Moraes manda bloquear até R$ 6 bi de Willer Tomaz e quebra sigilos de empresas ligadas a conta com Flávio Bolsonaro

Uma conta em Portugal, um perfil "master" e um bloqueio de até R$ 6 bilhões
Moraes mirou Willer Tomaz e a Alcazar Holdings em inquérito que cita Flávio Bolsonaro.
Mark

Qual é o ponto central do caso?

Mimi

Uma conta do Santander em nome da Alcazar Holdings, administrada por Willer Tomaz, em que Flávio Bolsonaro constava como "usuário master". Moraes mandou bloquear até R$ 6 bilhões e quebrar sigilos.

Mark

E de onde veio o inquérito?

Mimi

Da Justiça do Rio Grande do Sul, que apurava evasão de divisas e apostas virtuais usadas para lavar dinheiro. Subiu ao STF por causa das menções a Flávio.

Luke

Ser "usuário master" prova que ele movimentou dinheiro?

Mimi

Não. A PF diz que o perfil lhe dava, em princípio, acesso e gerenciamento, e que mensagens indicam poder de movimentação até maio de 2025.

Luke

Então é a leitura da PF, não uma conclusão judicial.

Mimi

Exato. O caso está em segredo de Justiça e o que aparece é o que os investigadores relataram a Moraes.

Mark

Por que o passaporte foi cancelado?

Mimi

A PF afirma que Willer deixou o país em agosto, após ser alvo da Operação Sem Desconto, sobre desvios contra aposentados do INSS.

Luke

E o valor de R$ 6 bilhões?

Mimi

É um teto de bloqueio. Willer o chama de cifra aleatória e diz que a suspensão das empresas é punição antecipada. A fonte não explica como o número foi calculado.

Luke

E o avião Legacy?

Mimi

A PF achou uma minuta de venda da participação da Alcazar. A Prime You, de Daniel Vorcaro, também tinha uma quota. O texto não detalha o que isso significa para a investigação.

  • Moraes ordenou o bloqueio de até R$ 6 bilhões e a quebra de sigilos bancário, fiscal e cambial de Willer Tomaz e de quatro empresas ligadas à Alcazar.
  • A Polícia Federal aponta que Flávio Bolsonaro tinha perfil de 'usuário master' na conta da Alcazar Holdings no Santander, com acesso até maio de 2025.
  • Os passaportes de Willer foram cancelados, inclusive o diplomático, e todas as suas empresas tiveram atividades suspensas, o que ele chama de punição antecipada.
  • O caso tramita em segredo de Justiça, e a análise da rede de correntistas da Alcazar pode ampliar o alcance da investigação nos próximos passos.

Em um momento em que a política brasileira se entrelaça com as engrenagens da Justiça, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens do advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência. A medida, tomada em sigilo, integra um inquérito que investiga suposta lavagem de dinheiro e enxerga na conta de uma empresa sediada em Portugal um possível elo entre os dois homens. Nada, por ora, está provado; o que existe é a suspeita que a investigação busca confirmar ou afastar.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens de contas e empresas do advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A decisão corre em segredo de Justiça e integra um inquérito que apura a suposta participação dos dois em um esquema de lavagem de dinheiro.

O centro do caso é a Alcazar Holdings, empresa administrada por Willer, com sede em Portugal e conta no Santander. Segundo a Polícia Federal, Flávio constava na documentação de abertura dessa conta como "usuário master", com "elevado nível de acesso" e poder de movimentar valores até maio de 2025.

A investigação começou na Justiça do Rio Grande do Sul, por suspeita de evasão de divisas e uso de apostas virtuais para lavar dinheiro, e chegou ao STF quando o nome de Flávio surgiu no processo. Moraes também quebrou os sigilos de Willer e de quatro empresas, cancelou seus passaportes e suspendeu todas as suas atividades empresariais.

Willer deixou o Brasil em agosto, após ser alvo da Operação Sem Desconto, que apura desvios envolvendo aposentados do INSS. Ele classificou as medidas como "desproporcionais" e afirmou sofrer "punição antecipada, sem acusação, processo ou condenação". Como o caso segue sob sigilo, o que se sabe vem do que a PF relatou ao ministro.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens de contas e empresas do advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A decisão corre em segredo de Justiça e faz parte de um inquérito que apura a suposta participação de Flávio e de Willer em um esquema de lavagem de dinheiro.

O centro do caso é a Alcazar Holdings, empresa dona de uma conta no Santander. Nessa conta, Flávio estava cadastrado como "usuário master". Moraes mandou, além do bloqueio, que seja analisada a rede de correntistas da empresa.

A investigação não nasceu no Supremo. Ela começou na Justiça do Rio Grande do Sul, para apurar evasão de divisas e o uso de apostas virtuais para lavar dinheiro. O caso subiu ao STF depois que o nome de Flávio apareceu nas menções do processo.

O ministro também determinou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial de Willer e de quatro empresas: Alcazar Brasil LTDA, Alcazar Holdings Unipessoal, Alcazar Global Holdings e Catedral - Holdings SGPS. Foram ainda cancelados os passaportes de Willer, inclusive um diplomático, e suspensas as atividades econômicas, financeiras e empresariais de todas as suas empresas.

Segundo a Polícia Federal, o perfil de "usuário master" deu a Flávio um "elevado nível de acesso" à conta da Alcazar Holdings, que é administrada por Willer e tem sede em Portugal. Os investigadores disseram a Moraes que, na documentação de abertura da conta, Flávio constava com esse perfil, condição que, em princípio, lhe conferia acesso e gerenciamento. Para a PF, mensagens indicam que ele teria poder de movimentar as contas até a data em que o acesso foi excluído, em maio de 2025.

A PF justificou as medidas contra Willer dizendo que ele teria deixado o Brasil em agosto, depois de ser alvo da Operação Sem Desconto, que apura desvios envolvendo aposentados e pensionistas do INSS. Os investigadores também afirmam ter achado, nos arquivos dele, uma minuta de "intenção de venda da participação societária" da Alcazar em um avião Legacy. A Alcazar detinha uma quota da aeronave, assim como a Prime You, de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Procurado, Willer classificou as determinações de Moraes como "desproporcionais". Para ele, o bloqueio de até R$ 6 bilhões é "uma cifra aleatória", e a suspensão de todas as suas empresas impõe "punição antecipada, sem acusação, processo ou condenação".

Como o caso segue sob sigilo, o que se sabe vem do que a PF relatou ao ministro. A análise da rede de correntistas da Alcazar pode ampliar o alcance da investigação.

O bloqueio de até R$ 6 bilhões é uma cifra aleatória. A suspensão de todas as suas empresas impõe punição antecipada, sem acusação, processo ou condenação.
— Willer Tomaz
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