Mundo alcança 3 terawatts de energia solar em 2026, marcando expansão sem precedentes

Sem armazenamento de energia suficiente, não é possível maximizar o potencial da energia solar
A limitação crucial que pode determinar se a expansão solar consegue sustentar seu ritmo de crescimento nos próximos anos.
Mark

Por que ninguém realmente percebeu que o mundo atingiu três terawatts? Parece um marco importante.

Mimi

Porque para a maioria das pessoas, energia solar não é uma abstração de números — é um painel no telhado do vizinho, é o que você vê de um trem. Os marcos globais importam para analistas e formuladores de políticas, mas não mudam a experiência cotidiana de ninguém.

Mark

Então a China foi o grande responsável por esse crescimento?

Mimi

Sim, mas há uma nuance importante. A China liderou a expansão dos segundo e terceiro terawatts, mas agora está enfrentando seus próprios limites — infraestrutura insuficiente, desperdício de energia. Enquanto isso, países pobres que antes ficavam para trás estão começando a acelerar.

Mark

Qual é o problema com ter energia solar demais?

Mimi

Quando você já supre toda a demanda durante o dia, adicionar mais painéis não gera valor. Você acaba com eletricidade que ninguém quer usar naquele momento. A Austrália já vê preços negativos — literalmente pagam para alguém tirar a energia da rede.

Mark

E como se resolve isso?

Mimi

Baterias. Você armazena o excedente do dia e o libera à noite. Sem armazenamento em larga escala, a revolução solar não consegue continuar crescendo no mesmo ritmo.

Mark

Os países pobres têm acesso a essas baterias?

Mimi

Ainda não em escala suficiente. Financiamento continua sendo a principal limitação. Mas há sinais de mudança — Paquistão e Filipinas estão começando a ver explosões de adoção de baterias, mesmo sem subsídios governamentais diretos.

  • A expansão solar acelerou de forma vertiginosa: o terceiro terawatt foi instalado em menos de dois anos, enquanto o primeiro levou uma década inteira para ser alcançado.
  • A China dominou o crescimento recente, mas agora enfrenta um gargalo crítico — a produção solar avança mais rápido do que as redes de transmissão e o armazenamento em baterias conseguem absorver.
  • Países como Paquistão, Nigéria e Filipinas registram explosões inesperadas de energia solar residencial, sinalizando que a revolução começa a se descentralizar para além das grandes economias.
  • Preços negativos de eletricidade na Austrália e na Califórnia durante o dia revelam o paradoxo do excesso solar: sem baterias em escala, mais painéis podem valer menos.
  • A BloombergNEF projeta que o mundo chegará a nove terawatts até 2036, com países em desenvolvimento respondendo por mais de um quarto da capacidade global — mas o acesso a financiamento continua sendo o principal obstáculo.

Em 2026, a humanidade cruzou silenciosamente um limiar histórico: três terawatts de capacidade solar instalada no planeta, uma marca que levou uma década para o primeiro terawatt e menos de dois anos para o terceiro. O que parece um número abstrato carrega o peso de uma transformação energética sem precedentes no século 21 — uma que se espalha de forma desigual, mas que começa, finalmente, a alcançar nações que por muito tempo ficaram à margem dessa revolução. A pergunta que se impõe agora não é se o sol pode alimentar o mundo, mas se a infraestrutura humana — baterias, redes, financiamento — conseguirá acompanhar a velocidade da luz.

O mundo atingiu três terawatts de capacidade solar instalada em 2026, um marco histórico que passou quase despercebido pelo grande público. A velocidade da expansão é impressionante: o primeiro terawatt levou uma década para ser construído, o segundo chegou em menos de três anos, e o terceiro em menos de dois. Para ter dimensão, um terawatt adicional equivale a toda a demanda de pico de eletricidade dos Estados Unidos.

A maioria das pessoas não percebe essa transformação por números, mas por sinais visuais — painéis em telhados, estruturas ao longo de estradas e trilhos. E a tendência é que essa presença só aumente. A BloombergNEF projeta mais de nove terawatts instalados até 2036, tornando o marco atual quase modesto em retrospecto.

A história por trás dos números, porém, é desigual. O primeiro terawatt foi erguido principalmente com subsídios em países ricos. O segundo e o terceiro foram dominados pela China, que assumiu o protagonismo absoluto da expansão global. Com isso, a parcela destinada a países pobres ficou praticamente estagnada desde 2020 — embora sinais de mudança comecem a aparecer.

Paquistão, Nigéria e Filipinas registraram crescimento extraordinário em instalações residenciais. O número de países com ao menos um gigawatt de capacidade solar saltou de 42 em 2020 para 74 no ano passado. A BloombergNEF prevê que os países em desenvolvimento responderão por mais de um quarto da capacidade global até 2036, enquanto a participação dos países ricos cairá para cerca de 20%.

A China, por sua vez, enfrenta um gargalo: a expansão solar superou a infraestrutura de suporte disponível, gerando desperdício de energia nos horários de pico e cortes frequentes na produção. O país deve desacelerar novas instalações e focar em aumentar o consumo de renováveis, não apenas a produção.

O limite real da revolução solar está no armazenamento. Austrália e Califórnia já registram preços negativos de eletricidade durante o dia — sinal de excesso solar na rede. Baterias de íons de lítio são a resposta, e países como Paquistão e Filipinas já vivem uma explosão no uso doméstico de baterias, muitas vezes sem subsídios governamentais. Sem armazenamento em escala, a expansão solar corre o risco de encontrar seu próprio teto.

O mundo atingiu três terawatts de capacidade solar em 2026, um marco que passou quase despercebido pela maioria das pessoas, apesar de representar uma das maiores transformações energéticas do século 21. A velocidade dessa expansão é vertiginosa: levou uma década inteira para instalar o primeiro terawatt de capacidade solar global, depois menos de três anos para adicionar o segundo, e menos de dois anos para chegar ao terceiro. Para colocar em perspectiva, um terawatt adicional é energia suficiente para atender toda a demanda de eletricidade dos Estados Unidos em seu pico de consumo.

A razão pela qual poucos notaram esse marco histórico é simples: a maioria das pessoas não experimenta a energia solar através de números, mas através de sinais visuais cotidianos. Lara Hayim, chefe de pesquisa sobre energia solar da BloombergNEF, observa que basta pegar um trem em qualquer lugar do Reino Unido para ver painéis solares em telhados e estruturas por toda parte. Essa visibilidade só tende a aumentar. As projeções para os próximos dez anos são tão otimistas que o marco de três terawatts logo parecerá quase insignificante — a BloombergNEF prevê que o mundo instalará mais de nove terawatts até 2036.

Mas por trás desses números impressionantes existe uma história mais complexa sobre quem está liderando essa transformação e como ela está se distribuindo pelo planeta. O primeiro terawatt foi construído principalmente através de subsídios em países ricos, enquanto a China e nações mais pobres ainda consideravam a energia solar cara demais para investir em larga escala. Esse cenário mudou radicalmente com o segundo e terceiro terawatts, quando a China assumiu o protagonismo absoluto da expansão global. O resultado é que, embora a capacidade solar tenha crescido em ritmo acelerado, a parcela destinada aos países pobres permaneceu praticamente estagnada desde 2020.

Ainda assim, quando se examina os dados com mais atenção, surgem sinais de mudança. Nos últimos anos, países como Paquistão, Nigéria e Filipinas registraram aumentos extraordinários de capacidade solar instalada em telhados residenciais. Mercados menores como Cuba e Líbano também apresentaram adoção rápida. O número de nações com pelo menos um gigawatt de capacidade solar instalada saltou de 42 em 2020 para 74 no ano passado. A China permanece como o principal motor dessa expansão mundial, mas agora também é possível observar uma explosão de energia solar em outros países.

A própria China, porém, enfrenta desafios que podem desacelerar seu crescimento. A expansão solar ocorreu em ritmo muito mais rápido do que a implantação da infraestrutura de apoio necessária, como linhas de transmissão e baterias de armazenamento. Isso está levando a cortes frequentes na produção solar durante os horários de pico e ao desperdício significativo de recursos. Em resposta, analistas esperam uma desaceleração das novas instalações na China. O país anunciou em seu plano quinquenal uma série de medidas para aumentar em mais de 50% o consumo de energia renovável, em vez de simplesmente expandir a produção.

A BloombergNEF prevê que a participação dos países pobres nas novas instalações solares voltará a crescer a partir de 2026. A maioria dos países em desenvolvimento parte de níveis muito baixos de penetração solar na rede e não atingirá tão cedo os limites que a China e outros grandes adotantes enfrentam atualmente. Até 2036, mais de um quarto de toda a capacidade solar instalada globalmente estará em países em desenvolvimento, enquanto a participação dos países ricos cairá para cerca de 20%. A principal limitação para esses países continua sendo a falta de acesso a financiamento, apesar dos avanços tecnológicos que tornaram a energia solar cada vez mais barata.

Existe, porém, um limite teórico para quanto a energia solar pode ser adicionada à rede elétrica. Quando a energia solar já supre toda a demanda durante o dia, adicionar mais capacidade perde valor econômico. Países como a Austrália e regiões como a Califórnia, que têm alguns dos maiores níveis de penetração solar, já registram preços negativos de eletricidade durante o dia — um sinal de que há energia solar em excesso circulando na rede. As baterias de íons de lítio oferecem uma solução ao armazenar o excedente de eletricidade durante o dia e liberá-lo à noite. A Austrália incentivou isso através de subsídios para baterias residenciais, e agora países em desenvolvimento como Paquistão e Filipinas estão experimentando uma explosão no uso de baterias que sucede à da própria energia solar, frequentemente sem necessidade de apoio governamental direto. Sem esse armazenamento de energia em larga escala, a revolução solar provavelmente não conseguirá continuar seu ritmo de expansão.

Pegue um trem para qualquer lugar, digamos, no Reino Unido, e provavelmente verá painéis solares
— Lara Hayim, chefe de pesquisa sobre energia solar da BloombergNEF
Sem armazenamento de energia suficiente, não é possível maximizar o potencial da energia solar
— Lara Hayim, BloombergNEF
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