Ministério da Saúde propõe cabotegravir injetável no SUS com eficácia de quase 100%

Potencial prevenção de 385 mil infecções pelo HIV esperadas no Brasil nos próximos 10 anos, ampliando acesso a tecnologias de prevenção para populações com dificuldades de adesão a medicação diária.
Seis injeções ao ano em vez de 365 comprimidos
O cabotegravir simplifica drasticamente o regime de prevenção do HIV, tornando-o mais viável para populações com dificuldades de adesão.
Mark

Por que o cabotegravir é tão diferente da PrEP que já existe no SUS?

Mimi

A PrEP oral funciona, mas exige disciplina diária. Muitas pessoas simplesmente não conseguem manter isso — não é preguiça, é a vida acontecendo. O cabotegravir resolve isso: você vai ao médico seis vezes por ano, toma uma injeção, e está protegido pelos próximos dois meses.

Mark

E a eficácia é realmente quase 100%?

Mimi

Sim. Nos estudos clínicos, o cabotegravir mostrou eficácia de quase 100%, e na prática isso é superior à PrEP oral porque as pessoas realmente tomam a injeção quando marcam a consulta.

Mark

Qual é o obstáculo para colocar isso no SUS agora?

Mimi

Preço. A infectologista Beatriz Grinsztejn já disse que a inadequação de preços tem sido um entrave nas discussões. O medicamento existe, a Anvisa aprovou, mas o custo precisa fazer sentido para o sistema público.

Mark

E se conseguirem incorporar? Qual seria o impacto?

Mimi

Um estudo projeta que poderia prevenir 385 mil infecções nos próximos dez anos e economizar R$ 14 bilhões em custos de tratamento. Estamos falando de vidas e de recursos.

Mark

Existe algo melhor que o cabotegravir?

Mimi

Há o lenacapavir, que é semestral — só duas injeções por ano. A OMS o recomendou. Mas ambos funcionam de forma similar: bloqueiam o vírus, não estimulam imunidade como uma vacina faria.

Mark

Então por que não é uma vacina?

Mimi

Porque uma vacina treina seu sistema imunológico a reconhecer e atacar o vírus. Esses medicamentos fazem o trabalho diretamente, circulando no sangue. Se você parar de tomar, a proteção some. Com vacina, a proteção dura.

  • O Brasil registra cerca de 60 mil novas infecções por HIV por ano, e a adesão irregular à PrEP oral diária ainda deixa populações vulneráveis desprotegidas.
  • O cabotegravir chega como alternativa concreta: apenas seis injeções anuais com eficácia de quase 100%, já aprovado pela Anvisa e disponível no mercado privado desde 2025.
  • A negociação de preços com o laboratório GSK/ViiV Healthcare permanece como principal obstáculo à incorporação, segundo especialistas como a infectologista Beatriz Grinsztejn.
  • Projeções indicam que a inclusão no SUS poderia evitar 385 mil infecções e gerar economia de R$ 14 bilhões em custos de tratamento ao longo de dez anos.
  • A Conitec analisará a proposta em agosto, enquanto o lenacapavir semestral — recomendado pela OMS — emerge como próxima fronteira na prevenção de longa duração.

Em um momento em que a ciência oferece ferramentas cada vez mais precisas contra antigas epidemias, o Brasil avança para incorporar ao sistema público de saúde o cabotegravir — um injetável bimestral com eficácia de quase 100% na prevenção do HIV. O Ministério da Saúde encaminhou a proposta à Conitec na última segunda-feira, durante a Conferência Internacional de Aids no Rio de Janeiro, reconhecendo que a adesão a medicamentos diários é um desafio humano, não uma falha moral. A decisão, esperada para agosto, poderá redefinir o alcance da prevenção para centenas de milhares de brasileiros nas próximas décadas.

O Ministério da Saúde deu um passo concreto na segunda-feira ao encaminhar à Conitec uma proposta para incluir o cabotegravir no SUS. O medicamento, um injetável aplicado a cada dois meses com eficácia de quase 100%, representa uma alternativa significativa à PrEP oral diária — disponível no sistema público desde 2017, mas dependente de adesão rigorosa, o que nem sempre é possível para todos os perfis de pacientes.

O anúncio foi feito pelo ministro Alexandre Padilha durante a 26ª Conferência Internacional de Aids, no Rio de Janeiro. O cabotegravir, comercializado como apretude e desenvolvido pela GSK/ViiV Healthcare, já havia sido aprovado pela Anvisa em 2023 e chegou ao mercado privado em 2025. Sua vantagem central é estrutural: ao exigir apenas seis aplicações por ano, contorna o obstáculo da medicação cotidiana para populações com barreiras de rotina.

Os números projetados reforçam o argumento. Um estudo publicado na revista Value in Health estima que o cabotegravir poderia prevenir cerca de 385 mil das 600 mil infecções esperadas no Brasil na próxima década, gerando economia de R$ 14 bilhões em custos de tratamento. Ainda assim, a infectologista Beatriz Grinsztejn, presidente da International Aids Society, aponta que o preço do medicamento segue como entrave central nas negociações.

No horizonte, o lenacapavir — do laboratório Gilead Sciences e recomendado pela OMS — aponta para uma prevenção ainda mais espaçada: apenas duas injeções por ano, com eficácia equivalente. O diretor-geral da OMS o descreveu como a melhor alternativa disponível enquanto uma vacina contra o HIV permanece fora de alcance. Vale lembrar que esses injetáveis não são vacinas: funcionam bloqueando a replicação viral e exigem presença contínua no organismo para manter a proteção.

A Conitec analisará a proposta em agosto, com a palavra final cabendo ao Ministério da Saúde. O que está em jogo é mais do que uma decisão técnica — é o reconhecimento de que prevenir uma infecção exige adaptar a medicina à realidade das pessoas, e não o contrário.

O Brasil está prestes a oferecer uma nova arma contra o HIV. Na segunda-feira, o Ministério da Saúde encaminhou à Conitec uma proposta para incorporar o cabotegravir ao SUS — um medicamento injetável que requer apenas uma aplicação a cada dois meses e demonstra eficácia de quase 100% na prevenção da infecção. A decisão representa um passo significativo em estratégias de prevenção, especialmente para pessoas que enfrentam dificuldades em manter a adesão a medicações diárias.

O cabotegravir, desenvolvido pela GSK/ViiV Healthcare e comercializado sob o nome apretude, já recebeu aprovação da Anvisa em 2023 e chegou ao mercado privado brasileiro em agosto do ano passado. Diferentemente da PrEP oral — a profilaxia pré-exposição em comprimidos disponível no SUS desde 2017 — o novo injetável oferece uma alternativa que simplifica drasticamente o regime de tratamento. Enquanto os comprimidos diários reduzem o risco de infecção a quase zero, sua eficácia depende de adesão rigorosa. O cabotegravir contorna esse obstáculo ao exigir apenas seis aplicações anuais, tornando-o particularmente atraente para populações que enfrentam barreiras na rotina medicamentosa.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, explicou durante a 26ª Conferência Internacional de Aids, realizada no Rio de Janeiro, que a incorporação de novas tecnologias de prevenção amplia as possibilidades de cuidado e oferece alternativas para quem tem dificuldades com medicação diária. A Conitec, responsável por analisar segurança, eficácia e custo-efetividade de novas tecnologias no sistema público, examinará a proposta em agosto. A palavra final, porém, permanece com o Ministério da Saúde.

Os números projetados são substanciais. Um estudo conduzido pela GSK e publicado na revista Value in Health estima que o cabotegravir poderia prevenir cerca de 385 mil das 600 mil infecções pelo HIV esperadas no Brasil nos próximos dez anos. Essa redução geraria uma economia projetada de R$ 14 bilhões em custos com tratamento. A infectologista Beatriz Grinsztejn, atual presidente da International Aids Society e chefe do Laboratório de Pesquisa Clínica em IST e HIV/Aids do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, já sinalizou que um dos entraves nas discussões sobre incorporação tem sido a inadequação de preços — questão que permanece em negociação.

Paralelamente, outra opção de longa duração ganha espaço no cenário global. O lenacapavir, do laboratório Gilead Sciences, foi aprovado no Brasil e recomendado pela Organização Mundial da Saúde para compor estratégias de prevenção ao HIV. Diferentemente do cabotegravir, que demanda seis aplicações anuais, o lenacapavir é semestral — administrado apenas duas vezes a cada doze meses — mantendo eficácia de quase 100%. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, descreveu-o como a melhor alternativa disponível enquanto uma vacina contra o HIV permanece fora de alcance.

É importante esclarecer que esses medicamentos injetáveis não funcionam como vacinas, apesar de sua eficácia preventiva. Diferentemente de uma vacina, que estimula o sistema imunológico a produzir anticorpos e células de defesa contra um agente infeccioso, a PrEP injetável é um medicamento antiviral que bloqueia os caminhos que o HIV utiliza para se replicar. Isso significa que o medicamento deve permanecer em constante circulação no organismo para oferecer proteção. Se a administração for interrompida, a proteção desaparece — diferentemente das vacinas, cuja proteção tende a se manter ao longo do tempo, ainda que em níveis variáveis.

A proposta do cabotegravir reflete uma mudança na abordagem brasileira à prevenção do HIV. Enquanto a PrEP oral continua sendo oferecida, a incorporação de uma versão injetável de longa duração reconhece uma realidade: nem todas as pessoas conseguem manter a disciplina de uma medicação diária, e isso não é falha individual, mas um desafio estrutural que a medicina pode contornar. A Conitec analisará a proposta em agosto, e a decisão final moldará como o Brasil oferecerá prevenção ao HIV nos próximos anos.

O Brasil quer incorporar novas tecnologias de prevenção do HIV porque elas podem ampliar as possibilidades de cuidado e oferecer alternativas para pessoas que enfrentam dificuldades de adesão ao uso diário da medicação
— Alexandre Padilha, ministro da Saúde
Enquanto uma vacina contra o HIV continua fora de alcance, o lenacapavir é a melhor alternativa: um antirretroviral de longa duração que, em testes, demonstrou prevenir quase todas as infecções por HIV entre pessoas em risco
— Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS
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