Há uma assimetria silenciosa no modo como Portugal narra a si próprio: enquanto a atenção mediática se fixa em escândalos políticos com uma intensidade quase ritual, acontecimentos culturais de substância real — livros, festivais, peças de teatro que esgotam salas e atravessam gerações — passam sem que ninguém os conte verdadeiramente. A distinção que está em causa não é entre o importante e o trivial, mas entre noticiar e narrar, entre mencionar e compreender. O verão, estação que dilata o tempo e amplia o que toca, seria o momento propício para essa distinção se tornar visível — se houvesse