Mulher sorri e aponta arma para câmera após matar dois idosos em Mato Grosso

Dois idosos mortos (Pilson Pereira da Silva, 80, e Rui Luiz Bolgo, 68) e um padre ferido em cirurgia durante ataque a residência.
Sorriu para a câmera enquanto apontava uma arma de fogo
Inês Gemilaki foi gravada pelas câmeras de segurança durante o ataque que matou dois idosos.
Mark

Como a polícia conseguiu identificar os suspeitos tão rapidamente?

Mimi

As câmeras de segurança da própria casa gravaram tudo. Mãe e filho aparecem claramente no vídeo apontando armas para a câmera, o que deixou a identificação praticamente certa.

Luke

Mas espera — eles se entregaram voluntariamente. A polícia tinha mandados de prisão preventiva já decretados quando foram localizados?

Mimi

Sim, os mandados já estavam em vigor quando foram encontrados a 180 quilômetros de distância. A advogada da família comunicou à polícia que eles se renderiam, o que facilitou a prisão.

Mark

E quanto ao motivo? Parece claro que era sobre dívidas de aluguel, mas por que isso escalou para violência?

Mimi

Havia uma disputa judicial em andamento. O proprietário teria feito ameaças públicas contra a família, e ironicamente, horas antes do ataque, eles mesmos registraram um boletim contra ele.

Luke

Mas o alvo era o proprietário, certo? E ele não foi atingido?

Mimi

Exatamente. Quem morreu foram dois idosos que estavam na casa durante o almoço. Um padre também foi ferido.

Mark

Então havia mais pessoas envolvidas além de mãe e filho?

Mimi

Sim, o marido de Inês e o irmão dele também foram presos. O marido esperava na rua em uma caminhonete para facilitar a fuga.

Luke

E as armas? Foram recuperadas?

Mimi

Não. As armas de fogo e a caminhonete ainda não foram localizadas pela polícia.

  • Durante um almoço com ao menos oito pessoas, dois idosos foram assassinados e um padre baleado por invasores que buscavam o proprietário da casa — e não o encontraram.
  • Câmeras de segurança registraram Inês Gemilaki sorrindo enquanto apontava uma arma para o equipamento, e seu filho Bruno disparando contra a câmera — imagens que chocaram investigadores e se tornaram prova central do caso.
  • Horas antes do ataque, mãe e filho registraram boletim de ocorrência contra a própria vítima pretendida, numa tentativa de construir uma narrativa de ameaça que antecedesse o crime que eles mesmos planejavam.
  • Dois dias após o massacre, Inês e Bruno se entregaram por meio de sua advogada a 180 quilômetros do local do crime; Márcio e Eder, que aguardavam a fuga em uma caminhonete, já haviam sido presos em Alta Floresta.
  • Os quatro suspeitos estão com prisões preventivas mantidas, mas as armas usadas e o veículo da fuga ainda não foram localizados pela polícia.

Em um domingo de almoço familiar em Peixoto de Azevedo, no norte de Mato Grosso, o que poderia parecer uma disputa banal sobre dívidas de aluguel culminou em dois homens mortos e um padre ferido — vítimas que não eram sequer o alvo pretendido. Inês Gemilaki e seu filho Bruno, médico, invadiram a residência do antigo proprietário armados e sorridentes diante das câmeras, revelando como ressentimentos acumulados podem transformar o cotidiano em tragédia irreversível. Mãe e filho se entregaram dias depois; quatro suspeitos ao todo respondem agora perante a justiça, enquanto as armas e o veículo da fuga permanecem desaparecidos.

No domingo de 21 de abril, um almoço em família em Peixoto de Azevedo, no norte de Mato Grosso, foi interrompido por uma invasão armada. Inês Gemilaki e seu filho, o médico Bruno Gemilaki Dal Poz, entraram na residência e abriram fogo. Dois homens morreram: Pilson Pereira da Silva, de 80 anos, e Rui Luiz Bolgo, de 68. Um padre presente também foi atingido e precisou de cirurgia, mas sobreviveu. O alvo real — o proprietário da casa — saiu ileso.

As câmeras de segurança registraram um momento perturbador: Inês sorriu para a câmera enquanto apontava uma arma; Bruno, ao seu lado com uma espingarda calibre 12, parecia disparar contra o equipamento. Essas imagens seriam fundamentais para a investigação. Fora da casa, Márcio Ferreira Gonçalves — marido de Inês e padrasto de Bruno — aguardava em uma caminhonete Ford Ranger para viabilizar a fuga. Seu irmão Eder Gonçalves Rodrigues também participou da ação.

Por trás do crime havia uma disputa judicial: Inês havia sido inquilina do proprietário da casa e deixou dívidas ao sair, o que gerou uma ação judicial e desentendimentos crescentes. Num detalhe revelador, horas antes do ataque, mãe e filho foram à delegacia registrar boletim de ocorrência contra o próprio dono da casa, alegando ameaças. Pouco depois, cometeram o crime.

Márcio e Eder foram presos em Alta Floresta ainda na segunda-feira. Na terça-feira, 23 de abril, a advogada de Inês e Bruno procurou as autoridades para comunicar a rendição dos dois, que estavam em uma propriedade rural a 180 quilômetros de Peixoto de Azevedo. Os quatro tiveram prisões preventivas mantidas após audiências de custódia. As armas e o veículo usado na fuga, porém, ainda não foram encontrados.

No domingo de 21 de abril, durante um almoço em família em Peixoto de Azevedo, no norte de Mato Grosso, uma mulher e seu filho invadiram uma residência e abriram fogo. Quando tudo terminou, dois homens estavam mortos: Pilson Pereira da Silva, de 80 anos, e Rui Luiz Bolgo, de 68. Um padre da cidade também foi atingido e precisou passar por cirurgia, mas sobreviveu. Pelo menos oito pessoas estavam na casa naquele domingo.

O vídeo das câmeras de segurança capturou um detalhe perturbador. Inês Gemilaki, a mulher presa pela polícia, sorriu para a câmera enquanto apontava uma arma de fogo para o equipamento. Ao seu lado estava seu filho, o médico Bruno Gemilaki Dal Poz, que também empunhava uma espingarda calibre 12 e parecia disparar contra a câmera. Depois, mãe e filho fugiram do local. A Folha obteve acesso a esse vídeo.

O crime não foi um ato isolado. Segundo a investigação da Polícia Civil, havia um contexto claro: uma disputa judicial entre Inês e o proprietário da casa. Ela havia sido locatária do imóvel e deixou dívidas quando saiu. O proprietário moveu uma ação contra ela, o que gerou discussões e desentendimentos crescentes entre as partes. Mais perturbador ainda: horas antes do ataque, Inês e seu filho compareceram à delegacia para registrar um boletim de ocorrência contra o dono da casa, alegando ameaças públicas. Poucas horas depois, eles mesmos cometeram o crime. "A suspeita locava aquele imóvel do proprietário e ao sair da residência deixou algumas dívidas, o que gerou uma ação judicial e, a partir daí, várias discussões e desentendimentos entre eles", explicou a delegada Anna Marien, responsável pelo caso.

O alvo era o proprietário da casa, que não foi atingido. Mas a violência atingiu outras pessoas presentes naquele domingo. Além de Inês e Bruno, outras duas pessoas estavam envolvidas no crime: Márcio Ferreira Gonçalves, marido de Inês e padrasto de Bruno, e Eder Gonçalves Rodrigues, irmão de Márcio. Márcio aguardava na rua dentro de uma caminhonete Ford Ranger para facilitar a fuga. As armas de fogo e o veículo ainda não foram localizados pela polícia.

Inês e Bruno foram localizados em uma propriedade rural a 180 quilômetros de Peixoto de Azevedo. Eles se entregaram à polícia na terça-feira, 23 de abril, após sua advogada, Angelita Kemper, procurar as autoridades para comunicar que ambos se renderiam. Horas antes, Márcio e Eder já haviam sido presos em Alta Floresta, também em Mato Grosso. Os quatro suspeitos tiveram suas prisões preventivas mantidas após audiências de custódia. As imagens das câmeras de segurança da casa foram fundamentais para que a polícia chegasse aos suspeitos e confirmasse sua participação no crime.

A suspeita locava aquele imóvel do proprietário e ao sair da residência deixou algumas dívidas, o que gerou uma ação judicial e, a partir daí, várias discussões e desentendimentos entre eles
— Delegada Anna Marien, responsável pelo caso
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