Montenegro entre 17 líderes da UE que rejeitam cortes na coesão e PAC

Este não é o momento para a Europa reduzir a ambição
Os 17 líderes defendem a preservação integral dos fundos de coesão e da Política Agrícola Comum no próximo orçamento europeu.
Mark

Porque é que estes 17 países decidiram agir em conjunto neste momento?

Mimi

Porque a Comissão Europeia já apresentou uma proposta que reduz ambas as políticas. Eles querem evitar que essas reduções se aprofundem ainda mais. É uma ação defensiva.

Luke

Mas a carta não explica quanto é que a Comissão propõe cortar, nem quanto é que estes países querem preservar. São números reais ou apenas posições políticas?

Mark

A carta fala em "ambição" e em "valor acrescentado". Mas o que significa isso na prática?

Mimi

Significa que a Política Agrícola Comum e os fundos de coesão chegam a milhões de cidadãos europeus — agricultores, regiões menos desenvolvidas, zonas rurais. Cortá-los teria impacto direto nas pessoas.

Luke

Verdade. Mas a carta também diz que estão abertos a "novos recursos próprios". Isso é código para dizer que querem mais dinheiro total, não apenas redistribuição. Quem paga por isso?

Mark

E quanto aos rebates? Por que é que isso importa agora?

Mimi

Porque alguns países — como a Holanda, a Suécia, a Dinamarca — beneficiam de descontos nas suas contribuições. Os 17 querem eliminar isso para libertar mais dinheiro para as políticas que os beneficiam a eles.

Luke

Certo. Mas a carta diz que as "circunstâncias mudaram radicalmente". Que circunstâncias? Não fica claro. É uma afirmação que precisa de ser testada.

Mark

Qual é o próximo passo? Como é que isto se resolve?

Mimi

A presidência irlandesa vai ter de mediar entre este grupo e os outros Estados-membros — aqueles que beneficiam dos rebates, e aqueles que querem mais dinheiro para outras prioridades, como defesa ou inovação.

Luke

Exatamente. Esta carta é apenas uma posição. Não sabemos ainda se a Irlanda a levará a sério, ou se outros países vão contrapor com cartas próprias. O resultado final dependerá de negociações muito mais complexas.

  • A Comissão Europeia propôs cortes nos fundos de coesão e na PAC para o orçamento 2028-2034, desencadeando uma resposta coletiva de 17 Estados-membros que recusam aceitar essa direção.
  • Os signatários alertam que reduzir estas políticas não moderniza a União — enfraquece-a, e pode corroer o apoio popular ao projeto europeu precisamente entre os cidadãos que mais dele dependem.
  • O grupo propõe alternativas concretas: novos recursos próprios, instrumentos de dívida europeia direcionados e um reembolso mais gradual do NextGenerationEU, para que novas prioridades não sejam financiadas à custa das antigas.
  • Os 17 líderes opõem-se também à manutenção dos rebates para os maiores contribuintes líquidos, argumentando que as circunstâncias que os justificavam já não existem.
  • A presidência irlandesa do Conselho recebe agora uma pressão política significativa, e as negociações orçamentais prometem ser longas e disputadas, com o consenso sobre cortes longe de estar garantido.

Dezassete líderes europeus, reunidos sob a bandeira dos 'amigos da coesão', entregaram esta sexta-feira uma carta à presidência irlandesa do Conselho da UE recusando que o próximo orçamento comunitário — que cobrirá 2028 a 2034 — seja construído sobre o desmantelamento de políticas que estão na própria espinha dorsal do projeto europeu. A iniciativa, que conta com a assinatura do primeiro-ministro português, reflete uma tensão antiga e persistente entre a necessidade de financiar novas prioridades estratégicas e a resistência de países que dependem dos fundos de coesão e da Política Agrícola Comum para sustentar o desenvolvimento das suas regiões e populações. No fundo, o que está em causa é uma questão de identidade europeia: que tipo de União se quer construir, e a que custo para quem.

Dezassete líderes europeus entregaram esta sexta-feira uma carta à presidência irlandesa do Conselho da União Europeia com uma posição clara: os fundos de coesão e a Política Agrícola Comum devem ser preservados no próximo quadro financeiro plurianual, que cobrirá o período de 2028 a 2034. O documento, revelado pela agência Lusa, foi subscrito por Portugal, Bulgária, Chéquia, Chipre, Croácia, Eslováquia, Espanha, Estónia, Eslovénia, Grécia, Hungria, Itália, Letónia, Lituânia, Malta, Polónia e Roménia — um grupo que se autodenomina 'amigos da coesão'.

O pano de fundo é a proposta inicial da Comissão Europeia, que já contempla reduções nestas duas políticas. Os signatários reconhecem que a União enfrenta um contexto estratégico em transformação, mas argumentam que isso não justifica cortes em políticas consagradas nos tratados fundadores. Na sua perspetiva, a coesão e a PAC continuam essenciais para a convergência entre regiões, para a competitividade europeia e para a segurança alimentar — e reduzir o seu financiamento seria um erro estratégico que poderia comprometer o apoio público ao projeto europeu.

Os 17 líderes não se limitam, porém, a rejeitar cortes. Propõem caminhos alternativos para financiar novas prioridades: a exploração de novos recursos próprios que sejam justos e não regressivos, o recurso a instrumentos de dívida europeia limitados e direcionados, e um reembolso mais gradual do NextGenerationEU. Opõem-se ainda à manutenção dos rebates para os maiores contribuintes líquidos, considerando que as circunstâncias que os justificavam mudaram radicalmente.

A carta representa uma frente unificada de países com interesses comuns em matéria de financiamento europeu, e sinaliza que as negociações sobre o próximo orçamento serão complexas. A presidência irlandesa do Conselho recebe agora uma pressão considerável para integrar estas posições nas próximas fases das discussões.

Dezassete líderes europeus, entre os quais o primeiro-ministro português, entregaram esta sexta-feira uma carta à presidência irlandesa do Conselho da União Europeia com uma mensagem clara: não é hora de a Europa recuar nas suas ambições orçamentais. O documento, revelado pela agência Lusa, defende a preservação integral dos fundos de coesão e da Política Agrícola Comum no próximo quadro financeiro plurianual, que cobrirá o período de 2028 a 2034.

Os subscritores — um grupo que se autodenomina "amigos da coesão" e que inclui Portugal, Bulgária, Chéquia, Chipre, Croácia, Eslováquia, Espanha, Estónia, Eslovénia, Grécia, Hungria, Itália, Letónia, Lituânia, Malta, Polónia e Roménia — reconhecem que a União enfrenta um contexto estratégico em transformação. Mas essa realidade, argumentam, não justifica cortes em políticas que estão consagradas nos tratados fundadores. A carta sustenta que estas duas políticas continuam tão relevantes quanto sempre, promovendo a convergência entre Estados-membros e regiões, reforçando o mercado único e apoiando as zonas rurais e as áreas menos desenvolvidas.

O pano de fundo desta iniciativa é a proposta inicial da Comissão Europeia para o próximo orçamento, que já contempla reduções em ambas as políticas. Os 17 líderes argumentam que aprofundar esses cortes não modernizaria o orçamento da União — apenas o enfraqueceria e poderia comprometer o apoio público ao projeto europeu. Para eles, a Política Agrícola Comum e a política de coesão contribuem decisivamente para a competitividade europeia e para a segurança alimentar, ao mesmo tempo que prestam um apoio concreto a milhões de cidadãos. Reduzir o seu financiamento, na sua perspetiva, seria um erro estratégico.

Mas os signatários não se limitam a dizer o que não querem. Propõem também caminhos alternativos para financiar novas prioridades. Mostram-se disponíveis para trabalhar de forma construtiva no lado das receitas, sugerindo a exploração de novos recursos próprios que sejam justos, simples e não regressivos. Indicam ainda a possibilidade de recorrer a instrumentos de dívida europeia limitados e direcionados para prioridades estratégicas claramente identificadas, ou a um reembolso mais gradual do NextGenerationEU, o mecanismo que financiou os programas de recuperação e resiliência após a pandemia.

Um terceiro ponto de discórdia é a questão dos rebates — os descontos de que beneficiam os Estados-membros que mais contribuem para o orçamento comunitário. Os 17 líderes opõem-se à sua manutenção no próximo orçamento, argumentando que as circunstâncias que originalmente justificaram estas correções mudaram radicalmente. Naquela altura, o objetivo era corrigir um encargo excessivo sobre as contribuições de determinados Estados-membros. Hoje, sustentam, essa justificação já não se aplica.

A carta representa uma posição unificada de um grupo de países que, embora geograficamente dispersos, partilham interesses comuns em matéria de financiamento europeu. Alguns deles — como Portugal, Espanha, Grécia e os países da Europa de Leste — são historicamente grandes beneficiários dos fundos de coesão. Outros, como a Itália, combinam essa dependência com um papel significativo nas políticas agrícolas. A sua ação conjunta sinaliza que as negociações sobre o próximo orçamento europeu serão complexas e que o consenso sobre reduções está longe de ser garantido. A presidência irlandesa do Conselho receberá agora uma pressão considerável para considerar estas posições nas próximas fases das discussões orçamentais.

Reduzi-las ainda mais não modernizaria o orçamento da UE, apenas o enfraqueceria e poderia pôr em risco o apoio público ao projeto europeu
— Os 17 líderes na carta conjunta
As circunstâncias que originalmente justificaram essas correções [rebates] mudaram radicalmente
— Os 17 líderes na carta conjunta
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