Moraes nega qualquer irregularidade, afirmando nunca ter favorecido Vorcaro ou o Banco Master e jamais ter julgado processos envolvendo o banqueiro. O ministro contesta a legalidade da investigação determinada por Mendonça, argumentando que foi instaurada sem pedido da PGR e sem autorização do plenário do STF.
Moraes nega irregularidades e classifica investigação de Mendonça como 'inconstitucional e ilegal'
Não há nenhuma mensagem de autoria do ministro que indique favorecimento
Por que Moraes esperou tanto tempo para se manifestar? Isso não parece estranho?
Ele estava em uma posição delicada. Qualquer coisa que dissesse poderia ser usada contra ele. Mas quando você vê um relatório sendo construído sobre anotações no celular de outra pessoa, em algum momento você precisa se defender publicamente.
Mas precisamos ser claros: o que exatamente o relatório diz que Moraes fez? Porque a manifestação dele nega tudo, mas não sabemos ainda quais são as acusações específicas.
O relatório se baseia em mensagens atribuídas a Vorcaro que mencionam Moraes. A Polícia Federal sustenta que Vorcaro estava se comunicando com Moraes sobre a Operação Compliance.
E Moraes diz que essas anotações nunca foram enviadas a ele como mensagens?
Exatamente. Ele diz que o relatório tenta responsabilizá-lo por textos que estavam no celular de Vorcaro, mas sem provar que foram efetivamente enviados.
Isso é importante. Se as anotações eram apenas notas pessoais de Vorcaro, não são evidência de comunicação. Mas também não sabemos se a Polícia Federal tem outras provas — mensagens de WhatsApp, e-mails, registros de chamadas.
Moraes também questiona se a investigação foi legal. Ele diz que Mendonça agiu sem autorização do plenário.
Sim, e esse é um argumento constitucional sério. Se um ministro pode investigar outro ministro da Corte sem procedimentos formais, isso muda o equilíbrio de poder dentro do Supremo.
Mas Mendonça também respondeu. Ele diz que tomou precauções, que foi cuidadoso. Precisamos ver o que o plenário acha sobre isso.
Moraes menciona que Vorcaro foi preso com sucesso, com seu celular. Isso prova que não houve vazamento?
Moraes usa isso como argumento: se ele tivesse avisado Vorcaro, o banqueiro teria tido tempo de se preparar ou destruir provas. A prisão bem-sucedida sugere que Vorcaro não sabia que estava sendo investigado.
Mas isso não é prova de inocência. Vorcaro poderia ter sido pego de surpresa mesmo que Moraes soubesse da operação. E há outras formas de favorecer alguém além de avisar sobre uma operação específica.
Então o que realmente vai ser decidido na terça-feira?
Se há base suficiente para abrir uma investigação formal contra Moraes. O plenário vai analisar o relatório e decidir se as suspeitas justificam prosseguir.
E isso é complicado porque alguns dos ministros que vão votar podem ter conflitos de interesse ou preocupações sobre precedentes. Se o Supremo começar a investigar seus próprios ministros dessa forma, quais são as regras?
Der Puls
- Moraes nega irregularidades e afirma nunca ter favorecido Vorcaro ou o Banco Master
- Ministro contesta legalidade da investigação de Mendonça, argumentando que foi instaurada sem autorização do plenário do STF
- Vorcaro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos com passaporte e celular, segundo Moraes como prova de que não houve vazamento
- Julgamento do plenário do STF marcado para terça-feira, 15 de setembro, para analisar relatório da Polícia Federal
Moraes nega qualquer irregularidade, afirmando nunca ter favorecido Vorcaro ou o Banco Master e jamais ter julgado processos envolvendo o banqueiro. O ministro contesta a legalidade da investigação determinada por Mendonça, argumentando que foi instaurada sem pedido da PGR e sem autorização do plenário do STF.
O ministro Alexandre de Moraes se manifestou pela primeira vez sobre acusações na Operação Compliance Zero, negando favorecimento ao banqueiro Vorcaro e classificando a investigação como inconstitucional e motivada por razões político-eleitorais.
Alexandre de Moraes quebrou o silêncio pela primeira vez desde que a Operação Compliance Zero começou a envolvê-lo em suspeitas. Na segunda-feira, 14 de setembro, o ministro enviou uma manifestação ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Edson Fachin, respondendo aos relatórios que o acusam de irregularidades envolvendo o banqueiro Daniel Bueno Vorcaro. A resposta chegou na véspera de um julgamento crucial: nesta terça-feira, 15 de setembro, o plenário da Corte analisaria um relatório da Polícia Federal sobre mensagens atribuídas a Vorcaro e decidiria se havia base para abrir uma investigação formal contra o próprio Moraes.
Na manifestação, Moraes foi direto: negou ter cometido qualquer irregularidade, afirmou nunca ter favorecido o Banco Master ou Vorcaro, e disse que jamais julgou processos envolvendo o banqueiro ou a instituição financeira. Mas seu argumento central não era apenas negar os fatos — era questionar a própria legalidade da investigação. Segundo Moraes, o ministro André Mendonça, que determinou a investigação, agiu de forma "absolutamente inconstitucional e ilegal" ao instaurar procedimentos investigativos contra um ministro da Corte sem pedido da Procuradoria-Geral da República, sem provocação da Polícia Federal e sem autorização prévia do plenário do STF.
O ministro argumentou que o relatório da Polícia Federal não apontava nenhum indício de infração penal de sua parte e se baseava apenas em anotações encontradas em blocos de notas do celular de Vorcaro. Moraes sustentou que nunca teve conhecimento prévio da Operação Compliance, nunca entrou em contato com autoridades responsáveis pela investigação e nunca vazou informações. Um de seus argumentos mais contundentes foi sobre a própria prisão de Vorcaro: o banqueiro foi capturado no Aeroporto Internacional de Guarulhos quando se preparava para embarcar, portando passaporte verdadeiro e seu telefone celular. Se houvesse vazamento, argumentou Moraes, Vorcaro teria tido tempo de se preparar ou destruir provas. O sucesso da operação, na verdade, demonstrava que o investigado não tinha conhecimento prévio do mandado contra si.
Outro ponto central da defesa foi a contestação das mensagens. Moraes afirmou que o relatório não apresentava nenhuma mensagem de sua autoria que indicasse consultoria jurídica, favorecimento ao Banco Master ou conhecimento prévio de operações policiais. O relatório, segundo ele, tentava atribuir-lhe responsabilidade por textos encontrados em blocos de notas do celular de Vorcaro sem demonstrar que essas anotações tivessem sido efetivamente enviadas a ele por mensagem. Moraes também criticou a metodologia do relatório da Polícia Federal, argumentando que as provas não foram preservadas adequadamente e que as conclusões foram construídas a partir de interpretações e recortes de mensagens, sem comprovação técnica.
Ao tratar das motivações por trás das acusações, Moraes não hesitou em usar linguagem forte. Classificou a investigação como tendo finalidade "político-eleitoral" e a descreveu como uma tentativa de "vingança". Essas eram alegações feitas pelo próprio magistrado em sua manifestação.
Mendonça, por sua vez, também apresentou um documento na segunda-feira defendendo as medidas que adotou durante a condução da investigação. O ministro justificou uma reunião presencial com delegados responsáveis pelo caso argumentando que era necessária diante de referências ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Augusto Passos Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gustavo Gonet Branco, em anotações atribuídas a Vorcaro. Mendonça afirmou que a "intimação direta e presencial dos delegados" foi adotada por cautela e para preservar o andamento das investigações, garantindo que as informações permanecessem restritas aos investigadores diretamente envolvidos. Segundo Mendonça, a medida não representava atribuição de suspeitas a nenhuma autoridade — era apenas um procedimento de segurança.
O julgamento marcado para terça-feira 15 de setembro seria o momento em que o Supremo teria que lidar com questões fundamentais: a validade do relatório, o alcance da análise que os ministros poderiam fazer, e a própria participação de integrantes diretamente citados no caso. A sessão foi convocada pelo presidente Fachin em meio a uma série de discussões sobre esses temas. O que estava em jogo era não apenas a reputação de Moraes, mas também questões sobre os limites do poder investigativo dentro da própria Corte.
Bemerkenswerte Zitate
De maneira absolutamente inconstitucional e ilegal, o ministro relator determinou, de ofício, a realização de atos de investigação em relação a um ministro da Corte— Alexandre de Moraes, em manifestação ao presidente do STF
Não é lógico, razoável e plausível concluir que houve favorecimento ou vazamento de informações— Alexandre de Moraes, argumentando sobre a prisão bem-sucedida de Vorcaro