Um professor que virava lobisomem — algo que capturou a imaginação
Aos 88 anos, o ator Rui Rezende encerrou uma jornada de décadas dedicada à arte brasileira, falecendo no Rio de Janeiro após internação hospitalar. Nascido em Minas Gerais como José Pereira Rezende Filho, ele atravessou gerações de espectadores com personagens que habitaram o teatro, o cinema e a televisão desde os tempos em que esses meios ainda encontravam sua forma. Seu nome ficou gravado na memória coletiva pelo professor que virava lobisomem em Roque Santeiro — mas sua presença resistiu muito além daquele instante, testemunhando e participando das transformações mais profundas da dramaturgia nacional.
- Rui Rezende morreu no domingo, 12 de julho, aos 88 anos, após dez dias internado no Hospital São Francisco na Tijuca, no Rio de Janeiro.
- O Retiro dos Artistas, instituição que o acolhia desde 2019, confirmou o falecimento e prestou homenagem a um dos grandes nomes da dramaturgia brasileira.
- O papel do professor Astromar Junqueira em Roque Santeiro, o personagem que se transformava em lobisomem, perseguiu o ator de forma afetiva por toda a vida — símbolo de um momento em que a televisão brasileira era fenômeno de massa.
- Sua carreira não parou em 1985: de A História de Ana Raio e Zé Trovão a Bom Dia, Verônica em 2022, Rezende manteve presença ativa por quase quatro décadas adicionais.
- A morte encerra a trajetória de um artista que viveu o nascimento e a maturidade da televisão brasileira, deixando um legado de longevidade e dedicação raros no meio cultural.
Rui Rezende morreu no domingo, 12 de julho, aos 88 anos, no Hospital São Francisco na Providência de Deus, na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro, onde estava internado desde o dia 2 do mesmo mês. A causa do falecimento não foi divulgada. A notícia foi confirmada pelo Retiro dos Artistas, instituição onde o ator vivia desde 2019 e que o homenageou nas redes sociais como um dos grandes nomes da dramaturgia brasileira.
Nascido em Araguari, Minas Gerais, com o nome civil José Pereira Rezende Filho, Rezende construiu uma carreira que atravessou décadas no teatro, na televisão e no cinema. O papel que o acompanhou pela vida toda foi o do professor Astromar Junqueira em Roque Santeiro, novela exibida em 1985 que se tornou fenômeno de audiência. Naquela trama, seu personagem se transformava em lobisomem — detalhe que marcou época e que o próprio ator reconhecia, em entrevistas, como sua marca mais duradoura junto ao público.
Mas sua trajetória foi muito além daquele personagem memorável. Nos anos seguintes, integrou elencos de produções como A História de Ana Raio e Zé Trovão (Rede Manchete, 1990), a minissérie Incidente em Antares (TV Globo, 1994) e o programa Você Decide (1999). Sua presença se estendeu por Bang Bang (2006), A Grande Família (2007), Favorita (2008), Um Lugar ao Sol (2021) e Bom Dia, Verônica (2022) — uma longevidade profissional rara, que testemunha tanto a qualidade de seu trabalho quanto a estima dos que o escalavam.
Com sua morte, encerra-se a história de um ator que começou a carreira quando a televisão brasileira ainda era um meio em formação e permaneceu ativo até recentemente, testemunha viva de transformações profundas no fazer artístico do país.
Rui Rezende morreu no domingo, 12 de julho, aos 88 anos. A notícia foi confirmada pelo Retiro dos Artistas, instituição onde ele residia desde 2019. O ator havia sido internado no dia 2 de julho no Hospital São Francisco na Providência de Deus, na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro. A causa do falecimento não foi divulgada.
Nascido em Araguari, Minas Gerais, com o nome civil José Pereira Rezende Filho, ele construiu uma carreira que atravessou décadas e deixou marcas profundas no teatro, na televisão e no cinema brasileiro. Sua trajetória foi marcada por dedicação à arte e por personagens que permaneceram vivos na memória de gerações de espectadores. O Retiro dos Artistas, em comunicado nas redes sociais, lembrou que Rezende foi um dos grandes nomes da dramaturgia brasileira, alguém que emocionou o público ao longo de uma vida dedicada ao ofício.
O papel que o acompanhou por toda a vida foi o do professor Astromar Junqueira na novela "Roque Santeiro", exibida em 1985. Naquela trama, seu personagem tinha a particularidade de se transformar em lobisomem — um detalhe que marcou época e que o próprio ator mencionava em entrevistas, reconhecendo que mesmo décadas depois ainda era identificado por causa daquele papel. A novela se tornou um fenômeno de audiência, e Rezende fez parte desse momento importante da televisão brasileira.
Mas sua carreira foi muito além daquele personagem memorável. Nos anos seguintes, ele integrou elencos de produções significativas. Viveu Bob Lamb em "A História de Ana Raio e Zé Trovão", exibida pela Rede Manchete em 1990. Interpretou Menandro Olinda na minissérie "Incidente em Antares", produção da TV Globo de 1994. Participou de programas como "Você Decide" em 1999, e depois de filmes e séries que se estenderam até seus últimos anos de atividade.
Sua presença se manteve constante na televisão brasileira ao longo das décadas seguintes. Apareceu em "Bang Bang" (2006), na série "A Grande Família" (2007), na novela "Favorita" (2008), em "Um Lugar ao Sol" (2021) e em "Bom Dia, Verônica" (2022). Essa longevidade profissional, rara no meio artístico, testemunha tanto a qualidade de seu trabalho quanto a estima em que era tido pelos produtores e diretores que o escalavam.
Nos últimos anos de vida, Rezende residiu no Retiro dos Artistas, instituição que acolhe profissionais do setor cultural em situação de vulnerabilidade. Sua morte marca o fim de uma era para a dramaturgia brasileira — a de um ator que começou sua carreira em tempos em que a televisão ainda era um meio em formação e que permaneceu ativo até recentemente, testemunha vivo de transformações profundas no fazer artístico do país.
Notable Quotes
Um dos grandes nomes da dramaturgia brasileira que emocionou o público com seu talento nos palcos, no cinema e na televisão, construindo uma trajetória marcada pela dedicação à arte— Retiro dos Artistas, em comunicado
The Hearth Conversation Another angle on the story
O que fez de Roque Santeiro tão importante na vida dele?
Era o papel que o definia publicamente. Um professor que virava lobisomem — algo que capturou a imaginação das pessoas. Ele mesmo dizia que, décadas depois, as pessoas ainda o reconheciam por causa daquele personagem. Era uma marca que não saía.
Mas ele fez muito mais do que isso, certo?
Muito mais. Trabalhou em minisséries, em filmes, em programas diversos. Sua carreira se estendeu por mais de 40 anos. Mas é assim que funciona — um papel fica, os outros desaparecem da memória coletiva.
Como era estar em uma instituição como o Retiro dos Artistas?
Ele vivia lá desde 2019. É um lugar para artistas que precisam de acolhimento. Não é uma história de fracasso — é a realidade de muitos profissionais que dedicaram suas vidas à arte e precisam de um lugar seguro para envelhecer.
Qual era o estado de saúde dele antes da internação?
Não sabemos os detalhes. Ele foi internado no começo de julho e morreu dez dias depois. A causa não foi divulgada. Apenas sabemos que aos 88 anos, seu corpo não resistiu.
O que fica de Rui Rezende?
Fica a memória de um ator que trabalhou consistentemente, que foi respeitado o suficiente para ser escalado até 2022. Fica um rosto, uma voz, personagens que as pessoas ainda lembram. Fica a prova de que uma carreira longa é possível, mesmo que o reconhecimento público seja concentrado em um único papel.