Moraes manda PT remover referências a vídeo em que Bolsonaro relata encontro com adolescentes venezuelanas

Adolescentes venezuelanas em situação suspeita de prostituição foram mencionadas no relato do presidente, sem apuração oficial até a data da reportagem.
Pintou um clima, voltei
Trecho da fala de Bolsonaro que motivou a liminar de Moraes e pedidos de investigação.
Mark

O que exatamente Moraes mandou fazer?

Mimi

Retirar qualquer menção ao vídeo em que Bolsonaro diz que "pintou um clima" ao relatar o encontro com as venezuelanas, e não fazer novas associações dele à pedofilia. A multa é de R$ 100 mil por dia.

Mark

O pedido partiu de quem?

Mimi

Da campanha de Bolsonaro, que listou 48 links. O ministro citou em especial a postagem de Gleisi Hoffmann.

Luke

Vale separar: a decisão é uma liminar, ou seja, provisória. E a classificação de "grave descontextualização" é a avaliação do ministro, não um veredito final.

Mark

E o que Bolsonaro disse, de fato?

Mimi

Contou que entrou na casa de meninas de 14 e 15 anos, todas venezuelanas, e insinuou que se prostituíam. O texto está no vídeo da entrevista.

Luke

Insinuou, note bem. A reportagem não traz confirmação de que elas se prostituíam nem do que houve na casa. Isso segue desconhecido.

Mark

Há investigação?

Mimi

Randolfe pediu ao STF e Leandro Grass pediu à PGR. São pedidos, não investigações abertas.

Luke

Exato. Até a data do texto, não havia apuração oficial, e a reportagem não informa resposta de STF ou PGR.

  • A frase de Bolsonaro sobre adolescentes venezuelanas, numa moto em São Sebastião, incendiou as redes e colocou a palavra pedofilia no topo das discussões.
  • A campanha de Bolsonaro levou à Justiça 48 links, e a liminar de Moraes ordenou a retirada de conteúdos sob pena de multa de R$ 100 mil por dia.
  • Moraes classificou a postagem de Gleisi Hoffmann como grave descontextualização e propaganda eleitoral negativa, vetando novas associações do presidente ao crime.
  • Randolfe Rodrigues levou ao STF e Leandro Grass acionou a PGR para apurar se o presidente deveria ter comunicado as autoridades, mas nenhuma investigação oficial havia começado até a publicação.

Às vésperas do segundo turno, quando a disputa presidencial já se faz sentir em cada conversa e em cada tela, o Tribunal Superior Eleitoral se viu diante de uma pergunta antiga da política: até onde vai a crítica dura e onde começa a acusação sem lastro. Na noite de domingo, 16 de outubro, o ministro Alexandre de Moraes determinou que a campanha de Lula e as plataformas digitais retirassem referências a um vídeo em que Jair Bolsonaro relatava, com uma frase ambígua e perturbadora, um encontro com adolescentes venezuelanas, e proibiu que se voltasse a associar o presidente à pedofilia. A decisão, que mira uma postagem da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, coloca em um mesmo quadro a gravidade de um tema que toca a infância e a necessidade de proteger o debate eleitoral de distorções.

No domingo, 16 de outubro, a duas semanas do segundo turno, o ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, assinou uma liminar que obriga a campanha de Lula e as plataformas digitais a retirar qualquer referência a um vídeo em que Jair Bolsonaro conta que "pintou um clima" durante um encontro com adolescentes venezuelanas.

A decisão atendeu a um pedido da campanha de Bolsonaro, que listou 48 links. Entre eles, uma postagem de Gleisi Hoffmann, presidente do PT, que afirmava que o presidente "confessa" ter flertado com meninas de 14 e 15 anos. Para Moraes, a publicação distorce falas, atribui a Bolsonaro um crime grave e busca induzir o eleitorado. Ele observou que, depois do recorte, a hashtag #bolsonaropedofilo chegou ao primeiro lugar nas redes, e viu aí a prova do alcance do conteúdo. A liminar também proíbe novas manifestações nesse sentido, com multa diária de R$ 100 mil.

O vídeo foi gravado numa entrevista a um canal do YouTube. Bolsonaro relatou que, num passeio de moto em São Sebastião, no Distrito Federal, viu meninas e, ao entrar numa casa, encontrou dezenas de adolescentes venezuelanas se arrumando. Ao perguntar para que, ouviu: "ganhar a vida". A fala sugeriu prostituição e atribuiu a situação a "escolhas erradas", o que gerou indignação.

Há pedidos de investigação. Randolfe Rodrigues levou ao STF uma petição para apurar possíveis crimes do presidente, como prevaricação, por não ter acionado autoridades diante de suspeita de exploração infantil. Leandro Grass, deputado distrital, acionou a Procuradoria-Geral da República e chamou o caso de "gravíssimo". Até a publicação, porém, nenhuma apuração oficial havia esclarecido a situação das adolescentes citadas no relato.

No domingo, 16 de outubro, a duas semanas do segundo turno, o ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, assinou uma liminar que obriga a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e as plataformas digitais a retirar qualquer menção ou referência a um vídeo com trecho de entrevista do presidente Jair Bolsonaro (PL). No trecho, Bolsonaro conta que "pintou um clima" durante um encontro com adolescentes venezuelanas.

A decisão responde a um pedido da campanha de Bolsonaro, que listou 48 links para serem tirados do ar. Defesa e ministro citaram de forma específica uma postagem no Twitter da presidente do PT, Gleisi Hoffmann. Ela escreveu que Bolsonaro "confessa q pintou clima com meninas de 14, 15 anos", que ele "entrou na casa das garotas" e que seria triste ver "esse traste" na Presidência.

Para Moraes, a publicação se descola da realidade, usa recortes e encadeamentos inexistentes de falas gravemente descontextualizadas e tenta induzir negativamente o eleitorado ao atribuir a Bolsonaro a autoria de um crime grave, a pedofilia. O ministro observou que, depois que a campanha adversária apresentou o recorte, a hashtag #bolsonaropedofilo chegou ao primeiro lugar na rede social, o que, a seu ver, comprova a amplitude do conteúdo contestado. Segundo ele, divulgar fato sabidamente inverídico, com grave descontextualização e aparente finalidade de ligar o candidato a crime sexual, parece bastar para configurar propaganda eleitoral negativa, conforme a jurisprudência da Corte.

A liminar também manda a campanha de Lula se abster de promover novas manifestações que associem Bolsonaro à pedofilia. A multa é de R$ 100 mil por dia, o mesmo valor previsto caso o conteúdo já divulgado não seja removido. A reportagem lembra que, ao longo do governo, Bolsonaro atacou repetidamente o TSE e alguns de seus integrantes, Moraes entre eles.

O vídeo vem de uma entrevista a um canal do YouTube na sexta-feira anterior. Bolsonaro contou que, num passeio de moto pela comunidade de São Sebastião, no Distrito Federal, viu meninas de 14 e 15 anos. Disse ter parado a moto, tirado o capacete e achado que eram parecidas entre si. "Pintou um clima, voltei", relatou, e pediu para entrar na casa. Lá, segundo ele, havia de 15 a 20 meninas, num sábado de manhã, se arrumando, todas venezuelanas. Perguntou então "para que" se arrumavam e respondeu: "ganhar a vida". Insinuou, assim, que estariam se prostituindo, e questionou o ouvinte se queria isso para a própria filha, atribuindo a situação a "escolhas erradas".

A fala provocou indignação nas redes e foi explorada por adversários. No fim de semana, o termo "Bolsonaro pedófilo" esteve entre os mais usados no Twitter.

Há também pedidos de investigação. O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), líder da oposição no Senado, enviou ao Supremo Tribunal Federal petição para apurar "prováveis crimes" do presidente no episódio. Argumenta que, como chefe de Estado, ele deveria ter acionado o Ministério Público, a Polícia ou o Conselho Tutelar ao ver adolescentes em situação suspeita de prostituição infantil, e pode ter incorrido em prevaricação. Pede ainda apuração por possível favorecimento da prática ilegal.

A Procuradoria-Geral da República foi acionada pelo deputado distrital Leandro Grass (PV). No ofício, ele chama o caso de "gravíssimo", pede que se esclareça o que de fato ocorreu e questiona por que Bolsonaro não acionou as autoridades. Até a data da reportagem, não havia apuração oficial sobre a situação das adolescentes mencionadas no relato.

A postagem se descola da realidade, usando recortes e falas gravemente descontextualizadas para induzir o eleitorado negativamente.
— Alexandre de Moraes, presidente do TSE
O caso é gravíssimo e é preciso esclarecer o que de fato ocorreu, com urgência.
— Leandro Grass, deputado distrital (PV)
Möchten Sie die ganze Geschichte? Das Original lesen bei UOL Notícias ↗
Kontakt FAQ