A intenção era matar, independentemente de sorte
Em setembro de 1975, Moore disparou contra Ford em San Francisco; o primeiro tiro errou e um transeunte foi atingido de raspão. Condenada à prisão perpétua, Moore foi libertada em 2007 após 32 anos encarcerado e converteu-se ao judaísmo na prisão.
- 22 de setembro de 1975: Moore dispara contra Ford em San Francisco; primeiro tiro erra, segundo ricocheta e atinge transeunte de raspão
- Atentado ocorre 17 dias após Lynette Fromme tentar matar Ford em Sacramento
- Moore condenada à prisão perpétua em dezembro de 1975; libertada em 31 de dezembro de 2007 após 32 anos encarcerado
- Converteu-se ao judaísmo em 1986; viveu sob identidade falsa na Costa Leste após libertação
- Retratada no musical Assassins (1990) de Sondheim e Weidman; biografia Taking Aim at the President (2009)
Sara Jane Moore, que tentou assassinar o presidente Gerald Ford em 1975, faleceu aos 101 anos. Após cumprir 32 anos de prisão, viveu reclusa sob identidade falsa até sua morte.
Sara Jane Moore morreu aos 101 anos, levando consigo uma das histórias mais estranhas da segurança presidencial americana. Em 22 de setembro de 1975, a contadora de 45 anos se posicionou em frente ao St. Francis Hotel em San Francisco e disparou contra o presidente Gerald Ford. O primeiro tiro errou completamente. Quando se preparava para atirar novamente, um ex-fuzileiro naval chamado Oliver W. Sipple desviou a arma com as mãos. O segundo disparo ricocheteou e atingiu um transeunte de raspão. Ford saiu ileso, retirado às pressas pelo Serviço Secreto.
O timing do episódio amplificou o pânico na Casa Branca. Apenas 17 dias antes, outra mulher — Lynette "Squeaky" Fromme, seguidora de Charles Manson — havia tentado matar Ford em Sacramento. Dois atentados contra o mesmo presidente em menos de três semanas. A segurança presidencial estava em colapso aparente.
O que tornava o caso de Moore ainda mais perturbador era a negligência que o precedeu. Agentes do Serviço Secreto haviam apreendido uma arma em sua posse na véspera do atentado, mas a liberaram porque não a consideravam uma ameaça imediata. Poucas horas depois, ela comprou o revólver calibre .38 que usaria no ataque. Em seus depoimentos, Moore explicou que acreditava sinceramente que a morte de Ford desencadearia uma "revolução violenta" nos Estados Unidos — uma transformação que ela via como necessária.
Os investigadores descobriram que seus vínculos com grupos radicais eram superficiais, quase teatrais. Médicos concluíram que era legalmente sã, embora tivesse histórico de instabilidade emocional. Em dezembro de 1975, declarou-se culpada e foi condenada à prisão perpétua. Enviou uma carta ao presidente pedindo desculpas, mas nunca recebeu resposta. Ford, anos depois, resumiu sua avaliação com frieza: "Só porque o presidente sobreviveu pode ter sido questão de sorte, mas a malícia foi a mesma e a intenção era matar."
Moore passou 32 anos atrás das grades. Em 1979, conseguiu fugir de um presídio, mas foi recapturada horas depois. Converteu-se ao judaísmo em 1986, um ato de transformação pessoal que marcou sua longa reclusão. Foi libertada em 31 de dezembro de 2007, um ano após a morte de Ford. Mudou-se para a Costa Leste sob outro nome e viveu como uma mulher invisível, raramente falando com a imprensa.
Em uma rara entrevista ao programa Today da NBC em 2009, ela revisitou seus motivos com uma clareza que soava quase desculpadora. "Nós dizíamos que o país precisava mudar," explicou. "A única maneira seria uma revolução violenta. Eu realmente achei que isso poderia desencadear uma nova revolução aqui." Casou-se com o psicólogo Philip Chase e viveu em uma comunidade de aposentados até a morte dele em 2018, quando se mudou para o Tennessee.
Sua história não desapareceu na obscuridade. O compositor Stephen Sondheim e o dramaturgo John Weidman a retrataram como "uma verdadeira desmiolada" no musical Assassins (1990), uma obra que explorava o fascínio americano por atentados presidenciais. A jornalista Geri Spieler dedicou anos de correspondência com Moore para escrever Taking Aim at the President (2009), transformando sua vida em narrativa histórica. Moore havia se tornado um personagem cultural — a mulher que tentou matar um presidente e viveu o suficiente para ver sua própria história ser contada no palco.
Notable Quotes
A única maneira seria uma revolução violenta. Eu realmente achei que isso poderia desencadear uma nova revolução aqui.— Sara Jane Moore, em entrevista ao programa Today da NBC em 2009
Só porque o presidente sobreviveu pode ter sido questão de sorte, mas a malícia foi a mesma e a intenção era matar.— Gerald Ford, comentário posterior sobre o atentado
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que ela tentou matar Ford especificamente? Havia algo pessoal nisso?
Não parecia pessoal. Moore acreditava que Ford representava um sistema que precisava ser destruído para que uma revolução acontecesse. Era ideológico, não pessoal — embora talvez a linha entre os dois fosse tênue demais para ela enxergar.
E o Serviço Secreto realmente liberou uma arma que ela tinha na véspera?
Sim. Apreenderam uma arma, não a consideraram uma ameaça iminente e a devolveram. Horas depois ela comprou o revólver que usaria. É um dos detalhes mais perturbadores da história — não por negligência dramática, mas por negligência real.
Ela era parte de algum grupo radical organizado?
Não. Seus vínculos eram superficiais. Os investigadores descobriram que ela estava mais sozinha em suas convicções do que conectada a qualquer movimento real. Era uma mulher que havia construído uma ideologia em sua cabeça.
Trinta e dois anos na prisão. Como alguém sobrevive a isso?
Ela se converteu ao judaísmo, casou-se com um psicólogo, viveu em comunidades de aposentados. Transformou-se. Quando saiu, tinha 80 anos e mudou de identidade. Viveu invisível.
Ford nunca respondeu à carta de desculpas?
Nunca. Mas comentou depois que a intenção era matar, independentemente de ter sobrevivido. Ele não ofereceu perdão, apenas reconhecimento do que ela havia tentado fazer.
E agora sua história está em um musical de Sondheim?
Está. Ela se tornou um personagem cultural — a mulher que tentou matar um presidente e viveu o suficiente para ver sua própria vida ser dramatizada no palco. Há algo profundamente estranho nisso.