ela foi lançada, em seu primeiro emprego após a faculdade. Depois, transferiu-se para a missão Cassini, que orbitou Saturno por 13 anos, antes de retornar à Voyager. Ela já reduziu sua jornada de trabalho para meio período, o que ajuda a manter as operações das Voyagers dentro de um orçamento anual de 5 milhões de dólares — uma verba ínfima em comparação com a de muitas outras missões da agência espacial. Questionada sobre o que faria após o 50º aniversário, inicialmente disse que ainda não havia se decidido. Mas no dia seguinte, enviou um email dizendo que a pergunta a havia pegado de surpresa. "Depois de pensar melhor, percebi que quero estar presente quando cada Voyager silenciar e nós, como equipe, nos despedirmos."

À medida que uma pessoa envelhece, passa a ter problemas. Com uma nave espacial é parecido. Quanto mais velha fica, mais problemas surgem.
— Nshan Kazaryan, engenheiro da Nasa
Somos como piratas. Ninguém gosta de operar tão perto do limite, mas já nos sentimos bastante à vontade com isso, porque é a nossa única opção.
— Kareem Badaruddin, gerente da missão Voyager
Quero estar presente quando cada Voyager silenciar e nós, como equipe, nos despedirmos.
— Linda J. Spilker, cientista planetária
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