Morte de influenciador britânico após aumento peniano reacende debate sobre riscos do procedimento

Morte de Igho Ubiribo, 43 anos, após complicações de procedimento estético que causou embolia pulmonar.
O ácido pode ter migrado até o coração e causado embolia
Urologista explica como a injeção em vaso sanguíneo durante o procedimento pode ter levado à morte de Ubiribo.
Mark

Por que um procedimento estético tão específico recebe tanta atenção agora? Não é apenas uma morte entre muitas?

Mimi

Porque Ubiribo era uma figura pública com quase 200 mil seguidores. Mas o ponto real é que a morte foi causada por um erro médico evitável — ele recebeu 40 ml quando especialistas dizem que acima de 30 ml já é perigoso.

Luke

Espera. Quem estabeleceu esse limite de 30 ml? É um consenso médico formal ou é o que essa biomédica específica pratica?

Mimi

É o que Mariana Éclissée pratica e recomenda. Não há uma regulação formal internacional que eu saiba mencionada na reportagem.

Mark

E quanto ao médico que fez o procedimento? Ele foi responsabilizado?

Mimi

A reportagem não diz. Sabemos que as autoridades tailandesas estão investigando a clínica, mas não há informação sobre ações contra o profissional.

Luke

Isso é importante. Investigação aberta não é o mesmo que culpa estabelecida. E a teoria da embolia — é confirmada ou é apenas a hipótese mais provável?

Mimi

É a hipótese mais provável segundo o urologista Tunes. O legista de Londres confirmou que a morte foi causada pela injeção, mas o mecanismo exato — se foi embolia — parece ser uma conclusão profissional, não uma certeza forense.

Mark

Então Ubiribo pediu para receber tudo de uma vez, contra a recomendação do médico. Isso muda algo?

Mimi

Muda a narrativa, mas não muda a responsabilidade médica. Um profissional treinado deveria ter recusado ou alertado com mais força sobre os riscos.

Luke

E quanto aos outros quatro procedimentos que ele já tinha feito? Ninguém questiona por que ele continuava voltando?

Mimi

Boa pergunta. A reportagem não explora isso. Pode ter sido satisfação com os resultados anteriores, ou pode ter sido uma escalada de risco que ninguém monitorou.

Mark

O procedimento em si é seguro, então?

Mimi

Sim, quando feito corretamente por profissional competente com doses apropriadas. O risco aqui foi a combinação de dose excessiva, aplicação possivelmente errada, e talvez falta de supervisão adequada.

  • Igho Ubiribo, 43 anos, morreu em 6 de março em Bangcoc
  • Recebeu 40 ml de ácido hialurônico em sessão única, contra recomendação de dividir em duas
  • Especialistas indicam máximo seguro de 30 ml por sessão
  • Suspeita-se de embolia pulmonar causada por injeção inadvertida em vaso sanguíneo

Ubiribo recebeu volume excessivo de ácido hialurônico em sessão única, contra recomendação médica de dividir em duas aplicações. Especialistas indicam que ácido pode ter sido injetado inadvertidamente em vaso sanguíneo, migrando para coração e pulmão.

Influenciador britânico Igho Ubiribo, 43, morreu em março após receber 40 ml de ácido hialurônico em procedimento de aumento peniano em clínica de Bangcoc. Autoridades tailandesas investigam se houve erro médico que causou embolia pulmonar.

Igho Ubiribo tinha 185 mil seguidores no Instagram e era conhecido pelos apelidos "Tiny" e "Ego". Em 6 de março deste ano, o empresário britânico de 43 anos morreu em Bangcoc após um procedimento de aumento peniano com ácido hialurônico. Autoridades tailandesas anunciaram na quarta-feira passada que investigam a clínica onde o procedimento foi realizado.

O legista de Londres concluiu em agosto que a morte foi provocada pela injeção de ácido hialurônico. Segundo relatos forenses, Ubiribo reclamou de dores no peito e desmaiou durante uma massagem que se seguiu ao procedimento. Suspeita-se de embolia pulmonar. Os médicos tentaram reanimá-lo por cerca de 100 minutos antes de constatar o óbito, mas ele perdeu a consciência antes que pudessem fazer uma tomografia.

O que torna este caso particularmente relevante para especialistas é a quantidade de substância injetada: 40 ml em uma única sessão. Segundo informações da clínica às autoridades tailandesas, o médico havia recomendado dividir a aplicação em duas sessões, mas Ubiribo pediu que toda a quantidade fosse administrada de uma vez. Ubiribo era paciente da clínica desde 2024 e já havia feito quatro procedimentos anteriores de aumento peniano.

O urologista Mauricio Tunes oferece uma explicação plausível para o que pode ter acontecido: durante a injeção, o ácido hialurônico pode ter sido aplicado inadvertidamente em um vaso sanguíneo, migrando depois até o coração e o pulmão, causando a embolia. Mariana Éclissée, biomédica especialista em harmonização íntima, estabelece parâmetros de segurança que ajudam a contextualizar o risco. Ela aplica entre 5 ml e 10 ml para pequenos retoques, de 10 ml a 20 ml para aumento moderado, e entre 20 ml e 30 ml para aumento expressivo. Qualquer volume acima de 30 ml, segundo ela, já eleva significativamente o risco de complicações.

A harmonização peniana é um procedimento puramente estético que usa ácido hialurônico — a mesma substância dos preenchimentos faciais, mas em formulações específicas para a área genital. Quando bem executado, pode aumentar a circunferência em 3 cm a 4 cm e o comprimento entre 2 cm e 3 cm. O procedimento é feito com o pênis flácido, sob anestesia local, com injeções em pontos estratégicos. O efeito dura em média de 12 a 18 meses, quando o corpo começa a absorver gradualmente o ácido.

Mas quando mal feito, as consequências podem ser graves. Especialistas ouvidos pela Folha alertam para complicações que incluem deformidades, infecções, reações alérgicas e necrose — a morte do tecido — que pode levar à amputação do pênis. O Ministério da Saúde da Tailândia abriu investigação e visitou a clínica na segunda-feira passada para verificar se o estabelecimento possui licença válida e cumpre protocolos de saúde.

O consenso entre profissionais é claro: a técnica pode ser realizada com segurança quando há indicação apropriada, avaliação adequada do paciente e um profissional treinado executando o procedimento. O caso de Ubiribo, porém, ilustra como decisões tomadas no consultório — neste caso, a insistência em receber uma dose única muito acima do recomendado — podem ter consequências fatais. A morte reacende o debate sobre os riscos de procedimentos estéticos realizados sem supervisão adequada ou em contextos onde protocolos de segurança podem não ser rigorosamente seguidos.

Muito provavelmente, na hora de puncionar e aplicar o ácido na região do pênis, esse ácido foi aplicado de forma inadvertida em algum vaso sanguíneo. Ele pode ter migrado até o coração e o pulmão e causado uma embolia.
— Mauricio Tunes, urologista
A aplicação de mais de 30 ml já eleva o risco de complicações
— Mariana Éclissée, biomédica especialista em harmonização íntima
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