TSE concedeu 116 inserções de 30 segundos a Lula em programa de Bolsonaro, removendo quase uma hora de propaganda presidencial. Moraes considera direito de resposta o mecanismo mais importante contra fake news eleitorais, superior à remoção de conteúdo ou aplicação de multas.
Moraes afirma que direito de resposta reduz propagandas falsas em eleição
O direito de resposta muda o cálculo de quem ataca
Por que Moraes acredita que o direito de resposta funciona melhor que simplesmente tirar conteúdo falso do ar?
Porque quando você remove um vídeo, ninguém vê a resposta. O dano já foi feito. Mas quando você força o candidato que atacou a ceder tempo de antena ao adversário, ele perde algo concreto — minutos de propaganda que custam caro. Isso muda o cálculo.
E as crises que as decisões geraram? Os ataques ao tribunal?
Eram inevitáveis. Você está tirando quase uma hora de TV de um presidente em campanha. Claro que vai gerar reação. Mas Moraes parecia estar dizendo que o custo político valia a pena se o resultado era campanhas mais honestas.
Como ele sabia que as propagandas realmente ficaram mais contidas?
Ele estava observando. Vendo o que passava nas rádios e TVs depois de cada decisão. Não é ciência exata, mas é observação direta do comportamento das campanhas.
E se um candidato simplesmente aceitasse perder aquele tempo de antena como custo de fazer uma acusação forte?
Então o mecanismo não funcionaria. Mas aparentemente, na prática, os candidatos estavam sendo mais cuidadosos. Talvez porque o custo fosse realmente alto demais.
Qual era o verdadeiro objetivo do tribunal naquele momento?
Manter a eleição dentro de certos limites de decência. Não era sobre punir ninguém — era sobre criar incentivos para que as campanhas se autorregulassem.
El Pulso
- TSE concedeu 116 inserções de 30 segundos a Lula em programa de Bolsonaro, removendo quase uma hora de propaganda
- Moraes considera direito de resposta o mecanismo mais importante contra fake news eleitorais
- Bolsonaro recebeu direito de resposta com duas inserções de um minuto na propaganda de Lula
- Decisões foram aprovadas por unanimidade entre os ministros do TSE
TSE concedeu 116 inserções de 30 segundos a Lula em programa de Bolsonaro, removendo quase uma hora de propaganda presidencial. Moraes considera direito de resposta o mecanismo mais importante contra fake news eleitorais, superior à remoção de conteúdo ou aplicação de multas.
Moraes afirma que concessão de direitos de resposta nas campanhas de 2022 reduziu propagandas falsas em rádio e TV, sendo mais efetivo que retirada de conteúdo ou multas ao transferir tempo de exposição entre candidatos.
Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, saiu da sessão de terça-feira, 25 de outubro, com uma convicção clara: o direito de resposta funciona. Não como ferramenta jurídica abstrata, mas como mecanismo prático que muda o comportamento das campanhas em tempo real.
Na avaliação do ministro, quando um candidato recebe o direito de resposta — aquele tempo de antena para rebater acusações do adversário — algo muda nas rádios e televisões. As propagandas ficam mais contidas. Os ataques, menos inflamados. "A partir do momento em que nós aplicamos o direito de resposta, houve um abrandamento das propagandas de rádio e televisão", disse Moraes. Para ele, essa ferramenta supera outras estratégias de combate à desinformação eleitoral: remover conteúdo do ar ou aplicar multas não funcionam tão bem porque não transferem o custo político do ataque para quem o fez. O direito de resposta faz exatamente isso — tira tempo de antena de um candidato e o entrega ao outro, transformando cada acusação em uma oportunidade perdida.
O tribunal havia começado a aplicar essa lógica dias antes. No sábado anterior, 22 de outubro, os ministros aprovaram por unanimidade a concessão de 116 inserções de 30 segundos a Luiz Inácio Lula da Silva dentro do programa de propaganda de Jair Bolsonaro. A razão: o presidente havia associado Lula à criminalidade, citando que o petista havia recebido mais votos em presídios. A decisão foi contundente — removeu quase uma hora inteira do tempo de TV de Bolsonaro. A medida gerou reações imediatas. Ataques ao tribunal ecoaram. Crises políticas se abriram. Mas Moraes via naquilo o mecanismo funcionando.
Na mesma sessão de terça-feira, o tribunal virou a mesa. Desta vez, concedeu direito de resposta a Bolsonaro. A propaganda do PT havia feito acusações pessoais contra o presidente, associando-o a milícia e crime organizado, descrevendo-o como alguém que "anda com assassinos". O tribunal considerou ofensa pessoal e deu ao candidato do PL duas inserções de um minuto na propaganda de Lula para se defender. Novamente, por unanimidade.
O padrão era claro: quando um lado atacava, o outro ganhava tempo para responder. E segundo Moraes, esse ciclo de ação e reação estava produzindo um efeito colateral desejável — campanhas mais cautelosas, menos propensas a disparar acusações que sabiam que seriam rebatidas na tela do próprio eleitor. O direito de resposta não era apenas justiça processual. Era, na prática, um regulador de temperatura da campanha.
Citas Notables
A partir do momento em que nós aplicamos o direito de resposta, houve um abrandamento das propagandas de rádio e televisão— Alexandre de Moraes, presidente do TSE
O direito de resposta se mostrou talvez o mais importante mecanismo de combate às fake news eleitorais, mais até do que a retirada de conteúdo e aplicação de multa— Alexandre de Moraes