A riqueza mediana recuou na maioria dos países enquanto a média avançava
Em 2025, a riqueza pessoal global cresceu 10,8% — o ritmo mais intenso desde 2017 —, criando quase um milhão de novos milionários e elevando o número de bilionários a um recorde histórico. A valorização dos mercados financeiros e o enfraquecimento do dólar foram os ventos que inflaram esse patrimônio coletivo, com os Estados Unidos concentrando quase metade dos novos endinheirados. Mas por trás do número impressionante, a riqueza mediana recuou na maioria dos países, lembrando que uma maré alta não ergue todos os barcos na mesma medida.
- A riqueza global avançou 10,8% em 2025, mais que o dobro do crescimento registrado nos dois anos anteriores combinados — um salto que surpreendeu analistas.
- A desvalorização do dólar amplificou os números: patrimônios em outras moedas ficaram automaticamente mais valiosos quando convertidos, inflando as estatísticas globais.
- Os EUA concentraram mais de 440 mil dos novos milionários criados, enquanto 19 pessoas já acumulam fortunas superiores a 100 bilhões de dólares cada — 15 delas americanas.
- O número de bilionários cresceu 13,1%, chegando a 3.302, e seu patrimônio coletivo saltou 25% até abril de 2026 — ritmo muito superior ao da riqueza global como um todo.
- A riqueza mediana recuou na maioria dos 56 mercados analisados pelo UBS, revelando que a expansão beneficiou desproporcionalmente quem já estava no topo da pirâmide.
Em 2025, a riqueza pessoal global cresceu 10,8% — a maior aceleração desde 2017 —, criando quase um milhão de novos milionários em dólares. O Relatório Anual sobre Riqueza Global do UBS, que analisou 56 mercados responsáveis por mais de 92% do patrimônio mundial, coloca o número em perspectiva: em 2024, o crescimento havia sido de apenas 4,6%.
Três forças impulsionaram esse desempenho: a valorização de ações e títulos, o aumento geral do valor dos ativos e, frequentemente subestimado, o enfraquecimento do dólar frente a outras moedas. Quando a moeda americana perde força, patrimônios denominados em outras divisas ficam mais valiosos na conversão — o que inflou os números globais de forma significativa.
Os Estados Unidos foram o grande motor do fenômeno. De quase um milhão de novos milionários, mais de 440 mil vivem no país — praticamente metade do total global. No topo extremo da pirâmide, 19 pessoas já acumulam fortunas superiores a 100 bilhões de dólares, 15 delas americanas.
Mas a história tem uma sombra. Enquanto a riqueza média avançou em vários mercados, a riqueza mediana recuou na maioria dos países analisados — sinal de que os ganhos se concentraram nas mãos de poucos. O número de bilionários atingiu recorde de 3.302 pessoas, e seu patrimônio coletivo cresceu 25% até abril de 2026, ritmo muito superior ao da riqueza global como um todo. A expansão foi real, mas beneficiou principalmente quem já era rico.
Em 2025, a riqueza pessoal global saltou 10,8%, a maior aceleração desde 2017. Esse crescimento acelerado criou quase um milhão de novos milionários em dólares — um marco histórico que reflete a força dos mercados financeiros e a dinâmica das moedas globais naquele ano.
O Relatório Anual sobre Riqueza Global do UBS, divulgado no final de junho, analisou 56 mercados que concentram mais de 92% da riqueza mundial. O número é impressionante quando colocado em perspectiva: em 2024, a riqueza global havia crescido apenas 4,6%, e em 2023, 4,2%. O salto de 2025 marca uma mudança clara na trajetória.
Três fatores principais explicam esse desempenho. Primeiro, a valorização dos mercados financeiros — ações, títulos e outros ativos subiram de valor. Segundo, o aumento do valor de diferentes classes de ativos em geral. Terceiro, e frequentemente subestimado, a desvalorização do dólar frente a outras moedas ao longo do ano. Quando a moeda americana enfraquece, o patrimônio denominado em outras moedas fica mais valioso quando convertido para dólares. Isso inflou os números globais de forma significativa.
Os Estados Unidos foram o grande motor desse crescimento. De quase um milhão de novos milionários criados globalmente, mais de 440 mil vivem nos EUA — praticamente metade. O país concentrou a maior parte do dinamismo econômico e da valorização de ativos do período.
Mas há uma sombra nessa história de expansão. Enquanto a riqueza média avançou em diversos mercados, a riqueza mediana recuou na maioria dos países analisados. Essa divergência é crucial: ela revela que os ganhos não foram distribuídos de forma homogênea. Alguns ficaram muito mais ricos; muitos outros ficaram para trás. A concentração de patrimônio aumentou.
O fenômeno é ainda mais pronunciado no topo da pirâmide. O número de bilionários atingiu um novo recorde em 2025, crescendo 13,1% para chegar a 3.302 pessoas. Mais impressionante ainda: o patrimônio acumulado por esses bilionários aumentou 25% até abril de 2026, bem acima do crescimento de 10,8% da riqueza global como um todo. Os mais ricos estão ficando ricos muito mais rápido que o resto.
Nos estratos mais altos, a concentração é extrema. Existem agora 19 pessoas com patrimônio superior a 100 bilhões de dólares, das quais 15 vivem nos Estados Unidos. Outras 18 possuem fortunas entre 50 bilhões e 100 bilhões de dólares. Essas 37 pessoas — menos de 0,0005% da população global — controlam uma riqueza que continua a crescer em ritmo acelerado.
O relatório do UBS, portanto, conta uma história de dois movimentos simultâneos: expansão geral da riqueza e concentração crescente no topo. A criação de quase um milhão de novos milionários é real e significativa. Mas o fato de que a riqueza mediana recuou em quase todos os lugares sugere que essa expansão beneficiou principalmente aqueles que já eram ricos.
Notable Quotes
A riqueza cresceu em todos os mercados analisados, embora em ritmos diferentes— Relatório Anual sobre Riqueza Global do UBS
O patrimônio acumulado pelos bilionários aumentou 25% até abril de 2026, acima do crescimento observado para a riqueza global— Relatório Anual sobre Riqueza Global do UBS
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que a desvalorização do dólar importa tanto nesse número? Parece um detalhe técnico.
Não é detalhe. Se você tem patrimônio em euros, libras ou ienes, e o dólar enfraquece, seu patrimônio vale mais quando convertido para dólares. O UBS mede tudo em dólares. Então parte desse crescimento de 10,8% é ilusão de ótica — câmbio, não criação real de valor.
Entendi. Mas mesmo assim, quase um milhão de novos milionários é um número enorme.
É. Mas note que 440 mil deles estão nos EUA. O resto do mundo — 195 países — criou apenas 560 mil. A concentração geográfica é tão severa quanto a concentração de riqueza.
E por que a riqueza mediana caiu se a média subiu? Isso parece contraditório.
Não é contraditório, é exatamente o que acontece em concentração extrema. Alguns bilionários ficam muito mais ricos, puxam a média para cima. Mas a maioria das pessoas fica estagnada ou piora. A mediana cai porque mais da metade está para trás.
Então esse crescimento de 10,8% não significa que as pessoas ficaram mais ricas em geral?
Significa que a riqueza global cresceu. Não significa que a pessoa mediana ficou mais rica. São coisas diferentes. E é por isso que o relatório é importante — mostra que estamos em um mundo onde a expansão econômica e a desigualdade crescem juntas.