Boeing recebe mais financiamento apesar do voo inaugural caótico de 2024, classificado como Falha Classe A, mesma categoria dos desastres do Challenger e Columbia. NASA enfrenta falta de opções: SpaceX retira Dragon do mercado, deixando Starliner como única alternativa americana para acesso à ISS após 2030.
NASA mantém Starliner e se prepara para aposentar Dragon até 2030
Quando a Dragon sair de cena, a Boeing terá monopólio
Por que a NASA não simplesmente deixa a Boeing de lado e aposta tudo na SpaceX?
Porque o Congresso nunca permitiu isso. Desde o início, havia pressão política para que a Boeing participasse — ninguém lá tinha simpatia pelo Elon Musk.
Mas isso foi há anos. A SpaceX provou que funciona. Por que a NASA não pode mudar de rumo agora?
Porque a SpaceX já decidiu aposentar a Dragon até 2030. Sem ela, não há alternativa americana.
E se a Starliner não estiver pronta até lá?
Então os americanos alugam assentos em foguetes russos. A um preço muito mais alto.
Quanto mais alto? Porque o artigo não diz.
Não há números públicos. Mas historicamente, a Rússia cobrava muito mais quando tinha monopólio.
A Starship não poderia resolver isso?
Teoricamente sim. Ela poderia se acoplar à ISS como os antigos ônibus espaciais.
Mas o cronograma é incerto. "Elon Time" é famoso por ser otimista demais.
Então estamos presos à Boeing por falta de opção?
Exatamente. É uma situação de desespero disfarçada de planejamento.
El Pulso
- NASA investe mais US$ 359 milhões na Starliner, totalizando US$ 4,749 bilhões
- Voo inaugural de 2024 classificado como Falha Classe A, mesma categoria do Challenger e Columbia
- SpaceX vai aposentar a Crew Dragon até 2030, deixando Starliner como única alternativa americana
- Primeira missão tripulada da Starliner prevista para 2028
- Boeing sofreu prejuízo total de US$ 2 bilhões com o programa
Boeing recebe mais financiamento apesar do voo inaugural caótico de 2024, classificado como Falha Classe A, mesma categoria dos desastres do Challenger e Columbia. NASA enfrenta falta de opções: SpaceX retira Dragon do mercado, deixando Starliner como única alternativa americana para acesso à ISS após 2030.
A NASA decidiu manter a cápsula Starliner da Boeing como opção de transporte para astronautas à ISS, investindo mais US$ 359 milhões, após SpaceX confirmar aposentadoria da Dragon até 2030.
A Boeing conseguiu o improvável: a NASA decidiu manter a cápsula CST-100 Starliner como plataforma de transporte para astronautas e carga rumo à Estação Espacial Internacional, dois anos depois de um voo inaugural que quase terminou em desastre. A decisão chega acompanhada de mais US$ 359 milhões em financiamento federal, levando o orçamento total do programa a US$ 4,749 bilhões — ou US$ 791,5 milhões por missão.
O motivo da escolha é simples e desconfortável: falta de alternativas. A SpaceX anunciou que vai aposentar a Crew Dragon até 2030, deixando a agência espacial americana sem opções. Quando isso acontecer, se a Starliner não estiver operacional e confiável, os Estados Unidos enfrentarão um cenário sombrio: alugar assentos em foguetes russos Soyuz — a um preço muito mais alto do que pagava antes — ou ficar sem acesso à estação. A situação levantou preocupações sobre o estabelecimento de um monopólio da Boeing no acesso americano ao espaço.
Na segunda-feira 28 de setembro, Boeing e NASA apresentaram um plano conjunto que inclui pelo menos dois lançamentos adicionais além dos quatro já agendados. O primeiro, não tripulado e apenas com carga, está marcado para entre dezembro de 2026 e janeiro de 2027, servindo como teste de segurança e capacidade. Se passar, três missões tripuladas serão agendadas posteriormente. A primeira delas, Starliner-2, está prevista para 2028.
Os números revelam uma disparidade incômoda. Enquanto a Boeing recebe US$ 4,749 bilhões para entregar um número indeterminado de missões, a SpaceX recebeu US$ 4,93 bilhões para desenvolver a Dragon e entregar 15 missões — resultando em US$ 328,7 milhões por lançamento. A economia não é ainda maior porque a NASA limita cada voo a quatro astronautas, independentemente da cápsula, embora a Crew Dragon possa transportar até seis com relativo conforto.
O histórico que levou a essa situação é longo e complicado. O Programa de Tripulações Comerciais da NASA só saiu do papel porque o Congresso insistiu que a Boeing participasse — ninguém lá tinha simpatia pela SpaceX e por Elon Musk. Essa preferência vinha dos tempos de contratos tradicionais, como o do foguete SLS, onde o projeto é uma plataforma política. Mas quando a Crew Dragon decolou em 2020, a Starliner continuava atrasada, consumindo recursos. Enquanto isso, a cultura interna da Boeing mudou radicalmente, com a administração passando para "contadores de feijões" do setor financeiro que priorizavam economia sobre segurança — o mesmo padrão que produziu o desastre do 737 Max.
Em maio de 2024, a Starliner finalmente subiu. O que aconteceu em seguida foi uma sequência de falhas de propulsão que deixou a cápsula à beira do colapso estrutural. Os astronautas Butch Wilmore e Suni Williams conseguiram acoplar manualmente a cápsula à ISS e evitar uma tragédia. Em 2026, a NASA classificou o incidente como uma "Falha Classe A" — a mesma categoria atribuída aos desastres dos ônibus espaciais Challenger e Columbia. A Boeing sofreu um prejuízo total de US$ 2 bilhões com o programa.
Agora a agência exigiu 61 recomendações de modificações, algumas já implementadas para a próxima missão. A NASA está em modo Tolerância Zero. O que incomoda alguns observadores é o cenário futuro: quando a Dragon sair de cena e até que uma plataforma concorrente seja estabelecida, a Boeing exercerá um monopólio de acesso à ISS. A Agência Espacial Europeia também não possui cápsula própria e depende das companhias americanas. Tecnicamente, a SpaceX tem a Starship como sucessora potencial — ela poderia se acoplar à estação de forma similar aos antigos ônibus espaciais. Mas há um problema: o cronograma de Elon Musk é notoriamente imprevisível.
Citas Notables
Os astronautas Butch Wilmore e Suni Williams conseguiram acoplar manualmente a cápsula à ISS e evitaram uma tragédia espacial— Relatório da NASA sobre o incidente de 2024