Encontrados junto até o fim, nos escombros de uma semana
Modelo influenciadora e seu namorado permaneceram presos nos escombros por sete dias antes de serem localizados pelas equipes de resgate. Dois terremotos consecutivos (magnitudes 7,2 e 7,5) atingiram a Venezuela em 24 de junho, deixando 12.841 desabrigados e cerca de 50 mil desaparecidos segundo a ONU.
- Skarlent Rodríguez, 23 anos, eleita Miss Grand Orlando 2025
- Dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 em 24 de junho, separados por 39 segundos
- 2.295 mortos, 11 mil feridos, 12.841 desabrigados, 50 mil desaparecidos estimados pela ONU
Skarlent Rodríguez, 23 anos, eleita Miss Grand Orlando 2025, foi encontrada morta ao lado do namorado sob escombros de prédio desabado em La Guaira, uma semana após terremotos que mataram 2.295 pessoas na Venezuela.
Sete dias depois que a terra se abriu sob La Guaira, as equipes de resgate encontraram Skarlent Rodríguez e José Castro juntos nos escombros do prédio onde viviam. Ela tinha 23 anos. Ele era seu namorado. Os dois estavam mortos.
Rodríguez era modelo e influenciadora, conhecida nas redes sociais por compartilhar conteúdo sobre moda, beleza e estilo de vida. Meses antes, havia sido eleita Miss Grand Orlando 2025, um título que a levou a acumular milhares de seguidores. Na noite de 24 de junho, quando dois terremotos consecutivos — um de magnitude 7,2 e outro de 7,5, separados por apenas 39 segundos — sacudiram a Venezuela, ela estava em casa com Castro. O prédio desabou. Ambos ficaram presos nos escombros.
A confirmação da morte chegou através de uma campanha criada pela família na plataforma GoFundMe. Em um comunicado, os parentes descreveram o casal como tendo sido encontrado "junto até o fim" e agradeceram as manifestações de solidariedade que receberam durante a semana de buscas. Mas havia mais do que o luto: havia contas a pagar. Os custos do funeral e das operações de resgate — que duraram dias inteiros — se tornaram um peso adicional. A família decidiu manter a arrecadação aberta para cobrir essas despesas.
O que aconteceu com Rodríguez e Castro era apenas uma história dentro de uma catástrofe muito maior. Quando os corpos foram localizados na quarta-feira, 1º de julho, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, atualizou o balanço de vítimas: 2.295 mortos e mais de 11 mil feridos. O número havia crescido significativamente em apenas 24 horas — no dia anterior, eram 1.943 mortos e 10.571 feridos. Além disso, 12.841 pessoas estavam desabrigadas, suas casas reduzidas a nada.
Mas havia outro número que assombrava ainda mais: as Nações Unidas estimavam que cerca de 50 mil pessoas continuavam desaparecidas. Não eram corpos encontrados. Eram pessoas cujo paradeiro permanecia desconhecido, famílias esperando notícias que talvez nunca chegassem. Os dois terremotos, separados por pouco mais de meio minuto, haviam transformado a região em um cenário de devastação que as equipes de resgate ainda estavam tentando compreender.
Notable Quotes
O casal foi encontrado junto até o fim— Família de Skarlent Rodríguez
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que a história de Skarlent Rodríguez importa além da tragédia pessoal? Há algo que a torna diferente de outras vítimas?
Não é que sua morte seja mais importante. É que ela tinha visibilidade — tinha seguidores, tinha um título, tinha uma voz pública. Quando alguém assim desaparece, as pessoas prestam atenção. Mas isso também expõe o tamanho real do desastre: se uma pessoa com recursos e visibilidade levou uma semana para ser encontrada, o que dizer dos outros 50 mil desaparecidos?
A família abriu uma campanha de arrecadação. Isso não deveria ser responsabilidade do Estado?
Deveria, sim. Mas quando um desastre dessa magnitude acontece, as estruturas de resposta ficam sobrecarregadas. A família está tentando cobrir custos que, em teoria, deveriam ser cobertos por programas de emergência. É um sinal de como o sistema falha quando mais é necessário.
Dois terremotos em 39 segundos. Como as pessoas têm tempo de reagir?
Não têm. É quase impossível. A primeira onda já causa danos estruturais graves. A segunda, que vem tão rápido, não deixa margem para nada — nem para correr, nem para se proteger. É por isso que tantas pessoas ficaram presas nos escombros.
E os 50 mil desaparecidos — como a ONU chega a esse número?
É uma estimativa baseada em relatos de pessoas desaparecidas, registros de edifícios colapsados, áreas que ainda não foram completamente vasculhadas. Não é um número exato. É um sinal de que a busca está longe de terminar.