Mostra de Cinema de SP destaca 113 filmes dirigidos por mulheres em programação de 399 obras

Quase um terço da mostra inteira dirigido por mulheres
A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo reserva 113 de seus 399 filmes para cineastas mulheres.
Mark

Por que esse número — 113 filmes de 399 — importa? Parece específico demais para ser coincidência.

Mimi

Porque durante décadas, as mulheres cineastas eram invisíveis em mostras desse tamanho. Ter quase um terço da programação dirigido por mulheres significa que curadores fizeram escolhas deliberadas. Esses filmes não estão em horários marginais.

Luke

Mas é importante notar: 28% ainda não é paridade. Se a população é metade mulher, a representação deveria ser 50%. Então enquanto é um avanço significativo, ainda há caminho a percorrer.

Mark

Os filmes que você mencionou — "17", "Um Dia na Vida de Jo" — eles já tinham circulado por Veneza e Berlim antes de chegar aqui?

Mimi

Sim. Isso é importante porque mostra que não são filmes sendo exibidos apenas em São Paulo. Passaram pelos principais festivais do mundo. Têm credibilidade internacional.

Luke

Embora o material não diga explicitamente quantos desses 113 filmes dirigidos por mulheres também passaram por festivais de primeira linha. Sabemos de alguns destaques, mas não temos o número total.

Mark

E quanto ao filme restaurado, "Lá e Cá"? Por que restaurar um curta de 1995 agora?

Mimi

Porque é um trabalho que merecia ser visto em qualidade adequada. Sandra Kogut dirigiu algo importante sobre uma mulher cangaceira. Restaurar em 4K é um ato de reconhecimento — dizer que esse trabalho importa, que merece ser preservado.

Luke

A restauração também é um sinal de que a mostra está pensando em história do cinema, não apenas em novidades. Mas o material não explica quanto custou a restauração ou quantas outras obras brasileiras de mulheres cineastas poderiam ter sido restauradas.

Mark

Esses filmes falam sobre mulheres enfrentando violência, trauma, recomeço. É coincidência ou escolha curatorial?

Mimi

Provavelmente ambas. Cineastas mulheres estão contando histórias que vivem e observam. A violência contra mulheres é real. Mas sim, a mostra também escolheu destacar essas narrativas.

  • Com 113 dos 399 filmes dirigidos por mulheres, a Mostra de SP rompe com a marginalidade histórica do cinema feminino em festivais de grande escala.
  • Obras premiadas em Veneza e Berlim chegam a São Paulo com narrativas que enfrentam feminicídio, violência sexual e memória — temas que exigem do público mais do que contemplação passiva.
  • A restauração em 4K do curta 'Lá e Cá', de Sandra Kogut, resgata uma voz brasileira dos anos 1990 e a entrega a uma geração que nunca teve acesso a ela.
  • Filmes como '17' e 'Fiz um Foguete Imaginando Que Você Vinha' serão exibidos em múltiplas sessões ao longo do mês, ampliando o alcance dessas histórias para além de uma única oportunidade de encontro.
  • A tendência observada na Mostra espelha uma mudança mais ampla nos festivais internacionais, onde a curadoria começa a refletir o que a produção cinematográfica feminina já vinha entregando há décadas.

Em São Paulo, a Mostra Internacional de Cinema abre espaço para 113 filmes dirigidos por mulheres — quase um terço de uma seleção de 399 obras. Não se trata de gesto simbólico, mas de uma reconfiguração visível do que os grandes festivais escolhem celebrar. Títulos vindos de Veneza e Berlim chegam à cidade carregando histórias de corpos femininos em trânsito, trauma e resistência, sugerindo que o olhar das cineastas deixou de ser exceção para tornar-se parte essencial da conversa cinematográfica global.

A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo inaugura este mês com uma programação que posiciona cineastas mulheres em lugar de destaque real: 113 dos 399 filmes selecionados têm direção feminina, o que representa quase um terço da mostra. Não é um gesto de inclusão decorativa — é uma presença que redefine o peso do olhar feminino em um festival de escala internacional.

Entre os títulos que chegam com trajetória já consolidada estão 'Um Dia na Vida de Jo: Capítulo Fedra', de Jacqueline Lentzou, exibido em Veneza, e '17', de Kosara Mitić, vindo de Berlim. Este último coloca no centro duas adolescentes que, ao enfrentar a violência sexual, constroem entre si um laço descrito pelo filme como inabalável. Também de Berlim chega 'Fiz um Foguete Imaginando Que Você Vinha', de Janaína Marques, em que uma mulher durante uma ressonância magnética imagina um episódio que nunca viveu ao lado da mãe — presa por matar um homem que estava prestes a cometer feminicídio.

A mostra recupera ainda um clássico: 'Lá e Cá', curta de Sandra Kogut de 1995, restaurado em 4K pelo Lab Digital Cinelimite. O filme acompanha Maria, uma jovem cangaceira grávida que atravessa o país após o extermínio de seu bando. A restauração permite que uma geração inteira acesse pela primeira vez uma obra que merecia essa qualidade de imagem.

Outros destaques incluem 'Às Vezes Sinto Tristeza, Outras Vezes Revolta', de María Aparicio, sobre um encontro em Madri entre uma mulher e um historiador argentino que pesquisa lutas operárias, e 'Maria de Maria', de Luiza Shelling Tubaldini, que retoma a cangaceira grávida em uma narrativa mais longa, ambientada nos anos 1940, enquanto ela percorre o Centro-Oeste em busca de terra e recomeço.

A mostra se estende até o final de outubro, com sessões múltiplas que permitem ao público encontrar essas histórias em diferentes momentos. O que os números revelam é uma mudança tangível na curadoria dos festivais — e São Paulo, desta vez, está no centro dessa conversa.

A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo abre suas portas este mês com uma programação que coloca o trabalho de cineastas mulheres em posição de destaque inédito. De um total de 399 filmes, 113 são dirigidos por mulheres — pouco mais de um quarto da seleção. Não é um número simbólico ou marginal. É quase um terço da mostra inteira, uma presença que redefine o que significa dar espaço ao olhar feminino em um festival de escala internacional.

Entre os títulos que abrem essa programação estão obras que já circularam pelos principais festivais do mundo. "Um Dia na Vida de Jo: Capítulo Fedra", dirigido por Jacqueline Lentzou, passou por Veneza. "17", de Kosara Mitić, vem de Berlim. Também de Berlim chega "Fiz um Foguete Imaginando Que Você Vinha", de Janaína Marques, um filme que acompanha Rosa durante uma ressonância magnética, quando ela é convidada a lembrar de um momento feliz mas, em vez disso, imagina um episódio que nunca ocorreu ao lado de sua mãe Dalva, presa por matar um homem que estava prestes a cometer feminicídio.

A mostra também traz de volta um clássico restaurado. "Lá e Cá", curta de Sandra Kogut de 1995, foi recuperado em 4K pelo Lab Digital Cinelimite. O filme acompanha Maria, uma jovem cangaceira grávida cujo bando foi exterminado, enquanto ela atravessa o país para dar à luz e recomeçar a vida. A restauração permite que uma geração que não conheceu o trabalho original possa vê-lo com a qualidade que merecia.

Entre os destaques da seleção está "17", que coloca no centro da narrativa duas adolescentes enfrentando a violência sexual. Aos dezessete anos, Sara carrega um segredo que tenta esconder. Quando testemunha a amiga Lina sofrer uma agressão, as duas decidem não apenas processar o trauma, mas enfrentar ativamente a violência e criam um laço que o filme descreve como inabalável. O filme, produção de Macedônia do Norte, Sérvia e Eslovênia, será exibido em múltiplas sessões ao longo da mostra.

Outro título que merece atenção é "Às Vezes Sinto Tristeza, Outras Vezes Revolta", de María Aparicio. O filme acompanha Eva em uma tarde em Madri, no museu Reina Sofía, quando ela conhece Dante, um historiador argentino que pesquisa lutas operárias. É um encontro que promete explorar como a história pessoal se entrelaça com a história política.

A mostra também apresenta "Maria de Maria", de Luiza Shelling Tubaldini, um longa de 117 minutos que retoma a história de Maria, a cangaceira grávida, desta vez em uma narrativa mais expansiva. Ambientado na década de 1940, o filme acompanha sua jornada pelo Centro-Oeste em busca da terra prometida por Getúlio Vargas, onde ela aprende que plantar é uma arte e precisa provar sua coragem enquanto lida com memórias do passado.

A presença de 113 filmes dirigidos por mulheres em uma mostra de 399 obras não é apenas um número. Reflete uma mudança tangível na forma como os festivais internacionais estão curando suas programações e reconhecendo o trabalho de cineastas mulheres. Esses filmes circularam por Veneza, Berlim e outros festivais de primeira linha. Agora chegam a São Paulo, onde ocuparão salas de cinema em horários centrais, com múltiplas sessões que permitem ao público escolher quando assistir. A mostra começa em meados de outubro e se estende até o final do mês, oferecendo oportunidades repetidas para encontrar essas histórias.

Aos dezessete anos, Sara carrega um segredo que tenta esconder. Quando ela testemunha a amiga Lina sofrer uma agressão sexual, as duas decidem enfrentar a violência e criam um laço inabalável.
— Sinopse de "17", de Kosara Mitić
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