Em meio à ausência de acordos jurídicos que disciplinem o arsenal nuclear das grandes potências, Moscou convocou Washington a retomar negociações estratégicas, descrevendo o vácuo atual como 'extremamente perigoso'. A possibilidade de um encontro trilateral entre Trump, Putin e Xi Jinping na cúpula da APEC em novembro abre uma janela diplomática rara — mas também expõe a tensão entre quem deseja sentar à mesa e quem teme ser excluído dela. A Ucrânia, palco da guerra que atravessa essas conversas, insiste que paz duradoura não se constrói sem a presença de quem suporta o conflito.
Moscou pede retomada urgente de negociações nucleares com EUA
Sem marco jurídico, o risco permanece inaceitavelmente alto
Por que Moscou está pressionando agora especificamente por negociações nucleares?
Peskov argumenta que a situação atual é extremamente perigosa porque não há um marco jurídico eficaz regulando as questões nucleares estratégicas. Moscou vê a possibilidade de um encontro trilateral em novembro como uma abertura para recolocar isso na agenda.
Mas precisamos ser claros: Peskov faz essa declaração em resposta a uma sinalização de Trump. Não sabemos se Trump realmente vai fazer esse encontro, ou se, quando fizer, vai priorizar negociações nucleares bilaterais com a Rússia.
E quanto à Ucrânia? Por que Kiev está tão preocupada?
Sybiha teme que um encontro entre Putin, Trump e Xi, sem representantes ucranianos, possa dar a Putin espaço para consolidar ganhos territoriais ou simplesmente manter a guerra em suspenso indefinidamente.
Isso é uma preocupação legítima, mas também é especulação sobre intenções. O que sabemos é que Sybiha quer que Zelensky esteja em qualquer negociação sobre segurança que envolva a Rússia.
Peskov diz que um acordo de paz depende de representantes ucranianos dispostos a assumir responsabilidades. O que isso significa?
É uma formulação vaga. Pode significar que Moscou quer que Kiev aceite perdas territoriais. Ou pode ser apenas uma maneira de dizer que Kiev precisa estar envolvida.
Exatamente. Peskov não especifica o que seriam essas "responsabilidades". Sem clareza, é difícil saber se Moscou está abrindo portas ou fechando-as.
Il Polso
- O Kremlin declarou que a falta de um marco jurídico nuclear entre as potências torna o cenário global 'extremamente perigoso', elevando a pressão sobre Washington para agir.
- Trump sinalizou disposição para um encontro inédito com Putin e Xi na cúpula da APEC em novembro, abrindo uma possibilidade diplomática de alto risco e alto impacto.
- Kiev reagiu com alarme: o chanceler Sybiha alertou que um encontro trilateral sem a Ucrânia poderia encorajar Putin a prolongar a guerra e marginalizar os interesses ucranianos.
- Peskov reconheceu o papel mediador dos EUA no conflito, mas condicionou qualquer paz definitiva à participação de representantes ucranianos 'dispostos a assumir responsabilidades' — deixando em aberto quem teria legitimidade para negociar.
- O tabuleiro diplomático revela três posições em tensão: Moscou quer urgência nuclear, Washington acena com um triálogo estratégico, e Kiev exige não ser apagada das conversas que decidirão seu futuro.
Em meio à ausência de acordos jurídicos que disciplinem o arsenal nuclear das grandes potências, Moscou convocou Washington a retomar negociações estratégicas, descrevendo o vácuo atual como 'extremamente perigoso'. A possibilidade de um encontro trilateral entre Trump, Putin e Xi Jinping na cúpula da APEC em novembro abre uma janela diplomática rara — mas também expõe a tensão entre quem deseja sentar à mesa e quem teme ser excluído dela. A Ucrânia, palco da guerra que atravessa essas conversas, insiste que paz duradoura não se constrói sem a presença de quem suporta o conflito.
Moscou voltou a pressionar Washington nesta terça-feira para retomar negociações sobre estabilidade nuclear estratégica, com o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, descrevendo o cenário atual como 'extremamente perigoso'. O argumento central é a ausência de um marco jurídico robusto que regule as questões nucleares entre as potências — sem esse instrumento, o risco de escalada permanece inaceitavelmente alto.
O pano de fundo é a sinalização do presidente Donald Trump de que poderia se reunir com Putin e Xi Jinping em novembro, durante a cúpula da APEC na China. A agenda cogitada — desnuclearização e segurança internacional — sugere ambições de redesenhar o equilíbrio estratégico global, e Moscou enxerga nessa abertura uma oportunidade para recolocar a questão nuclear na mesa.
A proposta, porém, encontrou resistência imediata de Kiev. O chanceler ucraniano Andrii Sybiha alertou que um encontro entre os três líderes poderia encorajar Putin a prolongar a guerra, e defendeu que negociações genuínas precisam incluir Zelensky. Peskov, por sua vez, reconheceu o papel mediador dos EUA, mas condicionou qualquer acordo de paz à participação de representantes ucranianos 'dispostos a assumir responsabilidades' — uma formulação deliberadamente ambígua sobre quem teria legitimidade para falar em nome de Kiev.
O que resta é um triângulo de posições irresolvidas: Moscou quer urgência nuclear, Washington acena com um triálogo estratégico, e a Ucrânia teme ser apagada de conversas que poderiam redefinir a segurança europeia. Quem senta à mesa — e sobre o quê — permanece em aberto.
Moscou voltou a pressionar Washington nesta terça-feira para retomar negociações sobre estabilidade nuclear estratégica, descrevendo o cenário atual como "extremamente perigoso". A declaração partiu de Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, em resposta a sinais de que uma reunião trilateral entre Rússia, Estados Unidos e China poderia ocorrer em novembro, durante a cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico na China.
Segundo Peskov, o problema central é a ausência de um marco jurídico robusto que regule as questões nucleares estratégicas entre as potências. Sem esse instrumento, argumentou, o risco de mal-entendido ou escalada permanece inaceitavelmente alto. O porta-voz foi direto: é necessário iniciar as negociações. A avaliação reflete uma preocupação de longa data em Moscou sobre a fragilidade dos acordos que historicamente estruturaram a competição nuclear entre russos e americanos.
O cenário que levou à declaração começou quando o presidente americano Donald Trump sinalizou disposição para se encontrar com Vladimir Putin e o presidente chinês Xi Jinping em novembro. Segundo Trump, a reunião poderia abordar temas como desnuclearização e segurança internacional — uma agenda ampla que sugere ambições de redefinir o equilíbrio estratégico global. Para Moscou, a possibilidade de tal encontro representa uma abertura para recolocar a questão nuclear na mesa.
Mas a proposta enfrentou resistência imediata de Kiev. Andrii Sybiha, ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, alertou que um encontro entre os três líderes poderia encorajar Putin a prolongar a guerra em andamento. Sybiha argumentou que negociações significativas deveriam incluir representantes ucranianos — especificamente Volodymyr Zelensky — junto com americanos e russos, de modo que qualquer acordo sobre segurança internacional refletisse também os interesses de quem está sendo atacado.
Peskov respondeu aos questionamentos sobre a Ucrânia afirmando que Washington já atua como mediador nas conversas para encerrar a guerra e que Moscou valoriza esses esforços. Segundo o porta-voz, porém, um acordo de paz definitivo depende não apenas da disposição russa e americana, mas também da participação de representantes ucranianos dispostos a assumir responsabilidades — uma formulação que deixa em aberto quem, exatamente, teria legitimidade para negociar em nome de Kiev e sob quais condições.
O que emerge é um triângulo de posições: Moscou quer negociações nucleares urgentes com Washington; Washington sinaliza abertura para um encontro trilateral que incluiria a China; e Kiev teme ser deixada de fora de conversas que poderiam redefinir a segurança europeia. A questão de quem senta à mesa — e sobre o quê — permanece em aberto, assim como o calendário real para qualquer movimento diplomático.
Citazioni salienti
A situação atual é extremamente perigosa devido à falta de uma estrutura jurídica eficaz que regulamente a questão. É necessário iniciar as negociações.— Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin
Um encontro entre os três líderes poderia encorajar Putin a prolongar a guerra— Andrii Sybiha, ministro das Relações Exteriores da Ucrânia