Ninguém achava que isso seria possível
Por duas décadas, o telescópio Swift varreu o cosmos em busca das maiores explosões do universo; agora, é ele quem precisa ser salvo. A atividade solar intensa está puxando sua órbita para baixo, e a Nasa respondeu com uma aposta de US$ 30 milhões em algo que os americanos nunca tentaram: enviar um robô autônomo para capturar e elevar um observatório espacial antes que ele caia. A missão, que começa esta semana nas Ilhas Marshall, não é apenas um resgate — é um ensaio para um novo capítulo da presença humana no espaço.
- O Swift está em queda livre orbital: a atividade solar intensa reduziu sua altitude para 360 km e ele atingirá o ponto de não retorno em outubro.
- A Nasa desligou todos os instrumentos científicos do telescópio em fevereiro para desacelerar a descida, sacrificando meses de observações para ganhar tempo.
- Um robô do tamanho de uma geladeira, com três braços e garras inspiradas em minifiguras de Lego, será lançado na terça-feira a bordo de um foguete Pegasus disparado de um avião sobre um atol no Pacífico.
- O Link levará um mês para capturar o Swift e vários meses para empurrá-lo até 600 km de altitude — com retorno às observações científicas previsto para setembro.
- Se bem-sucedida, a operação abre um mercado inteiramente novo de manutenção orbital e pode pavimentar o caminho para o resgate do Hubble em 2028.
O telescópio Swift, lançado em 2004 para caçar as maiores explosões do universo, está perdendo altitude rapidamente por causa da intensa atividade solar. Para evitar que um instrumento avaliado em centenas de milhões de dólares — e uma capacidade científica insubstituível — se perca na reentrada atmosférica, a Nasa contratou a startup Katalyst Space Technologies por US$ 30 milhões para executar algo sem precedentes na história espacial americana.
O plano começa na terça-feira, 30 de junho, com o lançamento do robô Link a partir de um atol nas Ilhas Marshall, a bordo de um foguete Pegasus carregado por avião. O Link, do tamanho de uma pequena geladeira com painéis solares de 12 metros de envergadura, possui três braços com garras que lembram mãos de minifiguras de Lego. Ele levará cerca de um mês para encontrar e capturar o Swift, e vários meses adicionais para elevar sua órbita de 360 para 600 quilômetros — altitude onde o telescópio poderá operar com estabilidade. A expectativa é que o Swift retome as observações em setembro.
A urgência é concreta: o Swift precisa estar acima de 300 km para que o resgate seja viável, e as estimativas indicam que chegará a esse limite crítico em outubro. Em fevereiro, a Nasa já havia desligado todos os instrumentos científicos do telescópio para reduzir o arrasto e ganhar tempo. Nicky Fox, chefe de missões científicas da agência, foi direta: perder o Swift significaria perder uma capacidade que não há orçamento para reconstruir.
O que torna o Swift especialmente valioso é sua agilidade — ele consegue girar rapidamente para capturar eventos astronômicos imprevistos, como explosões de raios gama. Com novos telescópios como o Webb e o Roman em operação, o Swift seria mais requisitado do que nunca como primeiro respondente cósmico da Nasa.
Para a Katalyst, porém, o Swift é apenas o ponto de partida. A empresa imagina frotas de robôs orbitais capazes de consertar, reabastecer e até construir estruturas no espaço. Um modelo mais avançado do Link está previsto para 2025, com alcance de até 35.800 km de altitude. O Hubble, que também perde altitude gradualmente, pode ser o próximo a receber esse tipo de intervenção em 2028. A China já realizou uma operação semelhante há quatro anos; agora, se o resgate do Swift funcionar, os americanos terão provado que a manutenção orbital é um negócio viável — e um novo mercado estará aberto.
O telescópio Swift está caindo. Lançado em 2004, o observatório de raios gama passou duas décadas vasculhando o cosmos em busca das maiores explosões do universo. Mas nos últimos meses, a atividade solar intensa tem puxado sua órbita para baixo com velocidade crescente. Agora, a Nasa está apostando US$ 30 milhões em uma operação de resgate que começa esta semana: um robô autônomo de três braços será lançado para alcançar o Swift e empurrá-lo para uma órbita mais segura, antes que seja tarde demais.
A missão é ousada porque ninguém a tentou antes — pelo menos não os americanos. A Nasa contratou a startup Katalyst Space Technologies para construir e operar o robô, chamado Link, que será lançado de um atol nas Ilhas Marshall a bordo de um foguete Pegasus lançado por avião. A decolagem está marcada para terça-feira, 30 de junho. Uma vez no espaço, o Link levará cerca de um mês para encontrar e capturar o Swift, que atualmente orbita a 360 quilômetros de altitude. O robô então passará vários meses empurrando o telescópio para 600 quilômetros acima da Terra — uma órbita mais estável onde ele poderá continuar operando. Se tudo correr bem, o Swift voltará a fazer observações em setembro.
O que torna essa operação tão extraordinária é que o Swift nunca foi projetado para ser reparado, muito menos resgatado manualmente. O telescópio, avaliado em centenas de milhões de dólares, é um instrumento delicado que ninguém imaginava que precisaria de intervenção no espaço. O Link, do tamanho de uma pequena geladeira de cozinha com painéis solares de 12 metros de envergadura, possui três braços equipados com garras que lembram as mãos de uma minifigura de Lego. Cada braço alcança pouco mais de um metro. Não há garantia de que o resgate funcionará. A Nasa assinou o contrato com a Katalyst em setembro passado com apenas dois pedidos: faça rápido, mas não piore as coisas.
A urgência é real. O Swift precisa estar acima de 300 quilômetros de altitude para que o resgate tenha sucesso. Segundo as estimativas mais recentes, ele atingirá esse ponto crítico em outubro. Para ganhar tempo, a Nasa desligou todos os instrumentos científicos do telescópio em fevereiro, interrompendo as observações para desacelerar sua descida. Shawn Domagal-Goldman, diretor de astrofísica da Nasa, reconheceu a dificuldade: ninguém acreditava que isso seria possível. Nicky Fox, chefe de missões científicas da Nasa, explicou por que vale a pena o esforço: se deixassem o Swift reentrar na atmosfera, perderiam não apenas um telescópio, mas uma capacidade científica que não têm orçamento para reconstruir.
O Swift é especial porque foi projetado para ser rápido — fiel ao seu nome. Ele consegue girar rapidamente para capturar eventos astronômicos de última hora, como explosões de raios gama e estrelas em explosão. Com novos telescópios como o Webb e o Roman em operação ou prestes a estar, o Swift, se for salvo, estaria mais ocupado do que nunca como o primeiro respondente da Nasa para eventos cósmicos inesperados.
Mas a Katalyst vê o Swift como apenas o começo. A empresa imagina um futuro onde centenas de robôs orbitam a Terra, não apenas consertando e elevando satélites, mas também reabastecendo-os e construindo estruturas no espaço. Ghonee Lee, CEO da Katalyst, disse à Associated Press que este é o primeiro robô espacial americano a realizar uma tarefa assim. A empresa está desenvolvendo um robô ainda mais avançado que será lançado no próximo ano, capaz de trabalhar em satélites em órbitas muito mais altas, até 35.800 quilômetros. O Hubble, o telescópio de 36 anos que também está perdendo altitude, poderia receber um impulso semelhante em 2028.
O que a Katalyst está provando com essa missão, segundo Lee, é que existe uma nova estratégia disponível no manual de táticas espaciais. A China já fez algo parecido há quatro anos, lançando com sucesso um satélite para uma órbita de descarte mais elevada. Agora é a vez dos americanos. Se o resgate do Swift funcionar, abrirá as portas para um mercado inteiramente novo: a manutenção e reparação de satélites no espaço, um serviço que poderia estender a vida útil de observatórios e satélites de comunicação por anos ou décadas.
Notable Quotes
Este é o primeiro robô espacial americano a subir ao espaço e realizar algo assim. A Nasa tem todos esses grandes observatórios antigos… todos eles podem se beneficiar de um serviço como esse.— Ghonee Lee, CEO da Katalyst Space Technologies
Se deixássemos o Swift reentrar na atmosfera, perderíamos aquele telescópio. Perderíamos muita capacidade. No momento, não temos orçamento para construir outro que o substitua.— Nicky Fox, chefe de missões científicas da Nasa
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que o Swift está caindo agora, depois de 22 anos em órbita?
A atividade solar recente tem sido intensa. O Sol entra em erupção, e essas explosões solares criam uma atmosfera expandida que puxa os satélites para baixo. É como se a Terra estivesse respirando mais fundo.
E por que não deixar o Swift cair? Qual é o valor real de um telescópio de 22 anos?
O Swift faz algo que nenhum outro telescópio faz bem: ele consegue virar rapidamente para capturar eventos que acontecem de repente no universo. Com o Webb e o Roman gerando descobertas, o Swift seria mais valioso agora do que nunca. Além disso, não há orçamento para construir outro.
Um robô do tamanho de uma geladeira vai empurrar um telescópio inteiro para uma órbita mais alta? Como isso é possível?
O Link tem três braços com garras. Ele vai se acoplar ao Swift e usar seus propulsores para empurrá-lo gradualmente. Não é uma manobra brusca — é um processo que levará vários meses.
Qual é o risco real aqui?
O Swift nunca foi projetado para ser tocado. Ninguém sabe exatamente como ele vai reagir ao contato com o robô. A Nasa pediu à Katalyst uma coisa simples: faça rápido, mas não piore as coisas.
E se funcionar? O que muda?
Muda tudo. De repente, satélites antigos não precisam ser descartados. Você pode consertá-los, reabastecê-los, até construir estruturas no espaço. É um mercado completamente novo.