Seu trabalho documentou décadas de transformação na forma como os brasileiros contam histórias
Rui Rezende, nascido em Minas Gerais em 1938, passou mais de cinco décadas habitando os personagens que ajudaram a construir a identidade da dramaturgia brasileira — no palco, no cinema e, sobretudo, na televisão. Morreu aos 88 anos no Rio de Janeiro, após dez dias internado, deixando para trás uma filmografia que é, ela mesma, um arquivo vivo da forma como os brasileiros aprenderam a se contar em histórias. O homem partiu; os personagens permanecem.
- Rui Rezende faleceu no domingo, 12 de julho, após dez dias internado no Hospital São Francisco na Providência de Deus, na Tijuca — a causa exata não foi divulgada.
- O ator vivia desde 2019 no Retiro dos Artistas, instituição que acolhe profissionais da cultura na velhice, onde a notícia de sua morte foi anunciada.
- Seu papel como o professor lobisomem em 'Roque Santeiro' (1985) o imortalizou para gerações de telespectadores, tornando-se um dos personagens mais lembrados da teledramaturgia nacional.
- Ao longo de mais de cinco décadas, acumulou dezenas de trabalhos em novelas, minisséries e filmes — de 'A Favorita' a 'Narradores de Javé' —, compondo um legado que atravessa plataformas e gerações.
- Sua morte é sentida como o fechamento de um capítulo insubstituível da televisão brasileira, onde atores de sua geração foram os arquitetos de uma linguagem dramatúrgica própria.
Rui Rezende morreu no domingo, 12 de julho, aos 88 anos, no Rio de Janeiro. A notícia foi dada pelo Retiro dos Artistas, instituição onde ele vivia desde 2019. Havia sido internado em 2 de julho no Hospital São Francisco na Providência de Deus, na Tijuca, e permaneceu hospitalizado por dez dias. A causa da morte não foi informada.
Seu nome verdadeiro era José Pereira Rezende Filho. Nasceu em Araguari, Minas Gerais, em 18 de novembro de 1938, e ao longo de mais de cinco décadas construiu presença marcante no teatro, no cinema e na televisão brasileira. O papel que o definiu para o grande público foi o do professor Astromar Junqueira em 'Roque Santeiro' (1985), personagem que se transformava em lobisomem — uma figura que ficou gravada na memória de gerações de telespectadores.
Mas sua trajetória foi muito além desse ícone. Interpretou personagens em produções como 'A História de Ana Raio e Zé Trovão', na extinta Rede Manchete, e na minissérie 'Incidente em Antares', da TV Globo. Participou de novelas como 'A Favorita' e 'Um Lugar ao Sol', da série 'Bom Dia, Verônica', e de filmes como 'Narradores de Javé' e 'Encarnação do Demônio'. Sua filmografia é um mapa da produção audiovisual brasileira de qualidade.
Nos últimos anos, Rezende havia encontrado abrigo no Retiro dos Artistas, já com 80 anos. Com sua morte, encerra-se um capítulo da história da televisão brasileira — não apenas a perda de um ator, mas a de alguém que viveu e documentou, através de seu trabalho, décadas de transformação na forma como os brasileiros contam histórias para si mesmos.
Rui Rezende morreu no domingo, 12 de julho, aos 88 anos. A notícia chegou pelo Retiro dos Artistas, a instituição onde ele morava desde 2019, localizada no Rio de Janeiro. Havia pouco mais de uma semana que o ator havia sido internado — desde o dia 2 de julho — no Hospital São Francisco na Providência de Deus, na Tijuca, na zona norte da cidade. A causa exata de sua morte não foi divulgada.
Seu nome de batismo era José Pereira Rezende Filho. Nasceu em Araguari, Minas Gerais, em 18 de novembro de 1938. Ao longo de mais de cinco décadas, construiu uma presença marcante nos três grandes territórios da dramaturgia brasileira: o palco, a tela de cinema e, especialmente, a televisão. Não foi um ator de papéis secundários ou esquecidos. Seus trabalhos deixaram marca.
O papel que o definiu para gerações de telespectadores foi o do professor Astromar Junqueira em "Roque Santeiro", a novela de 1985 que se tornou um dos maiores clássicos da história da teledramaturgia nacional. Nela, seu personagem tinha uma característica que o tornava inesquecível: se transformava em lobisomem. Era o tipo de papel que fica na memória de quem assiste, que as pessoas lembram décadas depois.
Mas sua carreira foi muito além desse destaque. Interpretou Bob Lamb em "A História de Ana Raio e Zé Trovão", uma novela da extinta Rede Manchete que marcou época. Fez Menandro Olinda na minissérie "Incidente em Antares", produção da TV Globo. Ao longo dos anos, acumulou participações em dezenas de produções — novelas como "A Favorita" e "Um Lugar ao Sol", séries como "Bom Dia, Verônica", filmes como "Narradores de Javé", "O Homem que Desafiou o Diabo" e "Encarnação do Demônio". Sua filmografia é um mapa da produção audiovisual brasileira de qualidade.
Nos últimos anos de vida, Rezende havia encontrado abrigo no Retiro dos Artistas, instituição que acolhe profissionais da cultura que chegam à velhice. Viveu ali desde 2019, já com 80 anos. Quando a saúde falhou, em julho deste ano, foi internado. Permaneceu hospitalizado por dez dias antes de falecer.
Sua morte marca o encerramento de um capítulo importante da história da televisão brasileira. Não é apenas a perda de um ator, mas a perda de alguém que viveu e documentou, através de seu trabalho, décadas de transformação na forma como os brasileiros contam histórias para si mesmos. Os papéis que interpretou continuarão disponíveis em arquivos, em reprises, em plataformas de streaming. Mas o homem que os viveu, que respirou vida naqueles personagens, não está mais aqui.
Notable Quotes
Um de seus papéis mais marcantes foi o do professor Astromar Junqueira, que se transformava em lobisomem na novela 'Roque Santeiro' (1985), um dos maiores clássicos da teledramaturgia brasileira— Retiro dos Artistas / informações sobre sua carreira
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que um ator como Rui Rezende, com uma carreira tão longa, acabou vivendo em uma instituição de acolhimento nos últimos anos?
Essa é a realidade de muitos artistas brasileiros. Mesmo com décadas de trabalho, a profissão não oferece segurança financeira garantida. O Retiro dos Artistas existe justamente para isso — para dar dignidade a quem construiu a cultura do país mas não acumulou riqueza.
E o papel do Lobisomem em "Roque Santeiro" — por que esse ficou tão marcado na memória das pessoas?
Porque era um papel que tinha magia. Não era apenas um personagem, era uma transformação. As pessoas lembram não só do ator, mas da sensação que aquele papel provocava. Cinquenta anos depois, as pessoas ainda falam sobre aquilo.
Ele trabalhou em muitas produções diferentes — novelas, séries, filmes. Qual era o padrão?
Não havia padrão. Ele era um ator de trabalho, alguém que aceitava papéis em tudo que era oferecido. Isso significa que sua carreira reflete a própria história da televisão e do cinema brasileiro — ele estava lá em cada fase, em cada tipo de produção.
A morte dele marca o fim de uma era?
Sim, mas não de forma dramática. É mais como quando você percebe que uma geração inteira de pessoas que construíram algo está desaparecendo. Rui Rezende era um dos últimos elos vivos com aquele período de ouro da teledramaturgia brasileira.