No topo do Poder Judiciário brasileiro, a questão de quem julga os juízes revela uma tensão constitutiva que nenhuma democracia pode ignorar indefinidamente. O recente embate entre ministros do Supremo Tribunal Federal tornou visível o que já era sabido em silêncio: um sistema em que pares julgam pares carrega em si os germes do corporativismo e da perseguição interna. A história das instituições ensina que o equilíbrio republicano não nasce da confiança nos homens, mas do desenho que os obriga a competir em vez de conluir.