Mais de meio século após o último ser humano pisar na Lua, a NASA retoma essa jornada com a missão Artemis II, lançada nesta quarta-feira do Centro Espacial Kennedy. A bordo, uma tripulação inédita — que inclui uma mulher, um homem negro e um cidadão canadense — representa não apenas um avanço técnico, mas uma redefinição de quem pertence ao cosmos. O sobrevoo de dez dias não é um destino, mas um limiar: o primeiro passo calculado rumo a um pouso lunar em 2028 e, além disso, a Marte.
Nasa lança Artemis II rumo à Lua após 54 anos com tripulação histórica
Toda vez que há disputa para chegar em algum lugar novo, a tecnologia avança muito rápido
Por que esperar 54 anos para voltar à Lua? Não tínhamos tecnologia para fazer isso antes?
Tínhamos tecnologia, mas não tínhamos prioridade política nem financiamento. A corrida espacial da Guerra Fria terminou, e com ela, a urgência. Agora há razões científicas e geopolíticas renovadas.
Mas vale notar que essa é uma missão de sobrevoo, não de pouso. O pouso vem depois, em 2028. Não é exatamente o mesmo que 1969.
E por que essa tripulação é tão importante? Qual é a diferença?
É a primeira vez que uma mulher, um homem negro e alguém de fora dos EUA vão à Lua. Simbolicamente, muda quem tem permissão para estar lá. Praticamente, traz perspectivas diferentes.
Verdade, mas o comunicado não explica se houve critério científico específico ou se foi uma decisão de representatividade. Ambas as coisas podem ser verdadeiras, mas não sabemos.
Quatro bilhões de dólares é muito dinheiro. O que justifica esse custo?
Você está testando sistemas que precisam funcionar perfeitamente. Cada componente, cada procedimento. Se algo falhar na Lua, não há resgate fácil. Além disso, você está desenvolvendo tecnologia que vai para Marte depois.
O especialista mencionado no texto fala sobre GPS e inovações da Guerra Fria, mas não há números sobre quanto a Artemis II especificamente vai gerar em tecnologia comercial. É uma aposta, não uma garantia.
Il Polso
- Após 54 anos de silêncio lunar, os Estados Unidos relançam sua presença no satélite com uma missão que carrega o peso simbólico de décadas de espera e ambição renovada.
- A tripulação histórica — Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen — rompe barreiras de gênero, raça e nacionalidade que nunca haviam sido cruzadas em missões à Lua.
- Com um custo de aproximadamente US$ 4 bilhões, a Artemis II pressiona a NASA a demonstrar que cada sistema a bordo funciona com precisão, pois qualquer falha pode comprometer o pouso planejado para 2028.
- Especialistas alertam que a corrida espacial atual, assim como a da Guerra Fria, tende a acelerar inovações tecnológicas — do GPS a materiais avançados — que transformam a vida cotidiana na Terra.
- A missão aterra hoje às 19h24 (horário de Brasília) como ponto de partida de uma visão que já mira Marte, tornando os próximos dez dias um teste decisivo para o futuro da exploração humana do espaço.
Mais de meio século após o último ser humano pisar na Lua, a NASA retoma essa jornada com a missão Artemis II, lançada nesta quarta-feira do Centro Espacial Kennedy. A bordo, uma tripulação inédita — que inclui uma mulher, um homem negro e um cidadão canadense — representa não apenas um avanço técnico, mas uma redefinição de quem pertence ao cosmos. O sobrevoo de dez dias não é um destino, mas um limiar: o primeiro passo calculado rumo a um pouso lunar em 2028 e, além disso, a Marte.
Cinquenta e quatro anos separam o último passo humano na Lua do próximo. Nesta quarta-feira, a NASA lança a missão Artemis II do Centro Espacial Kennedy, em Cabo Canaveral, com decolagem prevista para as 19h24 (horário de Brasília). Mais do que um feito técnico, o retorno americano ao satélite representa uma mudança profunda em quem será autorizado a estar lá.
A tripulação é composta por Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch — todos americanos — e Jeremy Hansen, do Canadá. Pela primeira vez em uma missão lunar, uma mulher, um homem negro e um cidadão não americano fazem parte da jornada. O voo não pousará no satélite; esse objetivo está reservado para 2028. A Artemis II testará os sistemas que tornarão esse pouso possível, a um custo de cerca de US$ 4 bilhões.
Os planos americanos transcendem a Lua. A experiência acumulada neste sobrevoo de dez dias servirá de base para missões a Marte, expandindo a presença humana além da órbita terrestre. Pedro Pallotta, especialista em Astronáutica, ressaltou que estar na Lua permitirá aos cientistas compreender o solo lunar, a presença de água e a formação do satélite — conhecimento essencial para que humanos possam viver no espaço. Ele também traçou um paralelo com a corrida espacial da Guerra Fria: aquela competição geopolítica acelerou tecnologias hoje onipresentes, como o GPS, e o mesmo padrão tende a se repetir agora.
A Artemis II é, portanto, um reinício com novos atores, objetivos científicos mais claros e uma visão que se estende muito além da Lua. Os próximos dez dias dirão se os sistemas funcionam como planejado — abrindo o caminho para o pouso que virá a seguir e para as ambições marcianas já desenhadas nos escritórios da NASA.
Cinquenta e quatro anos separam o último passo humano na Lua do próximo. Nesta quarta-feira, 1º de abril, a Nasa lança a missão Artemis II do Centro Espacial Kennedy, em Cabo Canaveral, na Flórida, com decolagem prevista para as 19h24 (horário de Brasília). O retorno americano ao satélite terrestre marca não apenas um feito técnico, mas uma mudança profunda em quem será autorizado a estar lá.
A tripulação que sobrevoará a Lua durante dez dias é composta por Reid Wiseman e Victor Glover, astronautas americanos, Christina Koch, também americana, e Jeremy Hansen, do Canadá. Pela primeira vez em uma missão lunar, uma mulher, um homem negro e um cidadão não americano farão parte da jornada. O voo não pousará no satélite — esse é o objetivo de uma missão posterior, planejada para 2028 — mas testará os sistemas que tornarão esse pouso possível.
Os planos americanos transcendem a Lua. Uma vez que os astronautas retornarem do sobrevoo, a agência espacial pretende usar a experiência acumulada para lançar-se em direção a Marte, expandindo a presença humana além da órbita terrestre. O custo dessa ambição é substancial: aproximadamente quatro bilhões de dólares, ou vinte bilhões de reais, apenas para a Artemis II.
Pedro Pallotta, especialista em Astronáutica do Canal Space Orbit, conversou com a Rádio Eldorado diretamente do complexo da Nasa na Flórida e ressaltou por que essa missão importa além dos objetivos imediatos. Estar na Lua, segundo ele, permitirá que cientistas entendam detalhes cruciais do solo lunar, da presença de água e da formação do satélite — conhecimento essencial para desenvolver tecnologias que permitam aos humanos viver no espaço. Pallotta também traçou uma linha entre a corrida espacial da Guerra Fria e o presente: aquela competição geopolítica, apesar de suas tensões, acelerou o desenvolvimento de tecnologias que hoje são onipresentes na vida cotidiana, como o GPS. Toda vez que há disputa para alcançar um novo território, especialmente no universo — a fronteira final, como ele a chamou — a tecnologia avança rapidamente e traz melhorias práticas para as pessoas na Terra.
A Artemis II representa, portanto, mais que um retorno. É um reinício com novos atores, objetivos científicos mais claros e uma visão que se estende além da Lua. Os próximos dez dias determinarão se os sistemas funcionam como planejado, abrindo o caminho para o pouso que virá em seguida e para as ambições marcianas que já estão sendo desenhadas nos escritórios da Nasa.
Citazioni salienti
Apenas estando lá, a gente vai poder entender a maioria dos detalhes do solo, da água, de como foi formada a nossa Lua e como a gente pode desenvolver tecnologia para viver no espaço.— Pedro Pallotta, especialista em Astronáutica do Canal Space Orbit