Em silêncio, uma parcela crescente de motoristas brasileiros está abandonando o volante do transporte de passageiros para abraçar a lógica das entregas — um deslocamento que revela não apenas o apetite expansionista de gigantes como Shopee, Amazon e Lalamove, mas também a busca humana por tempo, autonomia e dignidade no trabalho. Para alguns, a mudança representa uma libertação genuína; para outros, apenas troca uma forma de precariedade por outra. O que une todos esses percursos é a mesma pergunta antiga: quanto vale o tempo de um trabalhador, e quem realmente decide isso?
Motoristas migram de transporte de passageiros para entregas em busca de maior rentabilidade
Motoristas enfrentam exposição a riscos de segurança em bairros perigosos, atrasos salariais de até R$ 1.400 e redução de renda em períodos de baixa disponibilidade de rotas.