Motorista baleado ao reagir a assalto em Franca diz que agiu para se proteger

Motorista baleado sofreu ferimentos na perna esquerda com disparos de raspão, recebendo seis pontos de sutura, mas recuperou-se em casa.
Comigo não leva nada. E já parti em cima dele.
Ildeu de Camargo descreveu o momento em que decidiu reagir ao assalto, com um revólver apontado para sua cabeça.
Mark

Por que um homem de 65 anos decide reagir a um assalto à mão armada? Isso não é o comportamento que esperamos.

Mimi

Ele disse que foi instinto. Quando viu o criminoso arrancar a corrente do seu pescoço, algo disparou dentro dele. Mas a esposa oferece outra leitura: ela acredita que ele reagiu para protegê-la, não pela corrente.

Luke

Mas a gente não sabe exatamente o que passou na cabeça dele naquele momento. Ele pode estar racionalizando depois. O que sabemos é que ele estava com um revólver apontado para a cabeça e mesmo assim avançou.

Mark

E ele sobreviveu. Os tiros foram de raspão.

Mimi

Sim, mas a esposa mesma disse: se tivesse pegado a veia principal, ele estaria morto. Ele teve muita sorte.

Luke

E é por isso que as autoridades insistem que não se deve reagir. Não é moral, não é covardia — é matemática. A reação aumenta o risco de morte.

Mark

Mas ele conseguiu derrubar os assaltantes.

Mimi

Conseguiu, mas não impediu que levassem a corrente. Cinco mil reais em ouro saíram dali. E ele saiu baleado.

Luke

Os criminosos nunca foram encontrados, certo?

Mimi

Não. Fugiram de moto e desapareceram.

Mark

Então ele reagiu, levou tiros, perdeu a corrente, e os assaltantes continuam soltos.

Mimi

É. Mas ele está vivo em casa, se recuperando. Poderia ter sido muito pior.

  • Ildeu de Camargo, 65 anos, confrontou dois assaltantes em Franca na noite de sábado, 26 de setembro, por volta das 22h40
  • Motorista foi atingido por dois disparos de raspão na perna esquerda durante a luta corporal
  • Assaltantes fugiram com corrente de ouro avaliada em R$ 5 mil; nenhum foi identificado ou localizado
  • Ildeu recebeu seis pontos de sutura e teve alta no mesmo dia, recuperando-se em casa

Ildeu de Camargo, 65 anos, confrontou dois assaltantes armados após ser ameaçado na noite de sábado em Franca, recusando entregar seus pertences. O motorista foi atingido por disparos de raspão na perna esquerda durante a luta corporal, mas recebeu atendimento médico e teve alta no mesmo dia.

Motorista de 65 anos foi baleado ao reagir a um assalto em Franca, SP, após recusar entregar pertences sob ameaça de revólver. Ele sofreu ferimentos na perna e recebeu alta, enquanto os assaltantes fugiram com uma corrente de ouro.

Ildeu de Camargo tinha 65 anos e estava saindo de um show sertanejo com a esposa quando tudo desabou. Era sábado à noite, por volta das 22h40, na Avenida Adhemar de Barros, no bairro Jardim Palma, em Franca. Ele e Márcia Helena de Souza caminhavam em direção ao carro quando dois homens em uma moto os surpreenderam. Os assaltantes tinham estado ali esperando, escondidos, pelo momento exato em que ele abriria a porta do veículo.

Quando Ildeu começou a abrir a porta, um deles gritou que era um assalto e exigiu tudo que ele tivesse de ouro. O motorista recusou. Com um revólver apontado para sua cabeça, ele fez uma escolha que quase o matou. "Eu falei: mas aqui não vai levar é nada, e com o revólver na cabeça. Comigo não leva nada. E já parti em cima dele", descreveu depois. Ele avançou sobre o assaltante, conseguiu derrubá-lo junto com a moto. Quando viu o criminoso arrancar a corrente de ouro do seu pescoço, virou a mão no pescoço do homem e o jogou no chão.

Durante a luta corporal no asfalto, o assaltante armado disparou duas vezes. Os tiros atingiram Ildeu de raspão na perna esquerda. Ele ficou com um hematoma profundo naquela perna, machucados na outra, e precisou de seis pontos de sutura para fechar os ferimentos. Os dois criminosos conseguiram fugir de moto, levando a corrente de ouro avaliada em cinco mil reais. Até o momento em que a reportagem foi publicada, nenhum deles havia sido identificado ou localizado.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência chegou no local e levou Ildeu ao Pronto-Socorro Álvaro Azzuz. Ele seguiu as orientações médicas e recebeu alta no mesmo dia, recuperando-se em casa. A sorte esteve com ele: os disparos não atingiram nenhuma veia principal. Márcia Helena presenciou tudo. Ela viu o sangue escorrendo do marido depois dos tiros, ouviu os disparos, e sentiu o susto tomar conta. Mas para ela, a reação dele não foi sobre a corrente. Foi sobre protegê-la no momento em que os criminosos os encurralaram. "Falam assim que a gente não deve reagir, mas na hora ele reagiu mais para me proteger", disse ela depois. Ela reconheceu o risco que correram. "Ele teve muita sorte. Porque, se pega a veia principal, ele tinha morrido."

A polícia e a Polícia Militar, porém, reforçam uma orientação clara: nunca reagir a assaltos ou abordagens criminosas. A reação aumenta drasticamente o risco de violência e morte. Neste caso, Ildeu saiu vivo. Mas a mensagem das autoridades é que ele não deveria ter apostado nessa sorte.

Ele nem percebeu que tinha levado o tiro, eu que vi que estava escorrendo sangue, mas eu escutei o tiro. Falam assim que a gente não deve reagir, mas na hora ele reagiu mais para me proteger.
— Márcia Helena de Souza, esposa de Ildeu
Ele teve muita sorte. Porque, se pega a veia principal, ele tinha morrido.
— Márcia Helena de Souza
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