Ministra do Ambiente confia em acordo ambicioso na COP30 sobre mitigação e adaptação

Os efeitos estão aí. Temos de nos preparar para reagir.
A ministra sobre por que razão a adaptação é tão importante quanto a mitigação na COP30.
Mark

A ministra diz que o mundo está a 2,5 graus de aquecimento quando o objetivo era 1,5. Como é que se chega a um acordo que mude isto?

Mimi

Ela acredita que o acordo tem de ser em três frentes: mitigação das emissões, adaptação aos efeitos que já estão aqui, e uma transição justa. Sem as três, não funciona.

Luke

Mas o financiamento é o problema real, certo? Os países desenvolvidos ainda não pagaram o que prometeram em Paris.

Mimi

Exato. Mas ela nota que há ação mesmo sem decisão política — cidades, setor privado, organizações não governamentais estão a fazer coisas.

Mark

Portugal está a fazer algo concreto? Ou é apenas discurso?

Mimi

Cinco mil milhões de euros em investimento numa estratégia de água, 294 medidas, 14 novas barragens. Obras em curso contra erosão costeira de Norte a Sul. Não é discurso.

Luke

Mas quanto disto é novo e quanto é apenas reembalagem de coisas que já estavam planeadas?

Mimi

A ministra admite que algumas das obras não são propriamente novidades, mas fazem parte da linha de atuação do governo. O que é novo é apresentá-las como resposta à adaptação climática.

Mark

E a China? Ela recusou o estatuto de país em desenvolvimento na OMC. Isso não enfraquece o argumento dos países em desenvolvimento na COP?

Mimi

A ministra diz que em Belém a China continua no G77. Não é cedência, é evolução — à medida que um país se desenvolve, usa menos esse argumento.

Luke

Mas isso é interpretação dela. A China pode estar a fazer cálculos geopolíticos completamente diferentes.

Mimi

Verdade. Ela está a ler a história de uma forma, mas há outras leituras possíveis.

  • O planeta está 1 grau acima do que deveria estar no caminho acordado em Paris, e cada décima de grau representa incêndios maiores, cheias mais violentas e secas mais longas.
  • Portugal sente a urgência na pele: erosão costeira, escassez de água e incêndios devastadores tornaram a adaptação uma necessidade imediata, não uma previsão futura.
  • A ministra Maria da Graça Carvalho apresenta em Belém a estratégia 'Água que une' — 294 medidas e 14 novas barragens — como prova de que ação concreta é possível antes de qualquer consenso global.
  • O financiamento continua a ser o nó que trava tudo: os países desenvolvidos ainda não cumpriram os compromissos de Paris, e contabilizar os fluxos privados e multilaterais permanece um desafio sem solução clara.
  • Mesmo sem representação política americana, técnicos dos EUA estão presentes; nas cidades, nas empresas e nas ONG, a ação climática avança independentemente das posições dos governos centrais.
  • Carvalho mostra-se disponível para negociar em nome da União Europeia se necessário, sinalizando que Portugal não vai a Belém apenas para assistir — vai para influenciar.

Em Belém do Pará, onde a floresta encontra o rio e o rio encontra o oceano, começa a COP30 com o peso de uma promessa não cumprida: o mundo aquece a 2,5 graus quando prometeu parar em 1,5. Portugal chega com uma ministra determinada, uma estratégia nacional de água avaliada em cinco mil milhões de euros e a convicção de que mitigação, adaptação e justiça na transição não são opções — são obrigações. O que se decide nesta cimeira não é apenas técnico; é uma escolha sobre que mundo se herda.

A COP30 abre em Belém do Pará com Portugal a apresentar uma agenda de três pilares: mitigação de emissões, adaptação às alterações climáticas já em curso e uma transição que não deixe ninguém para trás. A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, é direta ao diagnóstico — o mundo comprometeu-se em Paris a não ultrapassar 1,5 graus de aquecimento, mas a trajetória atual aponta para 2,5 graus. A correção de rota é urgente.

Portugal não chega de mãos vazias. Carvalho apresenta em Belém a Estratégia Nacional para a Gestão Sustentável da Água, chamada 'Água que une', com um investimento de cinco mil milhões de euros e 294 medidas, incluindo 14 novas barragens. O país é particularmente vulnerável à erosão costeira, às cheias e à seca prolongada, e a estratégia é uma resposta concreta a essa realidade. Portugal integra também uma aliança com 49 países para cooperar no combate aos grandes incêndios, fenómenos que já ultrapassam a capacidade de resposta de qualquer nação isolada.

A transição justa é o terceiro pilar que a ministra considera inegociável. A Europa faz dela uma prioridade, e Portugal traduz esse compromisso em ação — nomeadamente através da conversão de dívida com Cabo Verde. Carvalho participou ativamente nas negociações pré-COP e mostra-se confiante nos negociadores presentes. Se for chamada a representar a União Europeia, estará disponível.

O principal obstáculo continua a ser o financiamento. Os países desenvolvidos ainda não cumpriram integralmente os compromissos de Paris, e o modelo definido na COP de Baku — que combina fundos públicos, multilaterais e privados — exige melhor monitorização. Ainda assim, Carvalho sublinha que a ação climática não parou: municípios, empresas e organizações não governamentais avançam mesmo sem consenso político. Os Estados Unidos não têm representação política em Belém, mas estão presentes a nível técnico. A discussão, conclui a ministra, é imparável — porque os efeitos das alterações climáticas já chegaram a todas as latitudes.

A COP30 arranca esta segunda-feira em Belém do Pará com Portugal a chegar com uma agenda clara. Maria da Graça Carvalho, ministra do Ambiente e Energia, diz ao Jornal de Notícias e à TSF que espera um acordo robusto sobre mitigação de emissões e, mais importante ainda, sobre adaptação às alterações climáticas que já estão aqui. O mundo não está no caminho certo. Os países comprometeram-se em Paris em 2015 a limitar o aquecimento a 1,5 graus Celsius até ao final do século, mas a trajetória atual aponta para 2,5 graus. É preciso corrigir a rota, e depressa.

A ministra insiste que a adaptação merecia estar no centro das conversas tanto quanto a mitigação. Durante anos, a esperança era que reduzindo emissões se evitassem os piores efeitos das alterações climáticas. Essa esperança desapareceu. Os incêndios devastadores, as inundações, a erosão costeira, as alterações nos padrões de saúde, a escassez de água — tudo isto é já realidade em várias partes do mundo. Portugal sente isto de forma particular. O país é vulnerável à erosão do litoral, às cheias e aos períodos de seca prolongada. Por isso, Carvalho apresenta em Belém a Estratégia Nacional para a Gestão Sustentável da Água, batizada "Água que une". O programa representa um investimento de cinco mil milhões de euros e inclui 294 medidas, entre as quais a criação de 14 novas barragens. Não é apenas sobre água — é sobre preparação.

Mas há um terceiro pilar que a ministra considera essencial: a transição tem de ser justa. O Primeiro-Ministro Luís Montenegro já o enfatizou na cimeira de líderes. A Europa faz da transição justa uma prioridade, mas isso exige cooperação internacional real, especialmente com os países mais vulneráveis. Portugal está a trabalhar nisso concretamente, nomeadamente através da conversão de dívida com Cabo Verde, oferecendo ajuda e ação. A ministra teve um papel ativo nas negociações pré-COP sobre transição e adaptação, e mostra-se confiante de que há negociadores capazes de levar isto a bom porto.

Carvalho deixa claro que um acordo é fundamental — não apenas para mostrar resultados, mas para demonstrar que a negociação climática funciona ao nível multilateral, país a país, e não apenas bilateralmente. E esse acordo tem de ser ambicioso. Quando questionada sobre a possibilidade de ser chamada a negociar em nome da União Europeia, mostra-se pronta. "Se precisarem de mim, estarei disponível", diz. Contribuirá sempre para que haja resultados concretos nas três vertentes que identificou.

A ação concreta é o que Portugal quer mostrar em Belém. Obras estão em curso de Norte a Sul do país para travar a erosão costeira. Há estratégias para lidar com cheias e proteger rios, dando mais espaço aos leitos em zonas particularmente vulneráveis como Lisboa e Oeiras. Os grandes incêndios preocupam também. Portugal formou uma aliança com 49 outros países para cooperar na compreensão científica destes fenómenos e nas medidas para os evitar e combater. A dimensão dos incêndios modernos é tal que já não é possível enfrentá-los isoladamente.

Mas há um obstáculo maior: o financiamento. Os países desenvolvidos ainda não cumpriram completamente os compromissos assumidos em Paris. Na última COP em Baku, definiu-se um modelo de financiamento inteligente que combina fundos públicos, multilaterais, de bancos de desenvolvimento e do setor privado. O problema agora é contabilizar e monitorizar melhor estes fluxos. Ainda assim, Carvalho nota algo interessante: mesmo países politicamente avessos à luta contra as alterações climáticas estão a agir. Os Estados Unidos não têm representação política em Belém, mas estão presentes a nível técnico porque são signatários da convenção. Nas cidades, no setor privado, nas organizações não governamentais, há muita ação acontecendo.

Quando o tema é a China — que anunciou na Organização Mundial do Comércio que renuncia ao estatuto de país em desenvolvimento — Carvalho é clara: em Belém, a China continua no G77, ao lado dos países menos desenvolvidos. Não é cedência, é evolução. Os países desenvolvidos cresceram cortando florestas e queimando combustíveis fósseis durante a revolução industrial. Esse argumento histórico justifica por que razão países em desenvolvimento ainda reivindicam direitos diferentes. Com o tempo, à medida que estes países se desenvolvem, esse argumento perde força. Mas por enquanto, a China mantém-se onde está.

A ministra conclui que a discussão sobre alterações climáticas é imparável porque toda a gente já sente os seus efeitos. A competitividade da indústria e da economia passa pela COP30 porque não há outra forma de os combustíveis fósseis ou a energia nuclear competirem com o fotovoltaico. O que se decide em Belém vai moldar como o mundo se move nos próximos anos.

Já sabemos não estar no caminho do objetivo de Paris. Estamos perto dos 2,5°C e, portanto, temos de corrigir a rota.
— Maria da Graça Carvalho, ministra do Ambiente e Energia
Se precisarem de mim, estarei disponível para negociar em nome da União Europeia.
— Maria da Graça Carvalho
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